{"id":1268,"date":"2009-12-21T06:21:57","date_gmt":"2009-12-21T09:21:57","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=1268"},"modified":"2009-12-21T06:21:57","modified_gmt":"2009-12-21T09:21:57","slug":"nina-rodrigues-e-a-cultura-negra-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/12\/21\/nina-rodrigues-e-a-cultura-negra-no-brasil\/","title":{"rendered":"Nina Rodrigues e a cultura negra no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-1269\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/9788537003664.jpg\" alt=\"9788537003664\" width=\"278\" height=\"400\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/9788537003664.jpg 278w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/9788537003664-120x173.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 278px) 100vw, 278px\" \/>Neste pa\u00eds n\u00e3o nos furtamos a desprezar o conhecimento sobre os povos negros que tanto contribu\u00edram para colonizar o pa\u00eds, mantendo a mais ampla ignor\u00e2ncia sobre tudo o que diz respeito a eles; tem-se at\u00e9 dado cr\u00e9dito a ideias erradas sobre a origem de nossos negros e suas manifesta\u00e7\u00f5es de cultura. E isso tudo pode servir para nossa condena\u00e7\u00e3o por, mais tarde, n\u00e3o conseguirmos ter uma id\u00e9ia justa da sua influ\u00eancia em nosso povo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Nina Rodrigues<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Rodrigues, Nina. Os Africanos no Brasil. S\u00e3o Paulo: Madras, 2008, p. 31].<\/span><\/em><\/p>\n<p>Fiquei imensamente feliz quando, ao entrar numa loja de produtos esot\u00e9ricos, me deparei com o livro <em>Os Africanos no Brasil<\/em>, do maranhense Nina Rodrigues. Desde que comecei a ler sobre o Candombl\u00e9 e a Umbanda, sempre encontrei refer\u00eancias aos estudos de Nina Rodrigues. Roger Bastide inicia o seu cl\u00e1ssico <em>O candombl\u00e9 da Bahia<\/em> comentando alguns pontos de vista do m\u00e9dico brasileiro que se fez, tamb\u00e9m, antrop\u00f3logo. A exemplo de Bastide, tamb\u00e9m Pierre Verger o cita em algumas de suas obras. Para os estudiosos das tradi\u00e7\u00f5es trazidas pelos africanos que aportaram no Brasil, portanto, e que, como eu, n\u00e3o tinham ainda tido a oportunidade de ter acesso direto aos estudos publicados por Nina Rodrigues, \u00e9 motivo de muito regozijo o lan\u00e7amento de <em>Os Africanos no Brasil<\/em>, pela Madras Editora Ltda., originalmente publicado em 1932.\u00a0<\/p>\n<p>No Pr\u00f3logo escrito para a edi\u00e7\u00e3o aqui comentada, o Sacerdote de Umbanda Alexandre Cumino diz, ao se referir a Nina Rodrigues: \u201c<em>Frequenta Candombl\u00e9s, deita-se com ya\u00f4s e come a comida dos Orix\u00e1s<\/em>, era a afirma\u00e7\u00e3o de alguns colegas e cr\u00edticos sobre Nina Rodrigues e seu interesse pelo negro e sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa de campo. Nina Rodrigues n\u00e3o fala como algu\u00e9m de dentro, mas sim como algu\u00e9m que esteve por dentro e expressa o que at\u00e9 ent\u00e3o ningu\u00e9m havia expressado antes. (&#8230;) Incentivado pelos estudos de antropologia criminal, convivendo com republicanos e abolicionistas, tocado pela situa\u00e7\u00e3o dos menos favorecidos, chamado de m\u00e9dico dos pobres, Nina Rodrigues se encantou com o universo dos africanos no Brasil\u201d (p. 7).<\/p>\n<p>Raimundo Nina Rodrigues nasceu em Vargem Grande, no Maranh\u00e3o, em 4 de dezembro de 1862. Depois de conclu\u00eddo o curso prim\u00e1rio, transferiu-se para<\/p>\n<div id=\"attachment_1270\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-1270\" class=\"size-full wp-image-1270\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/250px-Nina_02.jpg\" alt=\"Raimundo Nina Rodrigues\" width=\"250\" height=\"362\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/250px-Nina_02.jpg 250w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/12\/250px-Nina_02-120x174.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 250px) 100vw, 250px\" \/><p id=\"caption-attachment-1270\" class=\"wp-caption-text\">Raimundo Nina Rodrigues<\/p><\/div>\n<p>S\u00e3o Luiz do Maranh\u00e3o, onde completou o curso de humanidades, seguindo, depois para a Bahia, onde cursou medicina. Logo depois, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se doutorou em 1888. Nina Rodrigues foi pioneiro na assist\u00eancia m\u00e9dico-legal a doentes mentais. Foi, a par de suas atividades m\u00e9dicas, um grande apaixonado pelas tradi\u00e7\u00f5es africanas introduzidas no Brasil pelos negros que para c\u00e1 foram trazidos como escravos.<\/p>\n<p>Antes de dele, pode-se dizer que nenhum estudioso brasileiro havia ainda se dedicado seriamente ao estudo de tais tradi\u00e7\u00f5es. Em 1888, no livro <em>Estudos sobre a poesia popular do Brasil<\/em> o cr\u00edtico liter\u00e1rio, poeta e fil\u00f3sofo S\u00edlvio Romero (1851-1914) escrevia, em tom de lamento: \u201c\u00c9 uma vergonha para a ci\u00eancia do Brasil que nada tenhamos consagrado de nossos trabalhos ao estudo das l\u00ednguas e das religi\u00f5es africanas. Quando vemos homens, como Bleek, refugiarem-se dezenas e dezenas de anos nos centros da \u00c1frica somente para estudar uma l\u00edngua e coligir uns <em>mitos<\/em>, n\u00f3s que temos o material em casa, que temos a \u00e1frica em nossas <em>cozinhas<\/em>, como a Am\u00e9rica me nossas <em>selvas<\/em> e a Europa em nossos s<em>al\u00f5es<\/em>, nada havemos produzido neste sentido! \u00c9 uma desgra\u00e7a\u201d. O trecho aqui reproduzido est\u00e1 citado na p. 17 da edi\u00e7\u00e3o aqui comentada de <em>Os Africanos no Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>N\u00e3o sabemos se Nina Rodrigues teve conhecimento da reclama\u00e7\u00e3o de Silvio Romero. O fato \u00e9 que tomou para si a miss\u00e3o de iniciar o estudo das tradi\u00e7\u00f5es trazidas pelos africanos que aqui chegaram como escravos. Sobre o assunto ele escreveu, al\u00e9m da presente obra, <em>As ra\u00e7as humanas e a responsabilidade penal no Brasil<\/em> e <em>O animismo fetichista dos negros da Bahia<\/em>. Para interessados que, como eu, s\u00f3 conheciam o pensamento de Nina Rodrigues atrav\u00e9s de cita\u00e7\u00f5es de outros autores, \u00e9, portanto, motivo para celebra\u00e7\u00e3o a publica\u00e7\u00e3o de <em>Os Africanos no Brasil<\/em> pela Madras Editora.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Neste pa\u00eds n\u00e3o nos furtamos a desprezar o conhecimento sobre os povos negros que tanto contribu\u00edram para colonizar o pa\u00eds, mantendo a mais ampla ignor\u00e2ncia&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-1268","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1268"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1268\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1268"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}