{"id":84,"date":"2009-05-10T19:49:05","date_gmt":"2009-05-11T00:49:05","guid":{"rendered":"http:\/\/blog4.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=84"},"modified":"2009-05-10T19:49:05","modified_gmt":"2009-05-11T00:49:05","slug":"adriano-espinola-e-a-poesia-urbana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2009\/05\/10\/adriano-espinola-e-a-poesia-urbana\/","title":{"rendered":"Adriano Esp\u00ednola e a poesia urbana"},"content":{"rendered":"<p>O Vida &amp; Arte do <strong>O POVO<\/strong> publica hoje [10\/5\/2009] a entrevista <a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/opovo\/vidaearte\/876520.html\">VeO Vida &amp; Arte do O POVO<\/a> publica hoje [10\/5\/2009] a entrevista Versos Universais, com um dos grandes cearenses da poesia, Adriano Esp\u00ednola, hoje morando no Rio de Janeiro. Parece que o pr\u00f3prio poeta deixa de citar uma de suas obras primeiras &#8220;O lote clandestino&#8221; &#8211; que eu considero, junto com &#8220;T\u00e1xi&#8221;, o seu melhor livro &#8211; pois parece a obra seminal, aquela que vai sinalizar o rumo que o poeta dar\u00e1 \u00e0 sua vida de escritor. [Aviso que eu n\u00e3o sou cr\u00edtico, muito pelo contr\u00e1rio, sou um modesto e bissexto leitor de poesia.]\n&#8220;O lote&#8221; (1982), da editora \u00c1gua, foi impresso naqueles mime\u00f3grafos &#8220;eletr\u00f4nicos&#8221; em que se tinha de datilografar em uma matriz sem o uso da fita da m\u00e1quina de escrever [s\u00f3 os dinossauros v\u00e3o entender], portanto um livro artesanal.<br \/>\nNa capa uma lata aberta com o aviso: &#8220;P\u00d4! ESIA&#8221;; na contracapa, um Adriano com 30 anos em frente a uma placa de tr\u00e2nsito sinalizando o &#8220;Sentido proibido&#8221; e a exorta\u00e7\u00e3o: &#8220;Agora,\/vai para a rua,\/descolar a poesia\/verdadeira,\/aquela que se escreve a muques &amp; porradas&#8221;.<br \/>\nA poesia que abre o livro, Po\u00e9tika \u00e9 uma paulada nos bichos-grilo e nos poetrastos chegados ao &#8220;realismo socialista&#8221;. As tr\u00eas primeiras estrofes:<\/p>\n<p>;e da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o fui pras montanhas,<br \/>\nencher minhas m\u00e3o de calos,<br \/>\ntomar banho de cuia,<br \/>\nplantar milho e versos<br \/>\ncaipiras<br \/>\nao amanhecer;<\/p>\n<p>E da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o me mandei pro interior,<br \/>\npara amaldi\u00e7oar o latif\u00fandio,<br \/>\nfalar campon\u00eas<br \/>\n(com sotaque pequeno-burgu\u00eas)<br \/>\ne depois derramar meu \u00f3dio<br \/>\ne minha l\u00e1grima messi\u00e2nica<br \/>\na fim de me sentir mais poeta;<\/p>\n<p>E da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o zarpei numa jangada de timba\u00faba,<br \/>\npassei uma semana no mar,<br \/>\npipoquei minha pele ao sol<br \/>\ne n\u00e3o voltei triunfantecom um ca\u00e7u\u00e1 de versos na m\u00e3o?<\/p>\n<p>MAS O QUE EU VEJO \u00c9 A CIDADE!<\/p>\n[Neste livro, Adriano cita um cordel, que publicara em 1975, usando o pseud\u00f4nimo de Pedro Gaia: &#8220;A cidade&#8221;, pelas edi\u00e7\u00f5es Urubu, de Juazeiro do Norte.]\n<p><a>sos Universais<\/a>, com um dos grandes cearenses da poesia, Adriano Esp\u00ednola, hoje morando no Rio de Janeiro. Parece que o pr\u00f3prio poeta deixa de citar uma de suas obras primeiras &#8220;O lote clandestino&#8221; &#8211; que eu considero, junto com &#8220;T\u00e1xi&#8221;, o seu melhor livro &#8211; pois parece a obra seminal, aquela que vai sinalizar o rumo que o poeta dar\u00e1 \u00e0 sua vida de escritor. [Aviso que eu n\u00e3o sou cr\u00edtico, muito pelo contr\u00e1rio, sou um modesto e bissexto leitor de poesia.]\n&#8220;O lote&#8221; (1982), da editora \u00c1gua, foi impresso naqueles mime\u00f3grafos &#8220;eletr\u00f4nicos&#8221; em que se tinha de datilografar em uma matriz sem o uso da fita da m\u00e1quina de escrever [s\u00f3 os dinossauros v\u00e3o entender], portanto um livro artesanal.<br \/>\nNa capa uma lata aberta com o aviso: &#8220;P\u00d4! ESIA&#8221;; na contracapa, um Adriano com 30 anos em frente a uma placa de tr\u00e2nsito sinalizando o &#8220;Sentido proibido&#8221; e a exorta\u00e7\u00e3o: &#8220;Agora,\/vai para a rua,\/descolar a poesia\/verdadeira,\/aquela que se escreve a muques &amp; porradas&#8221;.<br \/>\nA poesia que abre o livro, <strong>Po\u00e9tika<\/strong> \u00e9 uma paulada nos bichos-grilo e nos poetrastos chegados ao &#8220;realismo socialista&#8221;. As tr\u00eas primeiras estrofes:<\/p>\n<p>;e da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o fui pras montanhas,<br \/>\nencher\u00a0minhas m\u00e3o de calos,<br \/>\ntomar banho de cuia,<br \/>\nplantar milho e versos<br \/>\ncaipiras<br \/>\nao amanhecer;<\/p>\n<p>E da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o me mandei pro interior,<br \/>\npara amaldi\u00e7oar o latif\u00fandio,<br \/>\nfalar campon\u00eas<br \/>\n(com sotaque pequeno-burgu\u00eas)<br \/>\ne depois derramar meu \u00f3dio<br \/>\ne minha l\u00e1grima messi\u00e2nica<br \/>\na fim de me sentir mais poeta;<\/p>\n<p>E da\u00ed,<br \/>\nse eu n\u00e3o zarpei numa jangada de timba\u00faba,<br \/>\npassei uma semana no mar,<br \/>\npipoquei minha pele ao sol<br \/>\ne n\u00e3o voltei triunfantecom um ca\u00e7u\u00e1 de versos na m\u00e3o?<\/p>\n<p>MAS O QUE EU VEJO \u00c9 A CIDADE!<\/p>\n[Neste livro, Adriano cita um cordel, que publicara em 1975, usando o pseud\u00f4nimo de Pedro Gaia: &#8220;A cidade&#8221;, pelas edi\u00e7\u00f5es Urubu, de Juazeiro do Norte.]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Vida &amp; Arte do O POVO publica hoje [10\/5\/2009] a entrevista VeO Vida &amp; Arte do O POVO publica hoje [10\/5\/2009] a entrevista Versos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":85,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[1412,1820],"class_list":["post-84","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-livros","tag-livros","tag-poesia"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/users\/85"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=84"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/84\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=84"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=84"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=84"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}