{"id":8768,"date":"2010-07-13T19:51:30","date_gmt":"2010-07-13T22:51:30","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=8768"},"modified":"2010-07-13T19:51:30","modified_gmt":"2010-07-13T22:51:30","slug":"a-era-da-internet-gratuita-chegou-ao-fim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/07\/13\/a-era-da-internet-gratuita-chegou-ao-fim\/","title":{"rendered":"A era da internet gratuita chegou ao fim?"},"content":{"rendered":"<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 11\/7\/2010 o jornal <a href=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100711\/not_imp579556,0.php\" target=\"_blank\"><strong>O Estado de S. Paulo<\/strong><\/a> publicou interessante mat\u00e9ria mostrando que cada vez mais empresas &#8211; incluindo as noticiosas &#8211; v\u00eam cobrando pelo conte\u00fado na internet.<\/p>\n<p>Nos debates sobre o assunto, eu sempre tenho defendido que os jornais devem cobrar pelo cont\u00e9udo, disponibilizando apenas uma parte gratuitamente.<\/p>\n<p>A mat\u00e9ria \u00e9 um pouco longa, mas vale a pena a leitura para quem se interessam pelo assunto.<\/p>\n<p>O texto \u00e9 assinado pelo editor de Suplementos Semanais do jornal, Gregory M. Lamb e tem como t\u00edtulo.<\/p>\n<p><strong>O fim da era da internet gratuita<\/strong><br \/>\nGregory M. Lamb &#8211; O Estado de S.Paulo (11\/7\/2010)<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #888888\">[Grifei]<\/span><\/strong><\/p>\n<p>&#8220;A informa\u00e7\u00e3o quer ser gratuita&#8221; \u00e9 o refr\u00e3o da internet h\u00e1 muito tempo. Quando um v\u00eddeo, uma m\u00fasica ou um artigo est\u00e3o na rede, s\u00e3o mais dif\u00edceis de ser controlados do que uma sala cheia de gente curiosa.<\/p>\n<p>Oferecer conte\u00fado gratuito para come\u00e7ar \u00e9 um elemento b\u00e1sico para uma empresa. Mas <strong>como estrat\u00e9gia a longo prazo, &#8220;gratuito&#8221; n\u00e3o faz muito sentido:<\/strong> como criadores de conte\u00fado poder\u00e3o continuar produzindo se n\u00e3o forem pagos? A publicidade \u00e9 uma das maneiras de pagar as contas. Mas as companhias da internet ainda lutam para entender e avaliar o impacto dos an\u00fancios online. Ao mesmo tempo, muitos anunciantes continuam c\u00e9ticos e questionam at\u00e9 que ponto poder\u00e3o depender dele.<\/p>\n<p>Tanto o setor de comunica\u00e7\u00e3o quanto o de entretenimento voltaram a experimentar planos de pagamento para conte\u00fado online. Algum dia, <strong>2010 poder\u00e1 ser lembrado como o ano em que as companhias acabaram com a ideia da internet &#8220;gratuita&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, o Google tenta aplicar o YouTube Rental. O novo servi\u00e7o permite que as companhias cobrem dos usu\u00e1rios para assistir a determinados v\u00eddeos, como programas de TV ou filmes. Os geradores de conte\u00fado tamb\u00e9m poder\u00e3o tentar diferentes planos de pagamento para testar de que modo afetam as vendas.<\/p>\n<p>O jornal brit\u00e2nico The Times, de propriedade da Rupert Murdoch&#8217;s News Corp, pretende estabelecer um pre\u00e7o que seria pago para a leitura de artigos &#8211; cerca de US$ 3 por semana, ou US$ 1,50 por dia. Para desestimular os que carregam o material gratuitamente, motores de busca como o Google ser\u00e3o impedidos de acessar o conte\u00fado.<\/p>\n<p>O New York Times anunciou que planeja proteger a maior parte de seu conte\u00fado por um sistema de pagamento at\u00e9 certo ponto f\u00e1cil de evitar. O jornal solicitar\u00e1 o pagamento depois que um leitor voltar ao site certo n\u00famero de vezes por m\u00eas. Para atrair novos leitores, o jornal diz que os visitantes que chegam por interm\u00e9dio de um motor de buscas ou de outro recurso sempre obter\u00e3o acesso livre.<\/p>\n<p>A revista The New Yorker pretende cobrar um pagamento \u00fanico no fim do ano, segundo a revista Advertising Age. Mediante o pagamento de uma tarifa, os assinantes poder\u00e3o ler a revista em todas suas formas &#8211; impressa, no iPad da Apple, no Amazon Kindle, e possivelmente em outros aparelhos de leitura eletr\u00f4nicos &#8211; por um pre\u00e7o \u00fanico, em lugar de ter de comprar o acesso a cada texto separadamente.<\/p>\n<p>A Wired Magazine cobra US$ 4,99, o mesmo do pre\u00e7o da banca, para a leitura de uma edi\u00e7\u00e3o no tablet do iPad. A vers\u00e3o inclui recursos interativos n\u00e3o dispon\u00edveis na edi\u00e7\u00e3o impressa.<\/p>\n<p>Parte dessa mudan\u00e7a tem a ver como trecho h\u00e1 muito esquecido da famosa cita\u00e7\u00e3o &#8220;a informa\u00e7\u00e3o quer ser gratuita&#8221;. &#8220;A informa\u00e7\u00e3o quer ser cara, por ser valiosa&#8221;, disse o escritor Stewart Brand na Confer\u00eancia dos Hackers, em 1984. <strong>&#8220;A informa\u00e7\u00e3o certa no lugar certo pode mudar sua vida. Por outro lado, a informa\u00e7\u00e3o quer ser gratuita, porque seu custo est\u00e1 baixando cada vez mais. Por isso elas brigam entre si&#8221;.<\/strong><\/p>\n<p>De certo modo, somente a segunda parte pegou.<\/p>\n<p><strong>&#8220;A distribui\u00e7\u00e3o gratuita de conte\u00fado de qualidade para uma empresa equivale a jogar valor fora at\u00e9 falir&#8221;<\/strong>, diz um recente relat\u00f3rio da Group M, ag\u00eancia de compra de ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o da WPP, a gigante internacional da m\u00eddia e da publicidade. O relat\u00f3rio define as pessoas que usam os motores de busca para encontrar not\u00edcias ou informa\u00e7\u00f5es de &#8220;turistas in\u00fateis&#8221; que n\u00e3o pagam e n\u00e3o t\u00eam valor, mesmo para os anunciantes.<!--more--><\/p>\n<p>Outros n\u00e3o t\u00eam tanta certeza de que a internet tenha chegado ao ponto em que pode cobrar. &#8220;Vou fazer uma previs\u00e3o&#8221;, disse Arianna Huffington, criadora do famoso blog Huffington Post, em um recente painel que discutia o futuro do notici\u00e1rio online. <strong>&#8220;Os sistemas de pagamento n\u00e3o funcionar\u00e3o.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Em termos hist\u00f3ricos, os consumidores n\u00e3o se mostram dispostos a pagar pelo acesso eletr\u00f4nico \u00e0s not\u00edcias&#8221;, escreveu Dave Morgan, empres\u00e1rio e especialista em publicidade online, em uma entrevista por e-mail. &#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil montar empresas com assinatura pagas para a leitura do notici\u00e1rio eletr\u00f4nico. <strong>N\u00e3o h\u00e1 muitos exemplos de sucesso entre as empresas por assinatura voltadas para quem procura notici\u00e1rio digital.&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>O Wall Street Journal hoje cobra por grande parte do seu conte\u00fado de not\u00edcias, embora este possa ser acessado indiretamente por meio de um motor de busca ou por outros sites. Mas <strong>o Wall Street Journal \u00e9 considerado uma exce\u00e7\u00e3o \u00e0 regra, porque as assinaturas muitas vezes s\u00e3o pagas pelos empregadores, e n\u00e3o pelos indiv\u00edduos.<\/strong><\/p>\n<p>O New York Times abandonou uma primeira tentativa de cobrar parte de seu conte\u00fado, supostamente por ter constatado que a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de leitores tamb\u00e9m reduz o atrativo para os anunciantes.<\/p>\n<p><strong>Uma diferen\u00e7a hoje talvez seja a explos\u00e3o de telefones celulares, como os smartphones e os tablets. Com os celulares, &#8220;os clientes foram treinados a pagar por tudo<\/strong>, das mensagens de texto ao correio de voz e os minutos (do tempo de chamada)&#8221;, diz Darren Tsui, CEO da mSpot, provedora de m\u00fasica para aparelhos m\u00f3veis da Calif\u00f3rnia. &#8220;Pagar pelo conte\u00fado realmente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o estranho para eles, em compara\u00e7\u00e3o com os usu\u00e1rios da internet, que est\u00e3o acostumados a ter tudo de gra\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Para Tsui, o iTunes da Apple constitui o modelo para a cria\u00e7\u00e3o de conte\u00fado pago: <strong>oferecer um servi\u00e7o importante gratuito e melhor\u00e1-lo progressivamente com recursos pagos.<\/strong> O iTunes come\u00e7ou como uma maneira de as pessoas organizarem suas pr\u00f3prias m\u00fasicas. Mais tarde tornou-se uma maneira de comprarem as pr\u00f3prias m\u00fasicas.<\/p>\n<p><strong>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil conseguir que algu\u00e9m que at\u00e9 agora n\u00e3o pagou por nada comece, de repente, a pagar US$ 10 por m\u00eas &#8220;<\/strong>, diz Tsui. &#8220;Se pudermos fazer esta transi\u00e7\u00e3o bem devagar e de maneira met\u00f3dica, acho que teremos mais chances de converter os usu\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n<p>Os leitores nunca pagaram totalmente por seus jornais, ressalta o analista James McQuivery. A maior parte do custo e da publica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es sempre foi coberta pela publicidade. O mesmo se aplica \u00e0 programa\u00e7\u00e3o das antigas TVs e r\u00e1dios.<\/p>\n<p>Para McQuivery, os consumidores est\u00e3o acostumados a pagar pelo &#8220;acesso&#8221; ao conte\u00fado por meio da TV a cabo, dos planos de internet e das contas do telefone m\u00f3vel, em vez de pagar pelo conte\u00fado em si. A receita que vai para os criadores de conte\u00fado \u00e9 menor. A parte maior vai para as distribuidoras.<\/p>\n<p>Pam Horan, presidente da Associa\u00e7\u00e3o das Editoras Online, \u00e9 mais otimista quanto ao pagamento pelo conte\u00fado digital.<\/p>\n<p>O fato de os propriet\u00e1rios de smartphones e de iPad pagarem por aplicativos, como jogos ou material de leitura, \u00e9 o primeiro indicador de que os americanos pagar\u00e3o pelo conte\u00fado que venha com um pacote atraente, diz Pam.<\/p>\n<p><strong>&#8220;O segredo \u00e9 n\u00e3o oferecer apenas conte\u00fado interessante, tamb\u00e9m novas experi\u00eancias&#8221;<\/strong>, diz Horan em um e-mail. &#8220;O iPad tem tudo isto &#8211; o impacto visual do papel, melhorado pelos elementos interativos como v\u00eddeo e as ferramentas de integra\u00e7\u00e3o com as m\u00eddias sociais.&#8221;<\/p>\n<p>TRADU\u00c7\u00c3O DE ANNA CAPOVILLA<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na edi\u00e7\u00e3o de 11\/7\/2010 o jornal O Estado de S. 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