{"id":2124,"date":"2010-08-31T06:21:23","date_gmt":"2010-08-31T09:21:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2124"},"modified":"2010-08-31T06:21:23","modified_gmt":"2010-08-31T09:21:23","slug":"rumi-e-o-sol-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/08\/31\/rumi-e-o-sol-da-palavra\/","title":{"rendered":"Rumi e o sol da palavra"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><em><a rel=\"attachment wp-att-2126\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/rumi-e-o-sol-da-palavra\/rumi3\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-2126\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/08\/rumi3.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"280\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/08\/rumi3.jpg 280w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/08\/rumi3-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/08\/rumi3-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 280px) 100vw, 280px\" \/><\/a>A palavra \u00e9 como o sol. Todos os homens obt\u00eam calor e vida a partir dele, e o sol est\u00e1 sempre presente aquecendo o mundo e os homens. Eles n\u00e3o sabem que continuam vivos por causa dele. Mas quando, atrav\u00e9s de uma express\u00e3o, queres protestar, queres o bem, queres o mal, a palavra surge e o sol se mostra; o sol do firmamento brilha continuamente, mas s\u00f3 distinguimos seus raios quando refletem sobre uma superf\u00edcie. Dessa forma tamb\u00e9m, os raios do sol da palavra n\u00e3o surgem enquanto n\u00e3o s\u00e3o expressos atrav\u00e9s de letras e de sons. Apesar de existir eternamente \u2013 o sol \u00e9 sutil e<\/em> Ele \u00e9 sutil <em>(Cor\u00e3o, VI, 103) \u2013 \u00e9 preciso que tenha densidade para que se manifeste e seja vis\u00edvel.<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Rumi<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[J\u00e1l\u00e1l al-Din Rumi, Mawl\u00e1n\u00e1.<\/em> <strong>Fihi-ma-fihi: o livro do interior<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o Margarita Garcia Lamelo. \u2013 Rio de Janeiro: Edi\u00e7\u00f5es Dervish, 1993, p. 261. A partir da tradu\u00e7\u00e3o francesa do original persa de Eva de Vitray-Meyerovitch.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>O sufismo denota um movimento m\u00edstico surgido no seio do islamismo no s\u00e9culo VIII e que se desenvolveu especialmente na P\u00e9rsia. A palavra sufi designa o capote de l\u00e3 grossa usado por pobres e ascetas e logo adotado pelos primeiros praticantes dessa doutrina. Um dos maiores legados isl\u00e3s para a humanidade foi, seguramente, os ensinamentos de alguns representantes desta tradi\u00e7\u00e3o religiosa. Mawl\u00e1n\u00e1 Rumi (1207-1273), fundador da Ordem dos Dervixes Dan\u00e7antes, sobressai como um dos maiores mestres e poetas sufi.<\/p>\n<p>Uma parte dos ensinamentos de Rumi foi compilada no livro intitulado <em>Fihi-ma-fihi<\/em>, ou<em> O livro do interior<\/em>. O livro \u00e9 composto por 71 textos ao longo dos quais o Mestre aborda assuntos os mais diversos, a maioria exposta em forma de di\u00e1logos, pois se tata de conversas e discuss\u00f5es entre ele e seus disc\u00edpulos.<\/p>\n<p>Um dos mais belos \u00e9 aquele em que o Mestre trata da palavra. A palavra, para que seja expressa, precisa de um meio, que Rumi chama de intermedi\u00e1rio. Esse intermedi\u00e1rio \u00e9 o ato da fala. Falar, portanto, conclui, \u00e9 um meio da palavra. O surpreendente, por\u00e9m, est\u00e1 na afirma\u00e7\u00e3o de que, embora falar seja o meio pelo qual a palavra se manifesta, isso n\u00e3o constitui, entretanto, uma condi\u00e7\u00e3o para que a palavra exista. Isso porque a \u201cpalavra\u201d, afirma Rumi, \u201cest\u00e1 perpetuamente em ti, quer a pronucies ou n\u00e3o\u201d (p. 262).<\/p>\n<p>Na verdade, o homem tende para o sil\u00eancio, aquele grande sil\u00eancio do encontro com Deus quando tu afinal cala, tudo silencia, restando apenas aquela perfeita comunh\u00e3o \u00e0 qual sempre se referem os grandes m\u00edsticos e iniciados. \u00c9 isso que leva Rumi a afirmar, concluindo com um paradoxo, pois, quer admitamos quer n\u00e3o, o discurso sobre Deus sempre desemboca no paradoxo:<\/p>\n<p>\u201cO homem passa por tr\u00eas estados. No primeiro, ele n\u00e3o se preocupa com Deus, ele adora e serve a todos, mulher, homem, bens, crian\u00e7as, pedra, barro, mas n\u00e3o adora a Deus. Em seguida, quando adquire certo conhecimento e informa\u00e7\u00e3o, ele s\u00f3 serve a Deus. Depois, quando avan\u00e7a nesse estado, ele se cala; ele n\u00e3o diz: \u00b4Eu n\u00e3o sirvo a Deus\u00b4, nem: \u00b4Eu sirvo a Deus\u00b4. Ele est\u00e1 al\u00e9m desses dois estados. Desses homens, nenhuma voz ecoa neste mundo. Teu Deus n\u00e3o est\u00e1 presente, nem ausente, pois Ele \u00e9 o Criador da presen\u00e7a e da aus\u00eancia\u201d (p. 262).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra \u00e9 como o sol. 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