{"id":245,"date":"2009-07-30T06:21:31","date_gmt":"2009-07-30T11:21:31","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=245"},"modified":"2009-07-30T06:21:31","modified_gmt":"2009-07-30T11:21:31","slug":"da-santidade-e-seu-fascinio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/07\/30\/da-santidade-e-seu-fascinio\/","title":{"rendered":"Da santidade e seu fasc\u00ednio"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #000080\">Mas o que se costuma dizer \u00e9 que existe um div\u00f3rcio cl\u00e1ssico entre a carne, o prazer carnal, o gozo e Deus, o espiritual, o religioso, a santidade. &#8220;O santo \u00e9 puro esp\u00edrito&#8221;, diz-se. Mas n\u00e3o, em absoluto. O santo \u00e9 um homem &#8211; uma mulher &#8211; em cujo corpo reverberaram t\u00e3o violentamente os impulsos do amor que sua alma desliga-se do envolt\u00f3rio corp\u00f3reo para evadir-se pelas esferas t\u00e3o cobi\u00e7adas (ver drogas e consortes) da ess\u00eancia superior do ser. O santo \u00e9 uma forma avan\u00e7ada da humanidade. Deu alguns passos a mais nas metamorfoses do &#8220;Homo Sapiens&#8221;. O santo nos interessa porque tem a sabedoria de ser louco, vale dizer, de ultrapassar as fronteiras do natural para inventariar outras formas de comunica\u00e7\u00e3o com o invis\u00edvel. Provavelmente ser\u00e1 alcan\u00e7ado pela ci\u00eancias nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, pois experimenta sozinho, sem ter pretendido, o campo das descobertas magn\u00e9ticas que o futuro est\u00e1 para nos revelar. Ele vibra com conhecimentos inexprim\u00edveis, pois n\u00e3o \u00e9 nem o cientista nem o t\u00e9cnico daquilo que vivencia.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">Elisabeth Reynaud<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Teresa de \u00c1vila ou o divino prazer. Trad. Cl\u00f3vis Marques. &#8211; S\u00e3o Paulo: Record, 2001, p. 13]<\/span><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em conversa esta semana com o amigo Francisco Tel\u00e9sforo Celestino, ele me dizia: &#8220;Gosto muito de ler, mas a leitura de que gosto mesmo \u00e9 a vida de santos&#8221;. No ato,\u00a0 perguntei-lhe se j\u00e1 havia lido a &#8220;Autobiografia&#8221; de Santo Ant\u00f4nio Maria Claret. Como me respondesse negativamente, naquela noite mesmo encaminhei-lhe um exemplar do livro com os melhores votos de uma agrad\u00e1vel leitura. \u00c9 um h\u00e1bito que adquiri h\u00e1 alguns anos, presentear livros sobre a vida de santos. Esse que mandei para meu amigo se tornou um dos mais presenteados desde que o li. Tenho sempre um de reserva comigo. Quando a oportunidade aparece, como ocorreu esta semana, l\u00e1 vai mais uma Autobiografia de presente.<\/p>\n<p>A exemplo do amigo a que me referi acima, tamb\u00e9m sou um apaixonado pela leitura da vida dos santos. Essa paix\u00e3o nasceu ainda na inf\u00e2ncia, quando li uma hist\u00f3ria de S\u00e3o Bosco narrada para crian\u00e7as. O t\u00edtulo da hist\u00f3ria era &#8220;Dom Bosco e seus bichinhos&#8221;. Contava eu, ent\u00e3o, dez anos de idade. Ap\u00f3s a leitura, Dom Bosco havia ganho mais um devoto, pois passei a rezar para ele todas as noites antes de dormir. Recordo que, por mais sonolento que eu estivesse, fazia um esfor\u00e7o para, sentado na rede, rezar tr\u00eas Ave Marias e oferec\u00ea-las a Dom Bosco e Nossa Senhora.<\/p>\n<p>Por que, se poderia indagar, todo esse interesse pela vida dos santos? No meu caso, acho dif\u00edcil encontrar uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. Certamente, n\u00e3o \u00e9 por querer imit\u00e1-los, almejando alcan\u00e7ar, um dia, a gl\u00f3ria dos altares. Longe de mim tal pretens\u00e3o. Esse interesse se deve, muito mais, talvez, \u00e0 singularidade revelada por estas vidas t\u00e3o extraordin\u00e1rias, t\u00e3o prenhes de fatos ins\u00f3litos que tocam, n\u00e3o raro, as f\u00edmbrias do imposs\u00edvel.<\/p>\n<p>N\u00e3o resta d\u00favida de que muitos feitos extraordin\u00e1rios atribu\u00eddos aos santos devem ser creditados \u00e0 crendice popular e \u00e0 lenda, n\u00e3o merecendo que se lhes conceda credibilidade. Em que pese, no entanto, essa constata\u00e7\u00e3o, n\u00e3o hesito em afirmar que h\u00e1 um n\u00famero igualmente grande de fatos realmente fant\u00e1sticos os quais tenho como express\u00f5es da mais absoluta verdade.<\/p>\n<p>Estou absolutamente de acordo com Elisabeth Reynaud quando afirma: &#8220;O santo \u00e9 uma forma avan\u00e7ada da humanidade&#8221;. Os santos s\u00e3o, antes de tudo, pessoas altamente centradas, pois atingiram o mais alto grau de autoconsci\u00eancia poss\u00edvel a um ser humano. Isso os torna capazes de realizar e experimentar o que n\u00f3s, comuns mortais, elencamos no rol dos feitos extraordin\u00e1rios. Quanto se l\u00ea a vida de um Santo Ant\u00f4nio de P\u00e1dua, um S\u00e3o Francisco de Assis, um Santo Ant\u00f4nio Maria Claret ou de outros tantos que aqui eu poderia citar, ficamos boquiabertos ao constatar que aquilo que para n\u00f3s parece extraordin\u00e1rio, parece imposs\u00edvel, para eles era quase o trivial, o comum. Apenas para citar um exemplo, quero lembrar aqui Santa Teresa d&#8217;\u00c1vila, que tinha que fazer um enorme esfor\u00e7o para n\u00e3o levitar, devido ao inc\u00f4modo que a situa\u00e7\u00e3o lhe causava. Para qualquer um de n\u00f3s, por\u00e9m, pessoas comuns, levitar \u00e9 n\u00e3o mais que uma impossibilidade.<\/p>\n<p>Diz Elisabeth Reynaud, no livro &#8220;Teresa de \u00c1vila ou o divino prazer&#8221;, do qual tirei o trecho citado em ep\u00edgrafe a este texto: &#8220;Recebemos aquilo que pedimos&#8221; (p. 13). O santo pede tudo. Ele pede O Todo. Mas antes de pedir tudo e O Todo, ele d\u00e1 tudo e se d\u00e1 todo. Por isso est\u00e1 apto a receber tudo e o Todo. Fazendo-se um com o Todo, de Quem tudo recebe, para ele n\u00e3o h\u00e1 mais imposs\u00edvel: ele, ent\u00e3o, pode tudo, pois, conforme assevera o texto b\u00edblico, &#8220;As coisas imposs\u00edveis aos homens s\u00e3o poss\u00edveis a Deus&#8221; (Lc. 18,27).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mas o que se costuma dizer \u00e9 que existe um div\u00f3rcio cl\u00e1ssico entre a carne, o prazer carnal, o gozo e Deus, o espiritual, o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[29,37],"tags":[],"class_list":["post-245","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-25-subida-do-monte-carmelo","category-34-conversa-de-hagiologo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=245"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/245\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}