{"id":1243,"date":"2009-12-15T06:21:58","date_gmt":"2009-12-15T09:21:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=1243"},"modified":"2009-12-15T06:21:58","modified_gmt":"2009-12-15T09:21:58","slug":"aloisio-bezerra-ou-a-gloria-de-ser-trovador-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/12\/15\/aloisio-bezerra-ou-a-gloria-de-ser-trovador-i\/","title":{"rendered":"Alo\u00edsio Bezerra ou A gl\u00f3ria de ser trovador (I)"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1244\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/Ser-trovador-300x530.jpg\" alt=\"Ser trovador\" width=\"300\" height=\"530\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/Ser-trovador-300x530.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/Ser-trovador-768x1357.jpg 768w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/Ser-trovador-740x1308.jpg 740w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/Ser-trovador-120x212.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/Ser-trovador.jpg 884w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A trova: pequeno verso,\/ Que inunda a vida de amor!\/ Encanto em que estou imerso\/ Ventura do trovador!<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Alo\u00edsio Bezerra<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Bezerra, Alo\u00edsio. Que gl\u00f3ria \u00e9 ser trovador! Fortaleza: Composto e impresso no jornal \u201cA Fortaleza\u201d, 1981, p. 14].<\/span><\/em><\/p>\n<p>Quando me ocorreu a id\u00e9ia de escrever este texto, minha primeira atitude foi pegar um\u00a0 Cd do Altemar Dutra para usar como fundo musical durante a reda\u00e7\u00e3o. H\u00e1 alguns anos foi lan\u00e7ada uma caixa com quatro Cds do grande cantor brasileiro. O conjunto recebeu o seguinte t\u00edtulo: \u201cAltemar Dutra, O Trovador\u201d. O t\u00edtulo se deve a uma m\u00fasica que foi um de seus maiores sucessos, \u201cO Trovador\u201d, de autoria do cearense Evaldo Gouveia e do capixaba Jair Amorim. A m\u00fasica come\u00e7a com os versos \u201cSonhei que eu era um dia um trovador\/ Dos velhos tempos que n\u00e3o voltam mais\u201d. \u00c9 embalado por esses versos que inicio este relato.\u00a0<\/p>\n<p>H\u00e1 vinte e cinco anos descobri que aquilo que Evaldo Gouveia e Jair Amorim proclamavam em versos como um sonho n\u00e3o era apenas um sonho. Descobri que ainda existem trovadores que fazem versos de amor como \u201cnos velhos tempos que n\u00e3o voltam mais\u201d. E,\u00a0para minha alegria, soube que um desses trovadores era meu conterr\u00e2neo. Assim, depois de um contato telef\u00f4nico, na noite de 27 de agosto de 1984, me dirigi, emocionado, \u00e0 casa do Sr. Alo\u00edsio Bezerra.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>L\u00e1 chegando, encontrei um simp\u00e1tico senhor de 59 anos de idade que me recebeu com muita cortesia. A conversa teve in\u00edcio num banco de cimento defronte \u00e0 sua casa, a c\u00e9u aberto, como conv\u00e9m a um trovador. Algum tempo depois, me convidou a entrar. Sentamos a uma mesa e seu Alo\u00edsio come\u00e7ou a me trazer livros, certificados, trof\u00e9us, testemunhos de sua vida de trovador.<\/p>\n<p>Conversamos muito. Seu Alo\u00edsio me falou do come\u00e7o de sua vida em Massap\u00ea, de sua vinda para Fortaleza, da carreira como funcion\u00e1rio do Banco do Brasil, do curso que criara para preparar jovens para concursos banc\u00e1rios, mas falou, sobretudo, de trovas e do prazer de ser trovador.<\/p>\n<p>No <em>Dicion\u00e1rio da Idade M\u00e9dia<\/em>, organizado por H. R. Loyn, no verbete <em>Trovadores<\/em>, o autor informa o seguinte: \u201cCome\u00e7ando com as can\u00e7\u00f5es de Guilherme IX da Aquit\u00e2nia (1071-1127), que v\u00e3o do obsceno trav\u00e9s do sensual at\u00e9 o requintado, e terminando com Guiraut Riquier (m. 1292), que rejeita o amor profano e canta em louvor da Virgem Maria, os trovadores, poetas-m\u00fasicos das cortes do sul da Fran\u00e7a, deixaram uma rica e variada heran\u00e7a liter\u00e1ria. (&#8230;) Os trovadores exerceram uma profunda influ\u00eancia n\u00e3o s\u00f3 na poesia l\u00edrica da Europa ocidental mas tamb\u00e9m, de um modo geral, em sua literatura e, em \u00faltima an\u00e1lise, talvez at\u00e9 nas atitudes sociais\u201d (Loyn, H.R. (org.). <em>Dicion\u00e1rio da Idade M\u00e9dia, com 250 ilustra\u00e7\u00f5es<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Cabral. Rev. T\u00e9cnica de Hil\u00e1rio Franco J\u00fanior. 2\u00aa. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1991,\u00a0 p. 348).\u00a0<\/p>\n<p>Durante nossa conversa, o bardo massapeense declamou v\u00e1rias trovas sob temas diversos. Quando me preparava para me despedir do seu Alo\u00edsio, ele pegou na estante o livro de sua autoria <em>Que gl\u00f3ria \u00e9 ser trovador<\/em>, publicado em 1981, e <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-1245\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog3.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/Trova-300x224.jpg\" alt=\"Trova\" width=\"300\" height=\"224\" \/>escreveu de pr\u00f3prio punho os seguintes versos: \u201cN\u00e3o sou bar\u00e3o, n\u00e3o sou rei,\/ Nem sou patente ou doutor,\/ Mas sou algu\u00e9m, isto eu sei,\/ Eu sou, meu Deus, trovador\u201d. Na p\u00e1gina seguinte, escreveu: \u201cAo Vasco, conterr\u00e2neo idealista, o abra\u00e7o do Alo\u00edsio Bezerra. 27-08-84\u201d. Pegou, tamb\u00e9m, uma fita cassete com a grava\u00e7\u00e3o de uma entrevista que ele concedera \u00e0 R\u00e1dio Assun\u00e7\u00e3o e disse que a levasse para ouvir em casa, devendo devolv\u00ea-la posteriormente. N\u00e3o sem constrangimento, confesso que n\u00e3o devolvi a fita do seu Alo\u00edsio.<\/p>\n<p>Sexta-feira passada me lembrei do seu Alo\u00edsio. Foi quando me ocorreu a id\u00e9ia de escrever este texto. Peguei a fita e fui ouvir, depois de vinte e cinco anos, a grava\u00e7\u00e3o. Pensei: ser\u00e1 que o seu Alo\u00edsio ainda vive? Nascido em 1925, ele deveria contar agora 84 anos de idade. Ser\u00e1 que o seu telefone ainda \u00e9 o mesmo? Tive vontade de ligar, mas senti algum temor. Como eu iria me dirigir a quem atendesse a liga\u00e7\u00e3o? Resolvi arriscar. Para minha surpresa, uma mulher me atendeu muito amavelmente e informou que o Sr. Alo\u00edsio se encontrava, sim. Na ocasi\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o p\u00f4de atender a minha liga\u00e7\u00e3o. Fiquei de retornar.<\/p>\n<p>Hoje estou mandando passar a grava\u00e7\u00e3o da fita para CD, para levar para o seu Alo\u00edsio. Decidi que escreveria este texto antes de reencontr\u00e1-lo, devendo escrever um segundo, depois do nosso encontro. H\u00e1 pouco interrompi este texto, fui \u00e0 sala e, tendo por fundo musical \u201cO Trovador\u201d, liguei para seu Alo\u00edsio. Ouvi do outro lado da linha uma voz masculina. Qunado eu disse: \u201c- Gostaria de falar com o Sr. Alo\u00edsio\u201d, ouvi do outro lado da linha a resposta:\u00a0 \u201c\u2013 \u00c9 ele quem est\u00e1 falando\u201d. Informei-lhe que era um conterr\u00e2neo de quem ele certamente n\u00e3o lembraria, mas que eu estivera com ele h\u00e1 25 anos. Indagou: \u201c- Como voc\u00ea sabe disso?\u201d Respondi: \u201c- Porque tenho um livro seu, <em>Que gl\u00f3ria \u00e9 ser trovador!<\/em>, autografado para mim no dia 27 de agosto de 1984\u201d. Ele completou: \u201c- Aquele azulzinho?\u201d Respondi: \u201c- Exatamente!\u201d. Combinei de ir \u00e0 sua casa na quarta-feira, \u00e0s dez horas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A trova: pequeno verso,\/ Que inunda a vida de amor!\/ Encanto em que estou imerso\/ Ventura do trovador! Alo\u00edsio Bezerra [Bezerra, Alo\u00edsio. 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