{"id":6483,"date":"2010-03-26T19:16:04","date_gmt":"2010-03-26T22:16:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=6483"},"modified":"2010-03-26T19:16:04","modified_gmt":"2010-03-26T22:16:04","slug":"airton-monte-e-o-seu-amor-pelas-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/03\/26\/airton-monte-e-o-seu-amor-pelas-palavras\/","title":{"rendered":"Airton Monte e o seu amor pelas palavras"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-6489\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/03\/Imagem-024-550x412.jpg\" alt=\"Imagem 024\" width=\"550\" height=\"412\" \/><\/p>\n<p>O escritor Airton Monte, cronista do <strong>O POVO<\/strong>, esteve nesta sexta-feira falando para a turma do curso Novos Talentos O POVO para estudantes de jornalismo. Encandeou-nos a todos, com sua verve, seu bom humor e suas certeiras palavras.<\/p>\n<p>Deu-nos um emocionando depoimento de seu amor pelas palavras e uma ou duas li\u00e7\u00f5es para aqueles que se metem a escrever. Anotei uma coisa ou outra.<\/p>\n<p><strong>Dei-lhe um mote: &#8220;Por que escrevo?&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Ele diz que pensou bastante no tema, que passei-lhe por telefone cerca de 10 dias atr\u00e1s; trouxe-nos uma &#8220;equa\u00e7\u00e3o&#8221;:<\/p>\n<p><strong>1)<\/strong> Para obter  conhecimento; <strong>2)<\/strong> por Prazer; <strong>3)<\/strong> pela emo\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que  chamou de &#8220;tr\u00edade b\u00e1sica&#8221; para iniciar a conversa.<\/p>\n<p>Escrever &#8220;me d\u00e1 <strong>conhecimento<\/strong> e um certo controle sobre o mundo, que todos buscamos&#8221; [certamente falando o escritor e o psiquiatra].<\/p>\n<p>Ao dizer que a escrita lhe d\u00e1 <strong>prazer<\/strong>,  descascou sobre os escritores que se queixam do of\u00edcio, sem citar nomes [eu soprei: Rachel de Queiroz]. &#8220;Ora, se escrever d\u00f3i tanto, deixe de escrever e v\u00e1 vender banana&#8221;. [Disse que mant\u00e9m o h\u00e1bito de escrever a m\u00e3o, &#8220;com caneta de ponta preta&#8221;, em um caderno, para depois digitar o texto.]\n<p>Desperta a <strong>emo\u00e7\u00e3o<\/strong>, escrever, pois o escritor tem de &#8220;outrar&#8221; [descubram por voc\u00eas mesmos o significado do neologismo], sair do isolamento e se misturar \u00e0 multid\u00e3o.<\/p>\n<p>Diz ter tido tr\u00eas grandes emo\u00e7\u00f5es que se igualam, as maiores de sua vida: &#8220;Quando saiu meu primeiro livro, quando possu\u00ed a primeira mulher e quando nasceu meu primeiro filho &#8220;. [Tirante o fato de o filho, obrigatoriamente, ter nascido depois dele conhecer &#8211; no sentido b\u00edblico &#8211; a m\u00e3e da crian\u00e7a, n\u00e3o sei qual a ordem cronol\u00f3gica dos fatores.]\n<p><strong>&#8211; &#8220;Escrevo porque eu n\u00e3o posso deixar de escrever; seria como deixar de respirar&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Airton cr\u00ea que escrever \u00e9 um &#8220;dom natural&#8221;,\u00a0 parece crer piamente naquilo que alguns chamam de &#8220;inspira\u00e7\u00e3o&#8221;, na visita das musas.<\/p>\n<p>&#8220;Algo me levou a gostar das palavras&#8221;. D\u00e1 algumas pistas de como isso pode ter acontecido: pela leitura que a m\u00e3e fazia dos poetas parnasianos [&#8220;parecia m\u00fasica&#8221;] e do h\u00e1bito do av\u00f4 de ler-lhe hist\u00f3rias: &#8220;Quando meu av\u00f4 leu para mim, pela primeira vez, um livro de Monteiro Lobato, fiquei deslumbrado&#8221;.<\/p>\n<p><strong>&#8211; &#8220;O que faz um escritor \u00e9 a inf\u00e2ncia, a mem\u00f3ria da inf\u00e2ncia.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A boa literatura muda o leitor e muda o escritor&#8221;, cr\u00ea Airton. &#8220;Se voc\u00ea quer saber os costumes de um tempo, n\u00e3o precisa ler os historiadores, leia os escritores&#8221;.<\/p>\n<p>Disse-nos que\u00a0 fica atento \u00e0s coisas aparentemente banais: &#8220;O escritor v\u00ea al\u00e9m do \u00f3bvio&#8221;. E ensinou alguns truques para ouvir conversas alheias em ambientes p\u00fablicos, provocando risadas.<\/p>\n<p>Lembrou que literatura e jornalismo est\u00e3o sempre juntos.<\/p>\n<p>Falou de sua compuls\u00e3o por comprar livros e disse que a mulher dele costuma dizer que eles vivem uma biblioteca que tem dentro uma casa.<!--more--><\/p>\n<p><strong>Airton Monte<\/strong> [Fortaleza, 1949] \u00e9 m\u00e9dico psiquiatra formado pela Universidade Federal do Cear\u00e1 [UFC]. Cronista do <strong>O POVO<\/strong>, redator de televis\u00e3o, letrista, teatr\u00f3logo. A maioria de sua obra \u00e9 constitu\u00edda de contos e cr\u00f4nicas. Publicou &#8220;O Grande p\u00e2nico&#8221; (1979), &#8220;Homem n\u00e3o chora&#8221; (1981), Alba Sang\u00fc\u00ednea (1983) e &#8220;Mo\u00e7a com flor na boca&#8221; (2005), adotado pelo vestibular da UFC.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O escritor Airton Monte, cronista do O POVO, esteve nesta sexta-feira falando para a turma do curso Novos Talentos O POVO para estudantes de jornalismo&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[154,1403,1412,1629],"class_list":["post-6483","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-airton-monte","tag-literatura","tag-livros","tag-novost-talentos"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6483","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6483"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6483\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6483"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6483"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6483"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}