{"id":7502,"date":"2010-05-04T18:14:58","date_gmt":"2010-05-04T21:14:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=7502"},"modified":"2010-05-04T18:14:58","modified_gmt":"2010-05-04T21:14:58","slug":"antropologo-diz-que-veja-lhe-atribui-mentirosamente-declaracao-sobre-indios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/05\/04\/antropologo-diz-que-veja-lhe-atribui-mentirosamente-declaracao-sobre-indios\/","title":{"rendered":"Antrop\u00f3logo diz que Veja lhe atribui &#8220;mentirosamente&#8221; declara\u00e7\u00e3o sobre \u00edndios"},"content":{"rendered":"<p>Devido a esta mat\u00e9ria: <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/050510\/farra-antropologia-oportunista-p-154.shtml\" target=\"_blank\">A farra da antropologia oportunista<\/a>, publicada na revista Veja,\u00a0 o antrop\u00f3logo <a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.jsp?id=K4783546H3\" target=\"_blank\"><strong>Eduardo Viveiros de Castro<\/strong><\/a> (do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro) acusa a publica\u00e7\u00e3o de ter-lhe atribu\u00eddo &#8220;mentirosamente&#8221; uma afirma\u00e7\u00e3o &#8211; que ele n\u00e3o teria feito.<\/p>\n<p><strong>A carta de Viveiros<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u00ab<\/strong><\/span>Ao Editores da revista Veja:<\/p>\n<p>Na mat\u00e9ria &#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221; (Veja ano 43 n\u00ba 18, de 05\/05\/2010), seus autores colocam em minha boca a seguinte afirma\u00e7\u00e3o: &#8220;N\u00e3o basta dizer que \u00e9 \u00edndio para se transformar em um deles. S\u00f3 \u00e9 \u00edndio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original&#8221; . Gostaria de saber quando e a quem eu disse isso, uma vez que <strong>(1) nunca tive qualquer esp\u00e9cie de contato com os respons\u00e1veis pela mat\u00e9ria; (2) n\u00e3o pronunciei em qualquer ocasi\u00e3o, ou publiquei em qualquer ve\u00edculo, reflex\u00e3o t\u00e3o grotesca, no conte\u00fado como na forma<\/strong>. Na verdade, a frase a mim mentirosamente atribu\u00edda contradiz o esp\u00edrito de todas declara\u00e7\u00f5es que j\u00e1 tive ocasi\u00e3o de fazer sobre o tema. Assim sendo, cabe perguntar o que mais existiria de &#8220;montado&#8221; ou de simplesmente inventado na mat\u00e9ria. A qual, se me permitem a opini\u00e3o, achei repugnante.<span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u00bb<\/strong><\/span><strong><\/strong> <span style=\"color: #888888\">[Grifei]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><span style=\"color: #000000\">A carta n\u00e3o foi publicada na revista, mas circulou na internet. <strong>Veja respondeu<\/strong> reconhecendo que n\u00e3o falara diretamente com Viveiros, mas que baseara a afirmativa em artigos que ele publicara. <a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/brasil\/brasil-todo-mundo-indio-quem-nao-555649.shtml\" target=\"_blank\"><strong>Veja aqui a resposta da revista.<\/strong><\/a><\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><span style=\"color: #000000\"><strong>Viveiros voltou \u00e0 carga<\/strong>, com uma longa carta, que est\u00e1 publicada abaixo:<\/span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><strong><\/strong><strong>\u00ab<\/strong><\/span>Aos Editores da revista Veja:<\/p>\n<p>Em resposta \u00e0 mensagem que enviei \u00e0 revista Veja no dia 01\/05, denunciando a imputa\u00e7\u00e3o fraudulenta de declara\u00e7\u00f5es que me \u00e9 feita na mat\u00e9ria &#8220;A farra da antropologia oportunista&#8221;, o site Veja.com traz ontem uma resposta com o t\u00edtulo &#8220;No Brasil, todo mundo \u00e9 \u00edndio, exceto quem n\u00e3o \u00e9&#8221;. Ali, os respons\u00e1veis pela revista, ou pela resposta, ou, pelo jeito, por coisa nenhuma, reincidem na manipula\u00e7\u00e3o e na mentira; pior, confessam cinicamente que fabricaram a declara\u00e7\u00e3o a mim atribu\u00edda.<\/p>\n<p>Em minha carta de protesto inicial, sublinhei dois pontos: &#8220;(1) que nunca tive qualquer esp\u00e9cie de contato com os respons\u00e1veis pela mat\u00e9ria; (2) que n\u00e3o pronunciei em qualquer ocasi\u00e3o, ou publiquei em qualquer ve\u00edculo, reflex\u00e3o t\u00e3o grotesca, no conte\u00fado como na forma&#8221;.<\/p>\n<p>Veja contesta estes pontos com os seguintes argumentos:<\/p>\n<p>(1) &#8220;Sua primeira afirma\u00e7\u00e3o n\u00e3o condiz com a verdade. No in\u00edcio de mar\u00e7o, VEJA fez contato com Viveiros de Castro por interm\u00e9dio da assessoria de imprensa do Museu Nacional do Rio de Janeiro, onde ele trabalha. Por meio da assessoria, Viveiros de Castro recomendou a leitura de um artigo seu intitulado &#8220;No Brasil todo mundo \u00e9 \u00edndio, exceto quem n\u00e3o \u00e9&#8221;, que expressaria sua opini\u00e3o de forma sistematizada e autorizou VEJA a usar o texto na reportagem de uma maneira sint\u00e9tica.&#8221;<\/p>\n<p>Respondo: \u00e9 falso. A Assessoria de Imprensa do Museu Nacional telefonou-me, talvez no in\u00edcio de mar\u00e7o (n\u00e3o acredito mais em nada do que a Veja afirma), perguntando se receberia rep\u00f3rteres da mal-conceituada revista, a prop\u00f3sito de uma mat\u00e9ria que estariam preparando sobre a situa\u00e7\u00e3o dos \u00edndios no Brasil. Respondi que n\u00e3o pretendia sofrer qualquer esp\u00e9cie de contato com esses profissionais, visto que tenho a revista em baix\u00edssima estima e p\u00e9ssima considera\u00e7\u00e3o. Esclareci \u00e0 Assessoria do Museu que eu tinha diversos textos publicados sobre o assunto, cuja consulta e cita\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, livre, e que assim os rep\u00f3rteres, com o perd\u00e3o da express\u00e3o, que se virassem. N\u00e3o &#8220;recomendei a leitura&#8221; de nada em particular; e mesmo que o tivesse feito, n\u00e3o poderia ter &#8220;autorizado Veja&#8221; a usar o texto, simplesmente porque um autor n\u00e3o tem tal poder sobre trabalhos seus j\u00e1 publicados. Quanto \u00e0 curiosa no\u00e7\u00e3o de que eu autorizei a revista, em particular, a &#8220;usar de maneira sint\u00e9tica&#8221; esse texto, observo que, al\u00e9m de isso &#8220;n\u00e3o condizer com a verdade&#8221;, certamente n\u00e3o \u00e9 o caso que esse poder de s\u00edntese de que a Veja se acha imbu\u00edda inclua a atribui\u00e7\u00e3o de senten\u00e7as que n\u00e3o s\u00f3 se encontram no texto em quest\u00e3o, como s\u00e3o, ao contr\u00e1rio e justamente, contraditas cabalmente por ele. A mat\u00e9ria de Veja cita, entre aspas, duas frases que formam um argumento \u00fanico, o qual jamais foi enunciado por mim. Cito, para mem\u00f3ria, a atribui\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria: &#8220;N\u00e3o basta dizer que \u00e9 \u00edndio para se transformar em um deles. S\u00f3 \u00e9 \u00edndio quem nasce, cresce e vive num ambiente cultural original&#8221; . Com isso, a revista induz maliciosamente o leitor a pensar que (1) a declara\u00e7\u00e3o foi dada de viva voz aos rep\u00f3rteres; (2) ela reproduz literalmente algo que disse. Duas grosseiras inverdades.<\/p>\n<p>Veja contesta o segundo ponto com o argumento:<\/p>\n<p>(2) &#8220;Tamb\u00e9m n\u00e3o condiz com a verdade a afirma\u00e7\u00e3o feita por Viveiros de Castro no item (2) de sua carta. A frase publicada por VEJA espelha opini\u00e3o escrita mais de uma vez em seu texto (&#8220;N\u00e3o \u00e9 qualquer um; e n\u00e3o basta achar ou dizer; s\u00f3 \u00e9 \u00edndio, como eu disse, quem se garante&#8221; e &#8220;pode-se dizer que ser \u00edndio \u00e9 como aquilo que Lacan dizia sobre ser louco: n\u00e3o o \u00e9 quem quer. Nem quem simplesmente o diz. Pois s\u00f3 \u00e9 \u00edndio quem se garante&#8221;).&#8221; Ato cont\u00ednuo, a revista d\u00e1 o texto na \u00edntegra, repetindo que eu a autorizei a usar o texto &#8220;da forma que bem entendesse&#8221;.<\/p>\n<p>(Veja o link para meu texto: http:\/\/pib.socioambiental.org\/wp-content\/uploads\/sites\/40\/file\/PIB_institucional\/No_Brasil_todo_mundo_%C3%A9_%C3%ADndio.pdf).<\/p>\n<p>Pela ordem. Em primeiro lugar, essa resposta da revista fez desaparecer, como num passe de m\u00e1gica, a frase propriamente afirmativa de minha suposta declara\u00e7\u00e3o, a saber, a segunda (&#8220;S\u00f3 \u00e9 \u00edndio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original&#8221;), visto que a primeira (N\u00e3o basta dizer que \u00e9 \u00edndio etc.) permanece uma mera obviedade, se n\u00e3o for completada por um racioc\u00ednio substantivo. Ora, o racioc\u00ednio substantivo exposto em meu texto est\u00e1 nas ant\u00edpodas daquele que Veja falsamente me atribui. A afirma\u00e7\u00e3o de Veja de que eu a autorizara a &#8220;usar&#8221; o texto da forma que ela &#8220;bem entendesse&#8221; parece assim significar, para os respons\u00e1veis (ou n\u00e3o) pela revista, que ela poderia fabricar declara\u00e7\u00f5es absurdas e depois dizer que &#8220;sintetizavam&#8221; o texto. Esse arrogamente &#8220;da forma que bem entendesse&#8221; n\u00e3o pode incluir um fazer-se de desentendido da parte da Veja.<\/p>\n<p><strong>Reitero que a revista fabricou descaradamente a declara\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8220;S\u00f3 \u00e9 indio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original&#8221;. <strong>Se o leitor tiver o trabalho de ler na \u00edntegra a entrevista reproduzida em Veja.com, ver\u00e1 que eu digo exatamente o contr\u00e1rio, a saber, que \u00e9 imposs\u00edvel de um ponto de vista antropol\u00f3gico (ou qualquer outro) determinar condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para algu\u00e9m (uma pessoa ou uma coletivdade) &#8220;ser \u00edndio&#8221;<\/strong>. A frase falsa de Veja p\u00f5e em minha boca precisamente uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, e, ademais, absurda. Em meu texto sustento, ao contr\u00e1rio e positivamente, que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel especificar diversas condi\u00e7\u00f5es suficientes para se assumir uma identidade ind\u00edgena. Talvez os respons\u00e1veis pela mat\u00e9ria n\u00e3o conhe\u00e7am a diferen\u00e7a entre condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e condi\u00e7\u00f5es suficientes. Que voltem aos bancos da escola.<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o &#8220;s\u00f3 \u00e9 \u00edndio quem nasce, cresce e vive em um ambiente cultural original&#8221; \u00e9, repito, grotesca. Nenhum antrop\u00f3logo que se respeite a pronunciaria. Primeiro, porque ela enuncia uma condi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel (o contr\u00e1rio de uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, portanto!) no mundo humano atual; imposs\u00edvel, na verdade, desde que o mundo \u00e9 mundo. N\u00e3o existem &#8220;ambientes culturais originais&#8221;; as culturas est\u00e3o constantemente em transforma\u00e7\u00e3o interna e em comunica\u00e7\u00e3o externa, e os dois processos s\u00e3o, via de regra, intimamente correlacionados. N\u00e3o existe instrumento cient\u00edfico capaz de detectar quando uma cultura deixa de ser &#8220;original&#8221;, nem quando um povo deixa de ser ind\u00edgena. (E quando ser\u00e1 que uma cultura come\u00e7a a ser original? E quando \u00e9 que um povo come\u00e7a a ser ind\u00edgena?). Ningu\u00e9m vive no ambiente cultural onde nasceu. Em segundo lugar, o &#8220;ambiente cultural original&#8221; dos \u00edndios, admitindo-se que tal entidade exista, foi destruido meticulosamente durante cinco s\u00e9culos, por epidemias, massacres, escraviza\u00e7\u00e3o, catequese e destrui\u00e7\u00e3o ambiental. A seguirmos essa linha de racioc\u00ednio, n\u00e3o haveria mais \u00edndios no Brasil. Talvez seja isso que Veja queria dizer. Em terceiro lugar, a revista parte do pressuposto inteiramente injustificado de que &#8220;ser \u00edndio&#8221; \u00e9 algo que remete ao passado; algo que s\u00f3 se pode ou continuar (a duras penas) a ser, ou deixar de ser. A id\u00e9ia de que uma coletividade possa voltar a ser \u00edndia \u00e9 propriamente impens\u00e1vel pelos autores da mat\u00e9ria e seus mentores intelectuais. Mas como eu lembro em minha entrevista original deturpada por Veja, os b\u00e1rbaros europeus da Idade M\u00e9dia voltaram a ser romanos e gregos ali pelo s\u00e9culo XIV &#8212; s\u00f3 que isso se chamou &#8220;Renascimento&#8221; e n\u00e3o &#8220;farra de antrop\u00f3logos oportunistas&#8221;. Como diz Marshall Sahlins, o antrop\u00f3logo de onde tirei a analogia, alguns povos t\u00eam toda a sorte do mundo.<\/p>\n<p>E o Brasil, ser\u00e1 que temos toda a sorte do mundo? Ser\u00e1 que o Brasil algum dia vai se tornar mesmo um grande Estados Unidos, como quer a Veja ? Ser\u00e1 que teremos de viver em um ambiente cultural que n\u00e3o \u00e9 aquele onde nascemos e crescemos? (Eu cresci durante a ditadura; Deus me livre desse ambiente cultural). Ser\u00e1 que vamos deixar de ser brasileiros? Ali\u00e1s, qual era mesmo nosso ambiente cultural original?<\/p>\n<p>Grato mais uma vez pela aten\u00e7\u00e3o,<\/p>\n<p>Eduardo Viveiros de Castro, antrop\u00f3logo &#8211; UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro]<span style=\"color: #ff0000\"><strong>\u00bb <\/strong><\/span><span style=\"color: #808080\">[Grifei]<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Devido a esta mat\u00e9ria: A farra da antropologia oportunista, publicada na revista Veja,\u00a0 o antrop\u00f3logo Eduardo Viveiros de Castro (do Museu Nacional da Universidade Federal&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[225,778,822,2376,2412],"class_list":["post-7502","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-etica","tag-antropologo","tag-distorcao","tag-eduardo-viveiros-de-castro","tag-ufrj","tag-veja"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7502","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7502\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}