{"id":8941,"date":"2010-07-25T00:01:41","date_gmt":"2010-07-25T03:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/?p=8941"},"modified":"2010-07-25T00:01:41","modified_gmt":"2010-07-25T03:01:41","slug":"sutil-perversidadade-de-veronica-stigger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/2010\/07\/25\/sutil-perversidadade-de-veronica-stigger\/","title":{"rendered":"Sutil perversidadade de Veronica Stigger"},"content":{"rendered":"<p><a rel=\"attachment wp-att-8980\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/sutil-perversidadade-de-veronica-stigger\/veronica-2\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-8980\" title=\"Veronica\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Veronica1.jpg\" alt=\"\" width=\"240\" height=\"275\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Veronica1.jpg 240w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/pliniobortolotti\/wp-content\/uploads\/sites\/39\/2010\/07\/Veronica1-120x138.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Na pr\u00f3xima quinta-feira (29\/7\/2010) estar\u00e1 em Fortaleza a <strong>escritora ga\u00facha <\/strong>Veronica Stigger. Ele vai lan\u00e7ar seu mais recente livro &#8220;Os An\u00f5es&#8221;, em uma atividade promovida pelo <strong>O POVO<\/strong> e a Livraria Cultura, onde ela vai autografar o livro, a partir das 18h.<\/p>\n<p>Segue apresenta\u00e7\u00e3o da escritora e entrevista com ela, preparadas, a meu pedido, pela editora das Edi\u00e7\u00f5es Dem\u00f3crio Rocha Regina Ribeiro.<\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><strong>Sutil perversidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Regina Ribeiro<\/p>\n<p>O POVO e a Livraria Cultura convidam a escritora Veronica Stigger para bate-papo e lan\u00e7amento do seu novo livro &#8220;Os An\u00f5es&#8221;, dia 29 (quinta-feira), \u00e0s 18 horas, na Livraria Cultura<\/p>\n<p>Os personagens criados por Veronica Stigger trazem em si um qu\u00ea de perverso, surgem em espa\u00e7os comuns e inusitados, comandam corpos mutilados, comprimem-se em orif\u00edcios, disputam desesperos. A linguagem pincela cen\u00e1rios m\u00faltiplos de uma literatura que n\u00e3o tem pouso certo e que extrai da diversidade os in\u00fameros jeitos de contar uma hist\u00f3ria.<\/p>\n<p><strong>Livro negro<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Os An\u00f5es&#8221; (Cosac Naify), terceiro livro de Veronica, que ser\u00e1 lan\u00e7ado em Fortaleza, na Livraria Cultural, dia 29, vem negro, 60 p\u00e1ginas em papel cartonado. Lembra um pequeno livro feito para crian\u00e7as. Pura impress\u00e3o. A autora mant\u00e9m vivo o retrato da viol\u00eancia banal que permeia as rela\u00e7\u00f5es, marca das metr\u00f3poles, e que interliga seus livros &#8220;O tr\u00e1gico e outras com\u00e9dias&#8221; (7 Letras) e &#8220;Gran cabaret demenzial&#8221; (Cosac Naify) e o rec\u00e9m publicado &#8220;Os An\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Linchamento na padaria<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Assim, um casal de an\u00f5es \u00e9 linchado no interior de uma padaria. Os restos de carne esmagada a chutes e pontap\u00e9s e a subst\u00e2ncia aquosa que escorre do cr\u00e2nio dos an\u00f5es viram simples lixo que precisam ser recolhidos rapidamente. Um niilismo latente encontra brechas na falsa simplicidade do cotidiano e na sua comunica\u00e7\u00e3o fragmentada. Suic\u00eddios em massa viram espet\u00e1culo. Como numa pintura, Veronica monta pequeninos quadros tirados de an\u00fancios de jornal, da publicidade, dos documentos oficiais, das not\u00edcias-clich\u00eas. A linguagem trafega livre assumindo a forma que melhor conv\u00e9m \u00e0s ideias. O resultado \u00e9 uma clivagem liter\u00e1ria que surpreende (e assombra) o leitor.<\/p>\n<p><strong>Aut\u00f3grafos<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>Em Fortaleza, a escritora que tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtica de arte, fala sobre sua produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria em bate-bate e autografa o livro. A seguir o in\u00edcio da conversa:<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong>Regina Ribeiro &#8211;<\/strong><\/span> A sua literatura faz uma conex\u00e3o com v\u00e1rias linguagens: poesia, teatro, roteiro de cinema.  Como voc\u00ea escolhe a linguagem para cada narrativa?<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff9900\"><strong>Veronica Stigger &#8211;<\/strong><\/span> O g\u00eanero ou a forma com que irei trabalhar numa dada narrativa ou poema, pe\u00e7a teatral, roteiro cinematogr\u00e1fico, depoimento, an\u00fancio classificado etc. n\u00e3o \u00e9 escolhido <em>a priori<\/em>, mas determinado pela hist\u00f3ria que quero contar. Trocando em mi\u00fados: primeiro tenho uma ideia, depois penso qual ser\u00e1 a melhor forma de realizar essa ideia; em outras palavras, qual a melhor forma de contar uma determinada hist\u00f3ria: ser\u00e1 um narrador em primeira pessoa ou em terceira pessoa? a partir de que ponto de vista ser\u00e1 montada a narrativa? quem ser\u00e3o os personagens? como ser\u00e3o os personagens? e assim por diante. E no decorrer deste processo o qual, para mim, \u00e9 o mais demorado \u00e9 que chego \u00e0  forma que acredito melhor se encaixar \u00e0quela ideia.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong>Regina Ribeiro &#8211;<\/strong><\/span> O que \u00e9 literatura para voc\u00ea?<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff9900\"><strong>Veronica Stigger &#8211;<\/strong><\/span> Borges, Kafka, Bola\u00f1o.<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080\"><strong>Regina Ribeiro &#8211;<\/strong><\/span> Voc\u00ea notou alguma semelhan\u00e7a entre o seu conto &#8220;Os An\u00f5es&#8221; e a hist\u00f3ria macabra de Eliza Samudio?<\/p>\n<p><span style=\"color: #ff9900\"><strong>Veronica Stigger &#8211;<\/strong><\/span> O que aproxima o conto e a hist\u00f3ria da Eliza Samudio \u00e9 uma viol\u00eancia desmedida e desnecess\u00e1ria. Mas, se fosse aproximar o conto &#8220;Os an\u00f5es&#8221; de um fato recente do notici\u00e1rio, eu o aproximaria do epis\u00f3dio da Geisy Arruda na Uniban. Em ambos, temos como estopim da viol\u00eancia desmedida e desnecess\u00e1ria, um esp\u00edrito de linchamento, n\u00e3o esque\u00e7amos que o linchamento \u00e9 uma triste tradi\u00e7\u00e3o brasileira. Em ambos, esse esp\u00ed\u00adrito de linchamento est\u00e1, de certo modo, associado a um princ\u00ed\u00adpio fascista: aquele que \u00e9 diferente dos demais, justamente por ser diferente, acaba massacrado. Os estudantes da universidade se acharam no direito de perseguir e ofender a menina s\u00f3 porque ela vestia uma roupa colorida e curta, assim como a narradora e os demais personagens do conto Os An\u00f5es se sentiram autorizados a partir para cima do casal de an\u00f5es por serem estes bem estranhos. Mas, voltando ao caso da Eliza Samudio, eu diria que este tem mais a ver com o conto <em>Quand avez-vous le plus souffert?<\/em>, no qual uma m\u00e3e mata a pr\u00f3pria filha; no fundo de toda essa hist\u00f3ria, n\u00e3o s\u00f3 da Eliza mas tamb\u00e9m do Bruno e dos outros personagens envolvidos, parece haver um processo semelhante. Vivemos numa sociedade que mata suas crian\u00e7as, mesmo quando elas, por sorte ou teimosia, parecem sobreviver.<\/p>\n<p><span style=\"color: #c0c0c0\">[A foto, peguei na internet, espero que seja de &#8220;divulga\u00e7\u00e3o&#8221;.]<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na pr\u00f3xima quinta-feira (29\/7\/2010) estar\u00e1 em Fortaleza a escritora ga\u00facha Veronica Stigger. 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