{"id":1187,"date":"2009-12-03T06:21:46","date_gmt":"2009-12-03T09:21:46","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=1187"},"modified":"2009-12-03T06:21:46","modified_gmt":"2009-12-03T09:21:46","slug":"a-experiencia-de-damasco-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/12\/03\/a-experiencia-de-damasco-ii\/","title":{"rendered":"A experi\u00eancia de Damasco (II)"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\">O resultado da experi\u00eancia de convers\u00e3o\/voca\u00e7\u00e3o na qual Paulo veio a conhecer Cristo \u00e9 uma completa transforma\u00e7\u00e3o. (&#8230;) Ser transformado inclui esquecer \u201co caminho percorrido\u201d e ansiar \u201cpelo que est\u00e1 \u00e0 frente\u201d.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">J. M. Everts<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Hawthorne, Gerald F.; Martin, Ralph P.; Reid, Daniel G. [orgs]. Dicion\u00e1rio de Paulo e suas cartas. Tradu\u00e7\u00e3o de Barbara Theoto Lambert.- S\u00e3o Paulo: Paulus: Vida Nova: Loyola. Artigo \u201cConvers\u00e3o e voca\u00e7\u00e3o de Paulo\u201d, \u00a0p. 262\/268].<\/span><\/em><\/p>\n<p>No dia 13 de novembro havia postado neste blog um texto em que comecei a tratar do epis\u00f3dio b\u00edblico da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo. Tinha prometido dar prosseguimento ao assunto na semana seguinte, mas, por motivos alheios \u00e0 minha vontade, passei alguns dias sem escrever. Fa\u00e7o-o, por\u00e9m, agora.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos anos venho lendo sobre a metan\u00f3ia, uma mudan\u00e7a de rumo que acontece vez por outra na vida de algumas pessoas. O assunto sempre me pareceu muito palpitante. Jung, conforme mencionei no texto anterior, dedicou alguns de seus escritos ao tema. Tenho o caso da convers\u00e3o de S\u00e3o Paulo na estrada de Damasco como um dos exemplos mais perfeitos de metan\u00f3ia. No caso do ap\u00f3stolo dos gentios, sua vida sofre uma invers\u00e3o total no momento em que se dirigia a Damasco com o intuito de coibir as atividades levadas a efeito pelos seguidores de Cristo. Relata o texto b\u00edblico:<\/p>\n<p>\u201cEnquanto isso, Saulo s\u00f3 respirava amea\u00e7as e morte contra os disc\u00edpulos do Senhor. Apresentou-se ao pr\u00edncipe dos sacerdotes, e pediu-lhe cartas para as sinagogas de Damasco, com o fim de levar presos a Jerusal\u00e9m todos os homens e mulheres que achasse seguindo essa doutrina\u201d (At 9, 1-2).<\/p>\n<p>Aprecio especialmente o texto b\u00edblico da tradu\u00e7\u00e3o por mim utilizada aqui, a\u00a0 B\u00edblia Sagrada Ave-Maria, pela veem\u00eancia que o evangelista imprime \u00e0 frase que abre a narrativa. As palavras \u201camea\u00e7as\u201d e \u201cmorte\u201d sobressaem com grande vigor, amparadas pelo verbo respirar. No ato da respira\u00e7\u00e3o trazemos para dentro de n\u00f3s uma lufada de ar. Portanto, o ar que Saulo respirava sabia a amea\u00e7as e morte. Parece-nos que o af\u00e3 de coibir quaisquer atos dos seguidores a quem Saulo perseguia estava absolutamente arraigado em suas entranhas. Saulo era a pr\u00f3pria encarna\u00e7\u00e3o da persegui\u00e7\u00e3o e da morte.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o quest\u00e3o de salientar bem este aspecto da figura de Saulo na ocasi\u00e3o, porque nele sobressai a primeira condi\u00e7\u00e3o para que a metan\u00f3ia aconte\u00e7a. Que condi\u00e7\u00e3o \u00e9 essa? Antes que seja dado o grande passo, que aconte\u00e7a a grande mudan\u00e7a de rumo, \u00e9 preciso que o indiv\u00edduo esteja imerso em uma determinada situa\u00e7\u00e3o num est\u00e1gio tal que atinja o paroxismo. \u00c9 preciso que ele esteja no limite. No caso de Saulo, ele se dedicara, como se diz popularmente, com unhas e dentes a perseguir os crist\u00e3os. Talvez se possa imaginar o \u00f3dio que ele sentia por aqueles homens e mulheres.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma caracter\u00edstica muito peculiar da metan\u00f3ia. Para que a pessoa assuma uma determinava perspectiva de vida, \u00e9 necess\u00e1rio que, antes, ela passe pela condi\u00e7\u00e3o oposta. N\u00e3o posso afirmar que essa seja uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel, por isso preferi usar a palavra necess\u00e1rio. Tanto no caso de Saulo quanto no de Santo Agostinho, essa condi\u00e7\u00e3o foi, suponho, indispens\u00e1vel. Mas nem sempre a metan\u00f3ia se d\u00e1 de forma t\u00e3o espetacular e radical quanto nos dois exemplos citados. Prefiro sustentar a hip\u00f3tese de que haja grada\u00e7\u00f5es. No entanto, parece-me, quanto maior o paroxismo da situa\u00e7\u00e3o, mais radical ser\u00e1 a mudan\u00e7a experimentada.<\/p>\n<p>No caso de Saulo, tendo em vista a situa\u00e7\u00e3o existencial em que se encontrava, estavam postas as condi\u00e7\u00f5es para que uma grande mudan\u00e7a de rumo ocorresse em sua vida. N\u00e3o deixa de ser muito simb\u00f3lico o fato de que ele se encontrava numa estrada. Quem est\u00e1 numa estrada, segue um determinado rumo, est\u00e1 a caminho de. A quest\u00e3o \u00e9 que, nem sempre, a estrada vai dar exatamente aonde pens\u00e1vamos inicialmente que fosse. \u00c9 algo mais ou menos assim: temos os nossos planos, mas estes, nem sempre, coincidem com um plano outro que para n\u00f3s est\u00e1 tra\u00e7ado, o qual desconhecemos. Ent\u00e3o, num determinado momento, nossa trajet\u00f3ria tem que ser interceptada, sob pena de seguirmos por um caminho que n\u00e3o era exatamente o nosso. Foi exatamente o que aconteceu com Saulo quando se encontrava a caminho de Damasco. Dessa intercepta\u00e7\u00e3o trataremos na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O resultado da experi\u00eancia de convers\u00e3o\/voca\u00e7\u00e3o na qual Paulo veio a conhecer Cristo \u00e9 uma completa transforma\u00e7\u00e3o. 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