{"id":8750,"date":"2010-07-11T21:33:49","date_gmt":"2010-07-12T00:33:49","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=8750"},"modified":"2010-07-11T21:33:49","modified_gmt":"2010-07-12T00:33:49","slug":"as-novas-midias-e-o-velho-e-bom-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/07\/11\/as-novas-midias-e-o-velho-e-bom-jornalismo\/","title":{"rendered":"As novas m\u00eddias e o velho e bom jornalismo"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_8751\" style=\"width: 456px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-8751\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/as-novas-midias-e-o-velho-e-bom-jornalismo\/carlos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-8751\" class=\"size-full wp-image-8751\" title=\"Carlus - As novas m\u00eddias\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Carlos.jpg\" alt=\"\" width=\"446\" height=\"472\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Carlos.jpg 446w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Carlos-300x317.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Carlos-120x127.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 446px) 100vw, 446px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-8751\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Carlus<\/p><\/div>\n<p>O texto aspeado, abaixo, \u00e9 um trecho de meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje (11\/7\/2010) do <strong>O POVO<\/strong>, caderno Vida &amp; Arte.<\/p>\n<p>Foi escrito para reportagem do jornalista Pedro Rocha, no qual ele aborda a transforma\u00e7\u00e3o pela qual vem passando a m\u00eddia com o surgimento da internet.<\/p>\n<p>Veja a mat\u00e9ria de Pedro Rocha, <strong><a href=\"http:\/\/www.opovo.com.br\/app\/o-povo\/vida-e-arte\/2010\/07\/10\/internaimpressavidaearte,2018197\/o-amanha-e-hoje.shtml\" target=\"_blank\">O amanh\u00e3 \u00e9 hoje<\/a><\/strong>, onde h\u00e1 link para os demais textos, inclusive para uma entrevista com Eduardo Tessler, diretor para o Brasil da Inovation Media Consulting.<\/p>\n<p>Trecho de <strong>As novas m\u00eddias e o velho e bom jornalismo<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00ab<\/strong>A primeira, uma frase que deveria ser dita na aula inaugural de qualquer faculdade de jornalismo e, depois, repetida diariamente: a not\u00edcia \u00e9 um produto, mas n\u00e3o \u00e9 um produto qualquer. Fizemos muito bem em abandonar as m\u00e1quinas de escrever em favor do computador, mas n\u00e3o podemos abdicar de dar informa\u00e7\u00e3o relevante aos leitores, pois essa \u00e9 a ess\u00eancia do jornalismo e um dos esteios da democracia. Por esse crit\u00e9rio, jornalismo, muitas vezes, \u00e9 dizer aquilo que o p\u00fablico n\u00e3o quer ouvir.<strong>\u00bb<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"color: #888888\"><strong>Leia o artigo completo.<!--more--><br \/>\n<\/strong><\/span><\/p>\n<p><strong>As novas m\u00eddias e o velho e bom jornalismo<\/strong><br \/>\nPl\u00ednio Bortolotti<\/p>\n<p>Que o jornalismo passa por grandes mudan\u00e7as \u2013 desde o surgimento dos novos meios eletr\u00f4nicos de comunica\u00e7\u00e3o \u2013 ningu\u00e9m duvida. Uma revolu\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0quela impressa, literalmente, por Johannes Gutenberg quando criou, nos idos de 1450, os tipos m\u00f3veis de metal.<\/p>\n<p>A internet \u00e9 revolucion\u00e1ria: pela primeira vez na hist\u00f3ria da humanidade um \u00fanico meio re\u00fane texto, som, imagem e imagem em movimento. Ou seja, a internet \u00e9 jornal, \u00e9 r\u00e1dio, \u00e9 revista, \u00e9 cinema, \u00e9 televis\u00e3o. \u00c9 a jun\u00e7\u00e3o desses meios em um \u00fanico transmissor.<\/p>\n<p>E, principalmente, \u00e9 muito mais do que a simples soma desses fatores: a) o receptor\/audi\u00eancia deixa de ser passivo, tamb\u00e9m passa ser emissor \u2013 e o emissor\/meio de comunica\u00e7\u00e3o, que se tornou tamb\u00e9m receptor, \u00e9 obrigado a ouvir a audi\u00eancia: a comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o \u00fanica transformou-se em via de m\u00e3o dupla; b) a audi\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 mais submetida aos crit\u00e9rios do emissor: l\u00ea\/v\u00ea\/ouve aquilo que quer, na hora que quiser e no formato que escolher: no telefone, no papel, na internet, no e-reader (leitor digital, pouco maior e mais espesso do que uma prancheta), no podcast (arquivo de som digital para ser ouvido em telefone ou aparelho apropriado) e em outras novidades que dever\u00e3o surgir. O poder que a \u201cvelha\u201d m\u00eddia tinha sobre o receptor (a audi\u00eancia) reduziu-se de modo brutal.<\/p>\n<p>De mon\u00f3logo, a comunica\u00e7\u00e3o transforma- se em di\u00e1logo: um pouco \u00e1spero ainda, talvez pela falta de pr\u00e1tica das partes em conflito. Dos jornalistas, pois n\u00e3o estavam acostumados a ser contrariados: podiam engavetar as reclama\u00e7\u00f5es, ignorar as cr\u00edticas ou rasgar as cartas que eventualmente recebessem; dos leitores, talvez pela impaci\u00eancia de quem, por tanto tempo, foi obrigado a ler e ouvir tudo calado, batendo em portas que n\u00e3o se abriam. Mas chegar-se-\u00e1 ao equil\u00edbrio: no come\u00e7o, tudo \u00e9 explos\u00e3o, depois as coisas tendem a encontrar um leito por onde as pol\u00eamicas poder\u00e3o correr de modo mais respeitoso.<\/p>\n<p>Portanto, se a forma de transmitir not\u00edcia muda, se o leitor muda, obviamente a imprensa \u2013 aqui entendida como o conjunto dos meios noticiosos \u2013 tamb\u00e9m t\u00eam de mudar.<\/p>\n<p>Mas, devagar com o andor.<\/p>\n<p>A tecnologia n\u00e3o \u00e9 panaceia para todos os males. Ela n\u00e3o vai superar, por si s\u00f3, os problemas b\u00e1sicos do jornalismo, nem os que existem e nem aqueles acarretados pela internet. E, principalmente, n\u00e3o pode servir como desculpa para se desrespeitar os princ\u00edpios b\u00e1sicos da profiss\u00e3o: \u00e9tica, responsabilidade, compromisso com a verdade factual, contextualiza\u00e7\u00e3o, equil\u00edbrio, esp\u00edrito cr\u00edtico e independ\u00eancia. Ser\u00e3o sempre esses os fundamentos do jornalismo onde quer que ele se expresse.<\/p>\n<p>O que causa estranheza e inc\u00f4modo \u00e9 que muitos dos gurus da nova ordem em vez de dizerem: \u201cO papel ser\u00e1 superado por um suporte mais adequado, portanto pensemos alternativas quanto \u00e0 forma e conte\u00fado relevantes\u201d; parecem dizer: \u201cAbandonem as not\u00edcias, pois isso \u00e9 velharia\u201d.<\/p>\n<p>E gostam de dar exemplo mostrando como a carro\u00e7a foi superada pelos ve\u00edculos automotores. Apresentam como suced\u00e2neo dos jornais uma mistura de not\u00edcia e entretenimento, que alguns te\u00f3ricos chamam de \u201cinfotretenimento\u201d: not\u00edcias que n\u00e3o incomodam ningu\u00e9m (\u201cbeleza\u201d, \u201csa\u00fade\u201d, \u201cvariedades\u201d, etc.) com uma profus\u00e3o de imagens, infogr\u00e1ficos e hist\u00f3rias em quadrinhos para substituir o texto. N\u00e3o sou contra nada disso em medida adequada e em espa\u00e7os espec\u00edficos de um noticioso, seja no jornal, r\u00e1dio ou TV.<\/p>\n<p>Mas, alguns consultores se esquecem de, pelo menos, tr\u00eas coisas.<\/p>\n<p>1. A primeira, uma frase que deveria ser dita na aula inaugural de qualquer faculdade de jornalismo e, depois, repetida diariamente: a not\u00edcia \u00e9 um produto, mas n\u00e3o \u00e9 um produto qualquer. Fizemos muito bem em abandonar as m\u00e1quinas de escrever em favor do computador, mas n\u00e3o podemos abdicar de dar informa\u00e7\u00e3o relevante aos leitores, pois essa \u00e9 a ess\u00eancia do jornalismo e um dos esteios da democracia. Por esse crit\u00e9rio, jornalismo, muitas vezes, \u00e9 dizer aquilo que o p\u00fablico n\u00e3o quer ouvir.<\/p>\n<p>2. Cada meio tem sua linguagem caracter\u00edstica, apropriar-se da linguagem do outro \u00e9 perder a pr\u00f3pria identidade. Imagine como seria chato se a internet apenas reproduzisse o texto do jornal ou como seria confuso se um jornal ou revista quisessem copiar o modo da internet de se comunicar com o seu p\u00fablico. Pense em uma TV com um apresentador usando a mesma narrativa dos locutores de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>3. H\u00e1 consultores que falam de um \u201cnovo leitor\u201d, que supostamente busca ligeireza, superficialidade e fogos de artif\u00edcio, mas desconsideram o leitor do presente. O que fazer com o leitor atual, que se habituou a um jornal tradicional, do qual ele se sente \u00edntimo a cada vez que o folheia de manh\u00e3, tendo o conforto de encontrar o que procura, de forma ordenada e hierarquizada? Ou estou muito enganado, ou \u00e9 esse leitor \u201cconservador\u201d que mant\u00e9m e ainda manter\u00e1 os jornais por um bom tempo.<\/p>\n<p>A meu ver, inexiste oposi\u00e7\u00e3o entre a \u201cnova\u201d e a \u201cvelha m\u00eddia\u201d. Mais adequado \u00e9 falar em complementaridade. As mudan\u00e7as necess\u00e1rias nos jornais devem ser feitas sem solavancos, de modo que se mire o leitor fugidio sem se esquecer daquele que, por d\u00e9cadas, delegou ao jornal de sua prefer\u00eancia a tarefa de entregar-lhe not\u00edcias confi\u00e1veis e relevantes.<\/p>\n<p>PL\u00cdNIO BORTOLOTTI \u00e9 jornalista e Diretor Institucional do Grupo de Comunica\u00e7\u00e3o O POVO.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto aspeado, abaixo, \u00e9 um trecho de meu artigo publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje (11\/7\/2010) do O POVO, caderno Vida &amp; Arte. 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