{"id":237,"date":"2009-07-29T06:21:35","date_gmt":"2009-07-29T11:21:35","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=237"},"modified":"2009-07-29T06:21:35","modified_gmt":"2009-07-29T11:21:35","slug":"reminiscencias-fotograficas-de-clarice","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/07\/29\/reminiscencias-fotograficas-de-clarice\/","title":{"rendered":"Reminisc\u00eancias fotogr\u00e1ficas de Clarice"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000080\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-238\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/clarice.jpg\" alt=\"clarice\" width=\"222\" height=\"320\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/07\/clarice.jpg 222w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/07\/clarice-120x173.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/>N\u00e3o pense que a pessoa tem tanta for\u00e7a assim a ponto de levar qualquer esp\u00e9cie de vida e continuar a mesma. At\u00e9 cortar os pr\u00f3prios defeitos pode ser perigoso &#8211; nunca se sabe qual \u00e9 o defeito que sustenta nosso edif\u00edcio inteiro. Nem sei como lhe explicar minha alma. Mas o que eu queria dizer \u00e9 que a gente \u00e9 muito preciosa, e que \u00e9 somente at\u00e9 um certo ponto que a gente pode desistir de si pr\u00f3pria e se dar aos outros e \u00e0s circunst\u00e2ncias. Depois que uma pessoa perder o respeito a si mesma e o respeito \u00e0s suas pr\u00f3prias necessidades &#8211; depois disso fica-se um pouco um trapo.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><em>Clarice Lispector<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\"><em>[Carta de Clarice Lispector \u00e0 irm\u00e3 Tania Kaufmann. Publicada em: Clarice Fotobiografia. N\u00e1dia Battella Gotlib. &#8211; S\u00e3o Paulo: Editora da Universidade de S\u00e3o Paulo; Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo, 2008, p. 232]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Foi com intensa emo\u00e7\u00e3o que folheei as primeiras p\u00e1ginas do livro &#8220;Clarice Fotobiografia&#8221;. A autora, N\u00e1dia Battella Gotlib, j\u00e1 havia publicado antes, em 1995, um outro excelente livro, &#8220;Clarice, uma Vida que se Conta&#8221;, tratando da mesma personagem, a escritora Clarice Lispector.<\/p>\n<p>Para mim, na constela\u00e7\u00e3o de escritores brasileiros, Clarice ser\u00e1 sempre a eterna estrela. H\u00e1 v\u00e1rios escritores e escritoras brasileiros cuja leitura me causa intenso deleite. Mas h\u00e1 dois, um escritor e uma escritora, que considero muito mais que escritores: s\u00e3o Mestres. A estes dois tenho retornado sempre com renovado prazer. Refiro-me a Machado de Assis e Clarice Lispector. Se a mim n\u00e3o tivesse sido poss\u00edvel ler quaisquer outros livros que n\u00e3o os de Machado e Clarice, eu j\u00e1 me daria por bastante satisfeito.<\/p>\n<p>Pois bem, os apaixonados por Clarice t\u00eam, agora, a oportunidade de incluir em sua biblioteca particular um livro que vai lhes proporcionar o imenso prazer de ter contato com um vasto material iconogr\u00e1fico sobre a escritora. \u00a0<\/p>\n<p>O livro publicado por Nat\u00e1lia Battella Gotlib \u00e9 resultado de uma exaustiva pesquisa, que resultou na compila\u00e7\u00e3o de vasto material, o qual inclui fotografias, cartas e outros documentos. A prop\u00f3sito da organiza\u00e7\u00e3o do livro, afirma a autora:<\/p>\n<p>&#8220;O desejo de criar uma <em>Fotobiografia<\/em> de Clarice Lispector, como a que aqui se prop\u00f5e, \u00e9 projeto antigo. Comecei a reunir imagens paralelamente \u00e0 leitura dos seus textos, enquanto preparava cursos destinados a estudantes universit\u00e1rios. Eram imagens xerografadas, coletadas a partir de reprodu\u00e7\u00f5es encontradas em jornais e revistas, e, depois, em arquivos de tais peri\u00f3dicos, que eu guardava, com a inten\u00e7\u00e3o de um dia organiz\u00e1-las em fun\u00e7\u00e3o da sua contextualiza\u00e7\u00e3o que, na \u00e9poca, me era quase desconhecida: quando teriam sido tiradas as fotos, em que local, em que circunst\u00e2ncia?&#8221; (p. 11).<\/p>\n<p>O livro tem mais de seiscentas p\u00e1ginas e apresenta em torno de oitocentas fotografias. Quanto ao projeto de editar uma fotobiografia de Clarice, afirma a autora que, a certa altura, indagou a si mesma: &#8220;Percorridas as etapas e definidas a formata\u00e7\u00e3o e diagrama\u00e7\u00e3o, \u00e9 inevit\u00e1vel ocorrer tamb\u00e9m uma pergunta: por que fotobiografar Clarice? N\u00e3o seria recomend\u00e1vel que ela ficasse ali, no seu lugar, que \u00e9 o da sua literatura, lugar de destaque conferido pelos seus j\u00e1 numerosos leitores, gra\u00e7as \u00e0 qualidade est\u00e9tica inovadora de seus textos, marcados por denso e surpreendente poder desconstrutor?&#8221; (p. 13).<\/p>\n<p>Recorrendo a Roland Barthes, a pr\u00f3pria autora prop\u00f5e uma poss\u00edvel resposta \u00e0 indaga\u00e7\u00e3o: &#8220;Talvez Roland Barhes ajude a entender esse impulso em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 figura do autor, de quem ficam apenas as cinzas, a partir de cada obra publicada. Pois ao terminar sua obra, o autor dela se desprende. E nos deixa diante apenas da sua literatura. A Clarice-Autora \u00e9, pois, uma outra, a que desaparece pela for\u00e7a da sua pr\u00f3pria cria\u00e7\u00e3o. No entanto, esse autor morto, de certa forma, parece reviver mediante o resgate documental. Fotos, documentos, depoimentos, encontros, viagens, rela\u00e7\u00f5es sociais e profissionais, dados, enfim, que parecem adormecidos, adquirem certa vida, ou sobrevida, a partir do registro visual&#8221; (p. 13).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o pense que a pessoa tem tanta for\u00e7a assim a ponto de levar qualquer esp\u00e9cie de vida e continuar a mesma. At\u00e9 cortar os pr\u00f3prios&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-237","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=237"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}