{"id":3921,"date":"2020-12-08T15:56:21","date_gmt":"2020-12-08T18:56:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/?p=3921"},"modified":"2020-12-08T15:56:21","modified_gmt":"2020-12-08T18:56:21","slug":"povos-do-litoral-do-ceara-ensinam-receitas-tradicionais-em-webserie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/2020\/12\/08\/povos-do-litoral-do-ceara-ensinam-receitas-tradicionais-em-webserie\/","title":{"rendered":"Povos do litoral do Cear\u00e1 ensinam receitas tradicionais em webs\u00e9rie"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_3922\" style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-3922\" class=\"wp-image-3922 size-large\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui-740x472.jpg\" alt=\"Receitas tradicionais: na imagem, um coco verde est\u00e1 em cima de folhas de alface e rodeado por tomates.\" width=\"740\" height=\"472\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui-740x472.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui-300x191.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui-768x490.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui-120x77.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-content\/uploads\/sites\/76\/2020\/12\/Dicume-Buzios-Icapui.jpg 1200w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><p id=\"caption-attachment-3922\" class=\"wp-caption-text\">Entre as receitas tradicionais que ser\u00e3o mostradas na s\u00e9rie <em>Dicum\u00ea <\/em>est\u00e3o o B\u00fazio Icapu\u00ed, Moqueca de Siri, Pudim de Leite com Castanha de Caju, Moqueca de Banana Madura e Lasanha de Caju ao Leite de Coco (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Youtube)<\/p><\/div>\n<p style=\"font-weight: 400\">Comidas que representam a coragem de quem enfrenta o mar todos os dias para pescar.\u00a0 Receitas que h\u00e1 muitos anos fazem parte da vida das fam\u00edlias pescadoras, do cotidiano e das festas da comunidade, mas que tamb\u00e9m se renovam com a criatividade de quem prepara. Elas trazem tamb\u00e9m o reconhecimento ao trabalho das mulheres que, antes mesmo de o sol chegar, j\u00e1 est\u00e3o no mangue coletando alimentos para suas casas e para a venda.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Todo esse universo da cultura alimentar presente em comunidades do litoral do Cear\u00e1 poder\u00e1 ser descoberto nas receitas tradicionais da webs\u00e9rie <em>Dicum\u00ea<\/em>, criada pelo Sesc para marcar os dez anos do <strong>Encontro Sesc Povos do Mar<\/strong>. Dividida em doze epis\u00f3dios, a s\u00e9rie vai ao ar de <strong>7 a 11 de dezembro de 2020<\/strong> no canal do <a href=\"https:\/\/bit.ly\/2Yc78OI\" data-saferedirecturl=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=https:\/\/bit.ly\/2Yc78OI&amp;source=gmail&amp;ust=1607534098579000&amp;usg=AFQjCNHbAf2ApuzhdobyQ78IRq2pvGBq4w\">Sesc Cear\u00e1 no Youtube<\/a>, onde o material permanecer\u00e1 dispon\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Os protagonistas s\u00e3o moradores e moradoras das praias do Cear\u00e1, que ensinam os segredos dos pratos que fazem parte de suas vidas e transformaram-se em especialidades de suas cozinhas. Os convidados fazem parte da Rede <a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/2020\/12\/04\/exposicao-no-mar-transforma-orla-de-fortaleza-em-galeria-de-arte\/\">Sesc Povos do Mar<\/a>, encontro que anualmente reunia mais de 200 comunidades costeiras para o interc\u00e2mbio sociocultural que inclui as pr\u00e1ticas alimentares do eixo <em>Saberes, Sabores e Sa\u00fade<\/em>. Os participantes do projeto cozinham ao lado de integrantes do <strong>Observat\u00f3rio Cearense da Cultura Alimentar (OCCA)<\/strong> que analisam os ingredientes, temperos e preparos e dialogam sobre mem\u00f3rias e hist\u00f3rias de vida.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Entram no menu o preparo do peixe ca\u00e7\u00e3o, tal como \u00e9 feito na comunidade C\u00f3rrego do Sal, em Icapu\u00ed; dessa cidade tamb\u00e9m \u00e9 a receita de <strong>B\u00fazio Icapu\u00ed<\/strong> e a <strong>panqueca com algas ao molho de maracuj\u00e1<\/strong>. De Aracati, os pratos ensinados s\u00e3o a <strong>moqueca de siri<\/strong> e o <strong>arroz de camar\u00e3o<\/strong>. De Cascavel, a <strong>sardinha<\/strong> e a <strong>moqueca de arraia<\/strong>. De Beberibe, o <strong>refogadinho do peixe Ubarana<\/strong>. De Acara\u00fa, o <strong>ensopado de sururu<\/strong>. De Fortim, a <strong>mariscada<\/strong>. Entre as receitas inovadoras est\u00e3o o <strong>pudim de leite com castanha de caju<\/strong>, de Camocim, a <strong>moqueca de Bbanana madura<\/strong> (do Quilombo da Serra da Rajada, em Caucaia) e a<strong> lasanha de caju ao leite de coc<\/strong>o (Amontada).<\/p>\n<h2 style=\"font-weight: 400\"><strong>Riqueza cultural<\/strong><\/h2>\n<p style=\"font-weight: 400\">Roberto Ara\u00fajo \u00e9 historiador, gastr\u00f4nomo, membro do Observat\u00f3rio Cearense da Cultura Alimentar (OCCA), professor dos cursos de Gastronomia e Hotelaria\u00a0 do IFCE e cozinheiro formado pelo Senac. Ele participou da webs\u00e9rie <em>Dicum\u00ea<\/em> e percebe que ainda h\u00e1 muitos elementos desconhecidos da cultura alimentar das praias cearenses, que poder\u00e3o ser vistos nos v\u00eddeos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cEsse tipo de revela\u00e7\u00e3o \u00e9 muito significativa, porque nos mostra a amplitude de op\u00e7\u00f5es que essa culin\u00e1ria nos traz. Vamos conhecendo ingredientes, cotidianos e viv\u00eancias. A cultura alimentar d\u00e1 conta da amplitude de pr\u00e1ticas, saberes, costumes, tradi\u00e7\u00f5es, pertencimento e identidade, territorialidade, conviv\u00eancia, sociabilidade, esse projeto nos traz tudo isso. Esses elementos est\u00e3o contidos em cada receita e s\u00e3o extremamente importantes de serem conhecidos e valorizados. Essa \u00e9 a grande import\u00e2ncia desse projeto\u201d, analisa o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Na receita da mariscada, ele identifica elementos essenciais como os pescados, os temperos que fam\u00edlias sempre cultivaram nos quintais e o tipo de preparo de fogo \u00fanico, em que todas as etapas s\u00e3o feitas na mesma panela. Essas caracter\u00edsticas revelam, ao mesmo tempo, a condi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica dos pescadores e a riqueza de sabores que eles constroem dentro de suas possibilidades.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">\u201cPara muitas pessoas, a comida das camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma comida muito simples, o que \u00e9 um grande erro. Essa prepara\u00e7\u00e3o nos mostra uma profunda riqueza do ponto de vista dos seus componentes, de sabor, aroma e diversas texturas encontradas nessa prepara\u00e7\u00e3o. Essa cultura praiana \u00e9 profundamente rica, diversa e extremamente criativa\u201d, analisa o pesquisador,<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Marileide Monteiro veio da Praia de Pontal do Macei\u00f3, em Fortim, para ensinar a mariscada que a pescadora Lal\u00e1 desenvolveu e ela aperfei\u00e7oou. A receita, que leva cinco tipos de frutos do mar, representa o of\u00edcio de <strong>mais de 300 marisqueiras<\/strong> da sua comunidade. Coletar b\u00fazio, sururu, ostra e siri para vender \u00e9 o que gera renda para as fam\u00edlias, mas tamb\u00e9m s\u00e3o alimentos presentes nas refei\u00e7\u00f5es em suas casas. Essa a\u00e7\u00e3o representa tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria de mulheres marisqueiras, que ainda buscam reconhecimento e direitos.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">O primeiro passo da mariscada, conta ela, come\u00e7a por volta de cinco da manh\u00e3, no mangue, catando os ingredientes. \u201c\u00c9 um processo longo! Primeiro a gente coleta, depois chega em casa e limpa, vai fazer o primeiro cozimento, s\u00e3o cinco etapas at\u00e9 o prato ficar pronto. Se come\u00e7ar \u00e0s cinco da manh\u00e3, passa o dia todo para de noite voc\u00ea comer\u201d, detalha Marileide.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">A mariscada \u00e9 servida nos festivais da comunidade, como o <em>Pontal do Macei\u00f3<\/em>, realizado todos os anos em novembro, e quando Marileide prepara com satisfa\u00e7\u00e3o a receita para os turistas. \u201cEssa receita significa valoriza\u00e7\u00e3o e reconhecimento pelo esfor\u00e7o. \u00c9 bom quando voc\u00ea faz uma coisa que as pessoas gostam\u201d, diz Marileide.<\/p>\n<p style=\"font-weight: 400\">Para ver a programa\u00e7\u00e3o completa da webs\u00e9rie Dicum\u00ea e do Encontro Sesc Povos do Mar, acesse o <a href=\"https:\/\/bit.ly\/36wz9Fn\">site do evento<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Comidas que representam a coragem de quem enfrenta o mar todos os dias para pescar.\u00a0 Receitas que h\u00e1 muitos anos fazem parte da vida das&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":176,"featured_media":3922,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[92,160,1935],"class_list":["post-3921","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sesc","tag-cultura","tag-gastronomia","tag-litoral-cearense"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3921","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/users\/176"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3921"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3921\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3923,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3921\/revisions\/3923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3922"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/radardocomercio\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}