{"id":103,"date":"2009-07-14T07:55:15","date_gmt":"2009-07-14T12:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=103"},"modified":"2009-07-14T07:55:15","modified_gmt":"2009-07-14T12:55:15","slug":"103","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/07\/14\/103\/","title":{"rendered":"O indispens\u00e1vel retorno ao sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000080\"><em>Se queremos saber quem somos e entrar em contato com a natureza real, silenciosa e profunda de nossa vida, temos de ser como realmente somos. De que modo? Atrav\u00e9s do <\/em>zazen<em>: sentando-nos em medita\u00e7\u00e3o. (&#8230;) A simplicidade s\u00f3 se manifesta quando nossa vida, nossas circunst\u00e2ncias, s\u00e3o bastante n\u00edtidas. Quando nossa vida \u00e9 n\u00edtida, ela se torna uma grande oportunidade para manifestarmos simplicidade ou tranquilidade. \u00c9 muito dif\u00edcil manifestar simplicidade e tranquilidade vivendo em nosso mundo complicado. Vivendo num mundo assim, como podemos manifestar ou compreender a simplcidade? Para n\u00f3s, essa \u00e9 uma quest\u00e3o dif\u00edcil, mas temos de faz\u00ea-lo porque se trata de nossa natureza original. Assim, a cada dia, tentamos praticar. A fim de nos submetermos na vida \u00e0 tranquilidade ou \u00e0 simplicidade, fazemos zazen. Simplicidade \u00e9 zazen. <\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Dainin Katagiri<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">[Retornando ao sil\u00eancio: A pr\u00e1tica Zen na vida di\u00e1ria. Trad. Rubens Rusche. &#8211; S\u00e3o Paulo: C\u00edrculo do Livro, 1991, p. 21 e 64.]<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Suponhamos que resolv\u00eassemos fazer a seguinte experi\u00eancia: escolher\u00edamos de forma mais ou menos aleat\u00f3ria dez pessoas do nosso c\u00edrculo de amizade e propor\u00edamos a cada uma permanecer durante sete minutos sentada em sil\u00eancio sem nada fazer e, igualmente, sem em nada pensar. Asseguro-lhes que, no m\u00ednimo, cinquenta por cento n\u00e3o conseguiriam. E quando arrisco cinquenta por cento estou sendo otimista, pois, muito provavelmente, o percentual dos que se mostrariam incapazes do feito seria bem maior. Mas, afirmo sem medo de errar, essa pr\u00e1tica aparentemente t\u00e3o simples \u00e9 suficiente para operar milagres na vida de qualquer pessoa que resolva lev\u00e1-la a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Para a maioria das pessoas, \u00e9 quase imoss\u00edvel ficar a s\u00f3s em sil\u00eancio, sem fazer nada, durante alguns minutos. Tudo neste mundo atribulado do s\u00e9culo XXI nos impele a fazer. Temos sempre que estar fazendo ou pensando em algo.\u00a0Na maioria das vezes, somos\u00a0for\u00e7ados mesmo a ir para. Ir para onde? N\u00e3o importa, temos que ir para. Ou seja, seguir, de prefer\u00eancia correndo. Todos seguem para. Mas se indagarmos: &#8220;Aonde voc\u00ea pretende chegar?&#8221;, a maioria n\u00e3o ter\u00e1 uma resposta convincente ou satisfat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Precisamos, todos n\u00f3s, de um m\u00ednimo de sil\u00eancio e quietude.\u00a0Para a\u00a0maioria de n\u00f3s, por\u00e9m, \u00e9 quase imposs\u00edvel\u00a0praticar tanto uma coisa quanto a outra.\u00a0 \u00a0Por isso quero lembrar aqui um Mestre muito querido, com o qual tenho aprendido um pouco da arte de silenciar. O seu nome \u00e9 Dainin Katagiri (1928-1990). Ele nasceu em Osaka, no Jap\u00e3o, passando a residir nos Estados Unidos em 1963, onde se dedicou ao ensino da medita\u00e7\u00e3o Zen-budista.<\/p>\n<p>Dainin Katagiri recomenda uma pr\u00e1tica simples, conhecida no Zen pelo nome de <em>Zazen<\/em>:\u00a0 sentar em sil\u00eancio, de pernas cruzadas, durante alguns minutos. Enquanto se permanece sentado, deve-se procurar n\u00e3o pensar em nada. Pode parecer imposs\u00edvel para muitas pessoas n\u00e3o pensar em nada. H\u00e1, no entanto, um mecanismo simples e eficaz para consegui-lo: basta n\u00e3o reter os pensamentos, ou seja, n\u00e3o se fixar \u00e0s imagens que v\u00e3o surgindo na mente. Quando as imagens surgirem, deixe-as passar, como se sua mente fosse uma tela de cinema, em que as imagens passam sem que voc\u00ea as retenha. \u00a0<\/p>\n<p>Somos, simultaneamente, quietude e movimento. A vida n\u00e3o pode parar enquanto estamos vivos. Mas, imersos no dinamismo inerente \u00e0 vida, podemos cultivar o repouso, e um dos caminhos para consegui-lo \u00e9 permanecer\u00a0em sil\u00eancio durante alguns minutos do dia.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea observa uma cachoeira a dist\u00e2ncia&#8221;, diz Dainin Katagiri, &#8220;ela aparenta estar em repouso, mas se voc\u00ea a observa mais de perto, ela est\u00e1 em constante movimento. A natureza original da consci\u00eancia humana assemelha-se a uma cachoeira serena e tranquila mas, ao mesmo tempo, din\u00e2mica&#8221; (p. 29).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se queremos saber quem somos e entrar em contato com a natureza real, silenciosa e profunda de nossa vida, temos de ser como realmente somos&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[17],"tags":[],"class_list":["post-103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-44-o-que-aprendi-com-os-mestres"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}