{"id":4135,"date":"2009-12-13T20:52:13","date_gmt":"2009-12-13T23:52:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=4135"},"modified":"2009-12-13T20:52:13","modified_gmt":"2009-12-13T23:52:13","slug":"proibicao-de-divulgar-chama-se-censura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/12\/13\/proibicao-de-divulgar-chama-se-censura\/","title":{"rendered":"&#8220;Proibi\u00e7\u00e3o de divulgar chama-se censura&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>O jornalista <strong>Janio de Freitas<\/strong>,\u00a0comentou, neste domingo\u00a0[Folha de S. Paulo, 13\/12\/2009], a recente decis\u00e3o do Supremo Tribunal Federal [STF] em manter a proibi\u00e7\u00e3o ao jornal O Estado de S. Paulo de divulgar informa\u00e7\u00f5es relacionadas a Fernando Sarney, investigado pela Pol\u00edcia Federal na chamada Opera\u00e7\u00e3o Boi Barrica.<\/p>\n<p><strong>Destaco dois trechos:<\/strong><\/p>\n<p>\u00ab[&#8230;] O vern\u00e1culo n\u00e3o perdoa, por\u00e9m. Proibi\u00e7\u00e3o de divulgar chama-se censura, sem distin\u00e7\u00e3o de sua autoria. E, se procedente do Judici\u00e1rio, a adjetiva\u00e7\u00e3o cab\u00edvel \u00e9 mesmo a de censura judicial. N\u00e3o h\u00e1 filigranice jur\u00eddica que ludibrie a associa\u00e7\u00e3o de vern\u00e1culo e senso comum.&#8221;<br \/>\n[&#8230;]\nOcorre que &#8220;a amea\u00e7a&#8221; relacionada a uma publica\u00e7\u00e3o ainda desconhecida \u00e9 uma presun\u00e7\u00e3o &#8211; tanto no sentido de suposi\u00e7\u00e3o como no de pretens\u00e3o. \u00c9, como base de leis, a pr\u00f3pria censura pr\u00e9via baseada no princ\u00edpio da arbitrariedade: a censura antidemocr\u00e1tica.\u00bb<\/p>\n<p>Veja o artigo completo.<!--more--><\/p>\n<p><strong>A amea\u00e7a<br \/>\nJanio de Freitas<\/strong><br \/>\nFolha de S. Paulo [13\/12\/2009]\n<p>COM ATRASO, ligo a TV na sess\u00e3o em que o Supremo Tribunal Federal se manifestar\u00e1 sobre um assunto que nos diz respeito a todos, leitores em geral e jornalistas em particular. \u00c9 a censura, posta outra vez em quest\u00e3o pela reiterada proibi\u00e7\u00e3o judicial, j\u00e1 vigente h\u00e1 quatro meses e meio, de que &#8220;O Estado de S. Paulo&#8221; d\u00ea sequ\u00eancias a reportagens, com dados de investiga\u00e7\u00f5es policiais, sobre um cidad\u00e3o como qualquer outro (Fernando Sarney).<\/p>\n<p>Al\u00edvio. Chego no instante exato em que um ministro, dos mais convictos de suas verdades, proclama: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 censura&#8221;. A\u00ed est\u00e1, viva e vigorosa, a nossa maltratada Constitui\u00e7\u00e3o, por tudo o que diz j\u00e1 no art. 5\u00ba e explicita no 220: &#8220;A manifesta\u00e7\u00e3o do pensamento, a cria\u00e7\u00e3o, a express\u00e3o e a informa\u00e7\u00e3o, sob qualquer forma, processo ou ve\u00edculo, n\u00e3o sofrer\u00e3o qualquer restri\u00e7\u00e3o, observado o disposto nesta Constitui\u00e7\u00e3o&#8221;. Liberdade plena? N\u00e3o. Infra\u00e7\u00f5es a outros dispositivos constitucionais sujeitam-se a penalidades diversas.<\/p>\n<p>No caso da censura discutida, n\u00e3o cerceou opini\u00e3o ou julgamento moral, mas informa\u00e7\u00e3o: not\u00edcia de fatos relacionados pela Pol\u00edcia Federal, integrante do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Mas &#8220;n\u00e3o h\u00e1 censura&#8221;, logo fica claro, no dizer do ministro do STF, significa que a proibi\u00e7\u00e3o antecipada \u00e0 publica\u00e7\u00e3o daquelas not\u00edcias n\u00e3o \u00e9 censura. E, apesar de emitida por decis\u00e3o judicial, &#8220;n\u00e3o \u00e9 censura judicial&#8221;. Express\u00e3o que o ministro repele, porque &#8220;o juiz est\u00e1 limitado pela lei, e o censor, n\u00e3o&#8221;. Por isso, &#8220;\u00e9 descabido falar em censura judicial. N\u00e3o h\u00e1 censura. H\u00e1 aplica\u00e7\u00e3o da lei&#8221;.<\/p>\n<p>Fa\u00e7amos ao censor oficial, que parece ser o mencionado pelo ministro, a m\u00ednima justi\u00e7a de que, se o juiz e todos n\u00f3s estamos limitados, ele est\u00e1 autorizado por &#8220;constitui\u00e7\u00e3o&#8221; ditatorial, atos institucionais e, acima da for\u00e7a dessas farsas jur\u00eddicas, pela for\u00e7a das armas que a na\u00e7\u00e3o p\u00f5e em m\u00e3os de alguns a pretexto de proteg\u00ea-la, n\u00e3o para dela se apropriarem.<\/p>\n<p>O vern\u00e1culo n\u00e3o perdoa, por\u00e9m. Proibi\u00e7\u00e3o de divulgar chama-se censura, sem distin\u00e7\u00e3o de sua autoria. E, se procedente do Judici\u00e1rio, a adjetiva\u00e7\u00e3o cab\u00edvel \u00e9 mesmo a de censura judicial. N\u00e3o h\u00e1 filigranice jur\u00eddica que ludibrie a associa\u00e7\u00e3o de vern\u00e1culo e senso comum.<\/p>\n<p>O menos formal e mais substancioso ainda viria, no entanto. E sem surpreender que o fizesse pelas ideias do pr\u00f3prio presidente do STF, Gilmar Mendes. A prote\u00e7\u00e3o proporcionada pela lei contra publica\u00e7\u00f5es, pensa ele, n\u00e3o pode ser apenas quando j\u00e1 feita a publica\u00e7\u00e3o. A seu ver, s\u00e3o necess\u00e1rios dispositivos antecipat\u00f3rios contra &#8220;a amea\u00e7a&#8221; de viola\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>Ocorre que &#8220;a amea\u00e7a&#8221; relacionada a uma publica\u00e7\u00e3o ainda desconhecida \u00e9 uma presun\u00e7\u00e3o &#8211; tanto no sentido de suposi\u00e7\u00e3o como no de pretens\u00e3o. \u00c9, como base de leis, a pr\u00f3pria censura pr\u00e9via baseada no princ\u00edpio da arbitrariedade: a censura antidemocr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Sua defesa no Supremo Tribunal Federal tem muitos precedentes. Mas em outros tempos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Janio de Freitas,\u00a0comentou, neste domingo\u00a0[Folha de S. 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