{"id":1421,"date":"2010-01-15T04:21:40","date_gmt":"2010-01-15T07:21:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=1421"},"modified":"2010-01-15T04:21:40","modified_gmt":"2010-01-15T07:21:40","slug":"um-olhar-enciclopedico-sobre-a-nossa-brasilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/01\/15\/um-olhar-enciclopedico-sobre-a-nossa-brasilidade\/","title":{"rendered":"Um olhar enciclop\u00e9dico sobre a nossa brasilidade"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1430\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/44\/2010\/01\/Nenhum-Brasil-Existe3-300x427.jpg\" alt=\"Nenhum Brasil Existe\" width=\"300\" height=\"427\" \/>De um poema de Carlos Drummond de Andrade veio a inspira\u00e7\u00e3o para este volume. O poema, intitulado \u201cHino nacional\u201d, encena a reconstru\u00e7\u00e3o de diversos esfor\u00e7os de constitui\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica do pa\u00eds. Nos seus versos finais, entretanto, eis que o pr\u00f3prio \u201cBrasil\u201d surge e, como uma imposs\u00edvel coisa-em-si kantiana, resiste a todas as tentativas de aprender sua ess\u00eancia: \u201cO Brasil n\u00e3o nos quer! Est\u00e1 farto de n\u00f3s!\/ Nosso Brasil \u00e9 no outro mundo. Este n\u00e3o \u00e9 o Brasil.\/ Nenhum Brasil existe. E acaso existir\u00e3o os\u00a0brasileiros?&#8221;<\/span><\/em><em><span style=\"color: #800080\">\u00a0\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Rocha, Jo\u00e3o Cezar de Castro (org.). Com a colabora\u00e7\u00e3o de Valdei Lopes de Araujo.<\/em> <strong>Nenhum Brasil Existe: Pequena Enciclop\u00e9dia<\/strong><em>. Rio de Janeiro: Topbooks; UniverCidade Editora, 2003, p. 17].<\/em><\/span><\/p>\n<p>Tendo ido \u00e0 UNIFOR com Indira, enquanto aguardava que ela entregasse os documentos para sua matr\u00edcula, resolvi entrar na livraria Livro T\u00e9cnico que fica no Campus. Examinando aleatoriamente as prateleiras, me deparei com um grosso volume cujo t\u00edtulo me despertou a aten\u00e7\u00e3o. Peguei-o e me pus a folhe\u00e1-lo. N\u00e3o precisou muito para que eu decidisse, no ato, adquiri-lo. Dirige-me ao balconista e indaguei o pre\u00e7o. No momento em que efetuava a compra, entrou no recinto o conhecido livreiro Gabriel. O rapaz que me atendia olhou para o Gabriel e, erguendo o livro, falou: \u201cGabriel, foi vendido\u201d. Gabriel, por sua vez, respondeu: \u201cEu n\u00e3o disse?\u201d Ato cont\u00ednuo, se dirigiu a mim com estas palavras: \u201cRapaz, voc\u00ea acaba de fazer uma excelente aquisi\u00e7\u00e3o. Fazia tempo que este livro estava a\u00ed e, para minha surpresa, ningu\u00e9m se decidia a compr\u00e1-lo. Mas eu falei, deixa ele a\u00ed mais algum tempo que vai ser vendido. Olha, foi um dos melhores livros que li nos \u00faltimos tempos\u201d.<\/p>\n<p>Com uma garantia daquela, vinda do Gabriel, mesmo que ainda n\u00e3o tivesse me decidido pela compra, eu n\u00e3o teria mais d\u00favidas quanto \u00e0 conveni\u00eancia de adquiri-lo. Como b\u00f4nus, tive ainda o privil\u00e9gio de, devido \u00e0 situa\u00e7\u00e3o motivada pela compra do livro, conversar por quase uma hora com o Gabriel \u2013 figura que h\u00e1 muito foi incorporada ao patrim\u00f4nio cultural cearense -, em que falamos de livros, religi\u00e3o e gatos (um interesse comum, que adquiri devido ao amor devotado por Indira\u00a0aos bichanos), quando o livreiro me relatou uma pitoresca situa\u00e7\u00e3o de sua vida provocada por sua incondicional paix\u00e3o pelos felinos.\u00a0 \u00a0<\/p>\n<p>Quanto ao livro, trata-se de uma obra organizada pelo professor de Literatura Comparada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jo\u00e3o Cezar de Castro Rocha, intitulado <em>Nenhum Brasil Existe: Pequena Enciclop\u00e9dia<\/em>. Apesar, do t\u00edtulo, a obra pode ser considerada, sem d\u00favida, uma grande enciclop\u00e9dia sobre a nossa brasilidade. A id\u00e9ia inicial de publicar um volume dedicado \u00e0 cultura brasileira partiu de Frank F. Sousa, Diretor do <em>Departamento de Portugu\u00eas da Universidade de Massachusetts Darthmouth<\/em> \u2013 o segundo departamento exclusivamente de portugu\u00eas nos Estados Unidos \u2013 e Victor J. Mendes, Editor da revista <em>Portuguese Literary and Cultural Studies<\/em>.<\/p>\n<p>Lan\u00e7ado inicialmente em ingl\u00eas, na Biblioteca do Congresso, em Washington, a edi\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa foi acrescida de 23 outros textos que n\u00e3o constavam da edi\u00e7\u00e3o original, perfazendo um total de 89 ensaios disseminados nas 1.107 p\u00e1ginas do alentado volume. \u00c9, de fato, uma obra grandiosa, em que s\u00e3o abordados por um gama de autores de reconhecida compet\u00eancia em suas respectivas \u00e1reas, aspectos os mais diversos da cultura brasileira. A quem quer que, por interesse ou declarada paix\u00e3o, como \u00e9 o meu caso, se disponha a ir fundo na investiga\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis explica\u00e7\u00f5es para a nossa brasilidade, aquilo que faz\u00a0 cada um de n\u00f3s se afirmar brasileiro, <em>Nenhum Brasil Existe: Pequena Enciclop\u00e9dia<\/em> se imp\u00f5e com uma obra cuja leitura n\u00e3o poder\u00e1 ser dispensada.<\/p>\n<p>Ao reconhecer as lacunas eventualmente existentes na obra, conclui o organizador: \u201cA essa altura, imagino j\u00e1 estar clara a seguinte impossibilidade: no tocante \u00e0 escrita de hist\u00f3rias liter\u00e1rias e culturais, o resultado ser\u00e1 sempre lacunar, pois nunca daremos conta de um Brasil que n\u00e3o existe. S\u00f3 aqueles que ainda acreditam ser poss\u00edvel atingir a totalidade, isto \u00e9, ainda pretendem apreender a ess\u00eancia de um pa\u00eds deixar\u00e3o de ver em tais lacunas um irrecus\u00e1vel convite \u00e0 escrita de outros ensaios e \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de novas colet\u00e2neas. Que sejam bem-vindos futuros volumes, pois s\u00f3 nos resta conjurar fantasmas com outros fantasmas, isto \u00e9, as hist\u00f3rias da cultura que escrevemos\u201d (p. 31).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De um poema de Carlos Drummond de Andrade veio a inspira\u00e7\u00e3o para este volume. 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