{"id":2211,"date":"2010-09-08T05:21:35","date_gmt":"2010-09-08T08:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2211"},"modified":"2010-09-08T05:21:35","modified_gmt":"2010-09-08T08:21:35","slug":"dom-cristiano-meu-velho-e-sabio-conselheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/09\/08\/dom-cristiano-meu-velho-e-sabio-conselheiro\/","title":{"rendered":"Dom Cristiano, meu velho e s\u00e1bio conselheiro"},"content":{"rendered":"<p>\u201cVejo que h\u00e1 mudan\u00e7as sutis se processando, e isso me deixa feliz\u201d. Ergui os olhos. Na semiobscuridade de uma madrugada que come\u00e7ava a se fazer aurora, pude divisar a doce e querida figura de Dom Cristiano, meu velho e s\u00e1bio conselheiro que tem sido companhia constante ao longo dos \u00faltimos sete\u00a0meses. Por mais de uma vez cheguei a pensar que o tivesse perdido, talvez por me considerar indigno de sua companhia e orienta\u00e7\u00e3o, mais por minha estupidez e\u00a0 uma recalcitrante teimosia do que por qualquer outro motivo. Volto sempre a constatar, por\u00e9m, que n\u00e3o o havia perdido, de fato. Eles apenas se ocultara. Na verdade, nem mesmo se ausentara, pois, sem se fazer notar, sinto que tem estado presente em todos os momentos a me dar seu sustento, ainda que eu disse n\u00e3o me d\u00ea conta.<\/p>\n<p>Pois o velho, s\u00e1bio e querido Mestre estava de volta. H\u00e1 tantos meses n\u00e3o o via. Postava-me quedo ante a tela do computador, os dedos prontos para digitar qualquer texto que me ditasse a inspira\u00e7\u00e3o, mas nada sa\u00eda. Foi quando ele se fez notar antecedido por discreto barulho, um leve tilintar de sino. Os sinos, ah!, os sinos, eles sempre anunciam anjos e outras bondosas figuras que nos sust\u00eam sem que disso nos demos conta. Mas eles est\u00e3o l\u00e1, eles est\u00e3o sempre l\u00e1, prontos para entrar em a\u00e7\u00e3o quando se faz necess\u00e1rio. Comigo tem sido assim, com A&#8230; e Dom Cristiano. T\u00eam se mostrado sempre dispon\u00edveis. Por A&#8230; tenho chamado n\u00e3o poucas vezes, talvez por ter estabelecido uma maior intimidade com ele. Sua apar\u00eancia mais jovem, um certo ar de crian\u00e7a, de inoc\u00eancia, talvez tenha facilitado tal intimidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 com Dom Cristiano a rela\u00e7\u00e3o tem sido diferente. Este ar de velho s\u00e1bio, a carregar consigo a sabedoria dos s\u00e9culos, me faz, n\u00e3o raras vezes, temer uma intimidade mais estreita. Por isso tenho mantido, at\u00e9 o momento, uma certa dist\u00e2ncia, uma respeitosa dist\u00e2ncia. Saber que estou diante da sapi\u00eancia em pessoa me deixa assim, meio sem saber exatamente como agir.<\/p>\n<p>Tampouco ouso cham\u00e1-lo, ao contr\u00e1rio do que tenho feito em rela\u00e7\u00e3o a A&#8230; De qualquer maneira, acho que quando preciso ele se apresenta, no momento exato, na hora certa, por isso talvez n\u00e3o tenha ainda em ocasi\u00e3o alguma me sentido motivado a cham\u00e1-lo. Tampouco posso garantir que ele se mostraria, caso o chamasse. Hoje foi assim, eu estava precisando de sua presen\u00e7a, e ele pronta e solicitamente ouviu meu silencioso apelo. N\u00e3o precisei nem mesmo lembrar dele, a necessidade de sua presen\u00e7a foi suficiente para traz\u00ea-lo\u00a0a mim.<\/p>\n<p>Dormi t\u00e3o mal, tive uma noite t\u00e3o conturbada. H\u00e1 tanto cansa\u00e7o em mim. Acordei fora de tom. O que chamo de acordar fora de tom \u00e9 quando acordo me sentindo estranho a mim mesmo, assim sem um norte, sem um por que para a vida, sei l\u00e1, \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil dizer&#8230; Tentei ler, n\u00e3o consegui. A\u00ed liguei o computador. N\u00e3o demorou muito para que ele aparecesse. Sentir a presen\u00e7a de sua figura iluminada \u00e9 suficiente para me encher de luz. Dele emana tanta paz. Meu ser todo se sente apaziguado, \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o tal a que experimento durante estes contatos que, por mais que eu tentasse, n\u00e3o conseguiria dizer em palavras o bem-estar que toma conta de mim. Fico todo centrado, absolutamente centrado. Eu sou todo eu mesmo, corpo, alma, esp\u00edrito. A presen\u00e7a de Dom Cristiano me faz sentir a verdade das palavras <em>Eu sou<\/em>. Quando ele se esvanece, deixa sempre um suave perfume no ar&#8230; e uma enorme, uma incomensur\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de onipresen\u00e7a onisciente. Como me aconteceu h\u00e1 pouco. \u00c9 quase um \u00eaxtase&#8230; Mas certas coisas n\u00e3o s\u00e3o verbaliz\u00e1veis. Sente-se, e isso \u00e9 tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cVejo que h\u00e1 mudan\u00e7as sutis se processando, e isso me deixa feliz\u201d. Ergui os olhos. 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