{"id":7709,"date":"2010-05-14T16:20:51","date_gmt":"2010-05-14T19:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=7709"},"modified":"2010-05-14T16:20:51","modified_gmt":"2010-05-14T19:20:51","slug":"professora-afirma-que-veja-foi-indispensavel-ao-neoliberalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/05\/14\/professora-afirma-que-veja-foi-indispensavel-ao-neoliberalismo\/","title":{"rendered":"Professora afirma que Veja foi &#8220;indispens\u00e1vel&#8221; ao neoliberalismo"},"content":{"rendered":"<p>\u201cVeja: o indispens\u00e1vel partido neoliberal (1989-2002)\u201d \u00e9 t\u00edtulo do livro lan\u00e7ado por Carla Luciana Silva, professora do curso de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual do Oeste do Paran\u00e1 (Unioeste).<\/p>\n<p>Ela fez a leitura das revistas no per\u00edodo indicado para chegar \u00e0 conclus\u00e3o do t\u00edtulo do livro editado pela Edunioeste, com 258 p\u00e1ginas. A revista Veja \u00e9 a principal publica\u00e7\u00e3o da editoria Abril.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese defendida pela professora \u00e9 que a revista atuou como agente partid\u00e1rio, colaborando com a constru\u00e7\u00e3o da hegemonia neoliberal no Brasil. Para Carla o trabalho foi feito em conson\u00e2ncia com outros ve\u00edculos privados, com destaque para a Veja \u2013 com seu quatro milh\u00f5es de leitores no per\u00edodo.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong>Entrevista com a autora<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>Sobre o t\u00edtulo do livro, porque \u201cindispens\u00e1vel\u201d?<br \/>\n\u00c9 uma brincadeira com o slogan da Veja ou reflete a import\u00e2ncia da revista para o avan\u00e7o do neoliberalismo no Brasil?<\/strong><br \/>\nO t\u00edtulo \u00e9 uma alus\u00e3o ao slogan da revista e ao mesmo tempo nos lembra que ela foi um sujeito pol\u00edtico importante na constru\u00e7\u00e3o do neoliberalismo. A grande imprensa brasileira foi indispens\u00e1vel para que o neoliberalismo tenha sido constru\u00eddo da forma que o foi. A Veja diz ser indispens\u00e1vel para o pa\u00eds que queremos ser. A pergunta \u00e9: quem est\u00e1 inclu\u00eddo nesse \u201cn\u00f3s\u201d oculto? A classe trabalhadora \u00e9 que n\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais os interesses defendidos por Veja?<\/strong><br \/>\nOs interesses s\u00e3o os dominantes como um todo, mais especificamente os da burguesia financeira e dos anunciantes multinacionais. Em que pese o discurso de defesa da liberdade de express\u00e3o articulado \u00e0 publicidade, o que importa pra revista s\u00e3o os interesses em torno da reprodu\u00e7\u00e3o capitalista. A revista busca se mostrar como independente, o que se daria atrav\u00e9s de sua verba publicit\u00e1ria. \u00c9 fato que a revista tem uma verba invej\u00e1vel, mas isso n\u00e3o a transforma no Quarto Poder, que vigiaria os demais de forma neutra. Ao mesmo tempo em que ela \u00e9 portadora de interesses sociais, faz parte da sociedade, a sua vigil\u00e2ncia \u00e9 totalmente delimitada pela conjuntura e correla\u00e7\u00e3o de for\u00e7as espec\u00edfica. O exemplo mais claro s\u00e3o as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e forma amb\u00edgua com que Veja tratou o governo Collor, o que discuto detidamente no livro.<\/p>\n<p><strong>E que rela\u00e7\u00e3o Veja estabelece com grupos estrangeiros?<\/strong><br \/>\nEssa \u00e9 outra pergunta que requer aten\u00e7\u00e3o e mais estudos. O Grupo Abril n\u00e3o \u00e9 um grupo \u201cnacional\u201d. Suas empresas t\u00eam participa\u00e7\u00e3o direta de capital e administra\u00e7\u00e3o estrangeira. Primeiro, \u00e9 importante ter claro que o Grupo Abril n\u00e3o se restringe a suas publica\u00e7\u00f5es. A editora se divide em v\u00e1rias empresas, sendo que a Abril \u00e9 majoritariamente propriedade do grupo Naspers, dono do Buscap\u00e9 [site de compara\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os] e de empresas espalhadas pelo mundo todo, da R\u00fassia \u00e0 Tail\u00e2ndia. Essa luta pela abertura de capital [no setor das comunica\u00e7\u00f5es] foi permanente ao longo dos anos 1990 e a Abril foi o primeiro grande conglomerado [de comunica\u00e7\u00e3o] brasileiro a abrir seu capital legalmente. \u00c9 bom lembrar que o grupo tem investido bastante tamb\u00e9m na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o, e por isso a privatiza\u00e7\u00e3o do ensino continua sendo uma meta a atingir.<\/p>\n<p><strong>Qual foi a import\u00e2ncia da revista para a corrente neoliberal desde Collor? D\u00e1 para mensurar?<\/strong><br \/>\nFoi muito importante, mas n\u00e3o d\u00e1 pra mensurar. \u00c9 importante que tenhamos claro que o neoliberalismo n\u00e3o \u00e9 uma cartilha, por mais que se baseie em documentos como o Consenso de Washington, por exemplo. Ele n\u00e3o foi \u201caplicado\u201d. Foi constru\u00eddo como projeto de hegemonia desde os anos 1980. A grande imprensa participou da efetiva\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de consenso fundamentais: as privatiza\u00e7\u00f5es, o ataque ao servi\u00e7o p\u00fablico, a suposta fal\u00eancia do Estado. \u00c9 importante olharmos hoje, p\u00f3s crise de 2008, para ver que muitos desses preceitos s\u00e3o defendidos como sa\u00edda da crise.<\/p>\n<p><strong>Existem diferen\u00e7as muito contundentes entre a Veja de 1989, a de 2002 e a de hoje?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 diferen\u00e7as claro. Havia, em 1989, um grau um pouco mais elevado de compromisso com not\u00edcias, com investiga\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas, o que parece ter se perdido totalmente ao longo dos anos. A revista se tornou uma difusora de propagandas, tanto de governos como de produtos (basta ver as capas sobre Viagra ou cirurgias pl\u00e1sticas). <span style=\"color: #888888\">[<strong>Informa\u00e7\u00f5es publicadas originalmente no <a href=\"http:\/\/www.direitoacomunicacao.org.br\/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=6573www.direitoacomunicacao.org.br\/content.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=6573\" target=\"_blank\">Observat\u00f3rio do Direito \u00e0 Comunica\u00e7\u00e3o<\/a>, onde a entrevista pode ser lida na \u00edntegra.]<\/strong><\/span><\/p>\n<p>O livro pode ser adquirido diretamente com a autora pelo email: carlalssilva@uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVeja: o indispens\u00e1vel partido neoliberal (1989-2002)\u201d \u00e9 t\u00edtulo do livro lan\u00e7ado por Carla Luciana Silva, professora do curso de Hist\u00f3ria da Universidade Estadual do Oeste&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26,39],"tags":[1407,1598,2412],"class_list":["post-7709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","category-revistas","tag-livro","tag-neoliberalismo","tag-veja"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7709"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7709\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}