{"id":1775,"date":"2010-04-05T11:21:05","date_gmt":"2010-04-05T14:21:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=1775"},"modified":"2010-04-05T11:21:05","modified_gmt":"2010-04-05T14:21:05","slug":"o-retorno-de-dom-cristiano-21-dias-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/04\/05\/o-retorno-de-dom-cristiano-21-dias-depois\/","title":{"rendered":"O retorno de Dom Cristiano 21 dias depois"},"content":{"rendered":"<p>Manh\u00e3 de segunda-feira. Enquanto escutava, mais uma vez, o Ad\u00e1gio do <em>Concierto de Aranjuez<\/em>, do espanhol Joaquim Rodrigo, senti no ar o familiar odor de seiva de alfazema. Conforme predito, ele estava de volta. Vinte e um dias se passaram desde que Dom Cristiano aqui estivera pela primeira vez. Agora retornava, nesta manh\u00e3 de segunda-feira, para mais uma conversa. Devo dizer que n\u00e3o foram f\u00e1ceis estes vinte e um dias, contados desde 16 de mar\u00e7o, quando, sem que eu previsse, ele adentrara minha biblioteca, deixando-me surpreso e estupefato por sua inusitada visita.<\/p>\n<p>Depois disso, quase n\u00e3o escrevi, como sabem os leitores que me t\u00eam acompanhado neste blog. Foram vinte e um dias dif\u00edceis de transpor. Minha companhia principal foi a m\u00fasica. V\u00e1rias vezes ouvi o <em>Concierto de Aranjuez<\/em>, a exemplo do que fa\u00e7o enquanto redijo este texto.\u00a0O mesmo \u00a0ocorreu,\u00a0 quando Dom Cristiano por aqui assomou mais uma vez, cumprindo sua promessa, qual seja, que estaria comigo ao longo destes 21 dias, instruindo-me quanto aos passos que deveria seguir. Acho que escutar o Ad\u00e1gio foi, de certo modo, uma forma que encontrei de manter a presen\u00e7a de Dom Cristiano. Depois que me apresentou o Padre Rotundus,\u00a0Dom Cristiano\u00a0desapareceu\u00a0por nove dias, durante os quais estive em col\u00f3quios com o simp\u00e1tico e paternal c\u00f4nego. Depois disso, Dom Cristiano ainda apareceu. Mas, conforme sua expl\u00edcita instru\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o deveria mais escrever sobre nossos encontros, at\u00e9 que se cumprisse o prazo por ele estipulado, quando, ent\u00e3o, eu deveria voltar a escrever.<\/p>\n<p>T\u00e3o confuso me encontrava durante este per\u00edodo, que quase nada postei neste blog, conforme j\u00e1 disse. Apenas acrescentei, atendendo \u00e0 sugest\u00e3o de Dom Cristiano, mais uma categoria, a categoria <em>00. Hoje \u00e9 domingo, dia do Senhor<\/em>, com o fito de transcrever opini\u00f5es e pontos de vista de outros autores sobre o Mestre.<\/p>\n<p>Hoje, quando retornou, \u00e0s dez horas desta manh\u00e3, saudou-me com um aceno e, ato cont\u00ednuo, estendeu-me sua alian\u00e7a de Cristo para que a beijasse. A seguir, disse-me que estava de volta, cumprindo a promessa de que me faria uma visita vinte e um dias ap\u00f3s nosso primeiro encontro. \u201cCumpriste os ritos exigidos\u201d, disse-me Dom Cristiano. \u201cA partir de hoje\u201d, prosseguiu com sua voz serena, que tem o dom de me acalmar e me deixar uma enorme sensa\u00e7\u00e3o de paz pelo simples fato de escut\u00e1-la, \u201cdeves retomar os textos do teu blog. Hoje tem in\u00edcio a segunda etapa de tua <em>Inicia\u00e7\u00e3o<\/em>. Algumas surpresas te aguardam nas pr\u00f3ximas sete semanas. N\u00e3o te aflijas. Tem calma. L\u00ea a Ep\u00edstola aos Romanos, na B\u00edblia de Jerusal\u00e9m. Tamb\u00e9m hoje ter\u00e1s acesso a algumas novas leituras que te ser\u00e3o de grande aux\u00edlio nos pr\u00f3ximos 49 dias. Fica atento \u00e0s demais leituras que\u00a0ser\u00e1s inspirado a fazer ao longo das pr\u00f3ximas semanas. Tampouco descuides dos\u00a0sonhos que ter\u00e1s nas pr\u00f3ximas noites. Nada temas, estou contigo e te assisto do lugar onde me encontro\u201d.<\/p>\n<p>Para minha grande surpresa, Dom Cristiano deu uma volta e, postando-se ao meu lado, tocou meu rosto e, virando-o para si, beijou-me afetuosamente a testa. Senti algo assim como uma corrente de energia percorrer-me o corpo inteiro, iniciando-se na base da coluna vertebral e indo at\u00e9 o topo da cabe\u00e7a. Uma alegria indescrit\u00edvel tomou conta de mim. Como dizer algo de t\u00e3o inef\u00e1vel com palavras t\u00e3o pobres como as minhas? Eu queria ter a sensibilidade dos grandes m\u00edsticos para falar adequadamente do que senti. Mas, como dizer o indiz\u00edvel, o que com palavras n\u00e3o se ousaria dizer, cabendo apenas sentir, segredo inef\u00e1vel que deve ser guardado no fundo do cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Dom Cristiano deixou-me quando a guitarra de\u00a0Paco de Lucia\u00a0fazia ecoar os \u00faltimos acordes do Ad\u00e1gio do <em>Concierto de Aranjuez<\/em>. E assim minha alma come\u00e7ou a primeira semana depois da P\u00e1scoa do Mestre em indescrit\u00edvel (e imerecido) j\u00fabilo. \u00a0<\/p>\n[youtube]http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=w8LL1x6J2rU&amp;feature=related[\/youtube]\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manh\u00e3 de segunda-feira. 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