{"id":2509,"date":"2010-11-02T10:03:08","date_gmt":"2010-11-02T13:03:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2509"},"modified":"2010-11-02T10:03:08","modified_gmt":"2010-11-02T13:03:08","slug":"sublinhar-frases-em-livros-um-exercicio-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/11\/02\/sublinhar-frases-em-livros-um-exercicio-espiritual\/","title":{"rendered":"Sublinhar frases em livros, um exerc\u00edcio espiritual"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2510\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/sublinhar-frases-em-livros-um-exercicio-espiritual\/jcampbell\/\" rel=\"attachment wp-att-2510\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2510\" class=\"size-thumbnail wp-image-2510\" alt=\"\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/11\/jcampbell-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2510\" class=\"wp-caption-text\">Joseph Campbell (1904-1987)<\/p><\/div>\n<p>De minha parte, bem, uma vez Alan Watts me perguntou qual era o meu exerc\u00edcio espiritual. Eu respondi: \u201cEu sublinho frases em livros\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Joseph Campbell<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Campbell, Joseph.<\/em> <strong>Mito e transforma\u00e7\u00e3o<\/strong><em>. Organiza\u00e7\u00e3o e pref\u00e1cio de David Kudler; tradu\u00e7\u00e3o Frederico N. Ramos. \u2013 S\u00e3o Paulo: \u00c1gora, 2008, p. 160. (As obras reunidas de Joseph Campbell).]<\/em><\/span><\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi antes neste blog sobre Joseph Campbell, o grande mit\u00f3logo norte-americano (1904-1987). Campbell foi um apaixonado pela mitologia. Dedicou-se integralmente ao estudo dos mitos, deixando, ao final dos seus oitenta e tr\u00eas bem vividos anos, uma obra vasta e profunda, na qual disseca os mitos de povos os mais diversos sob v\u00e1rias perspectivas. A medida que fui descobrindo seus escritos, mais e mais me tornei um aficionado por esse autor. Leio seus textos com enorme prazer, como verdadeiras li\u00e7\u00f5es de vida. O diferencial de Joseph Campbell como estudioso dos mitos pode ser creditada \u00e0 forma peculiar como ele aborda o assunto. O seu interesse no estudo da mitologia n\u00e3o \u00e9 exclusivamente acad\u00eamico, cient\u00edfico. Para ele, os mitos s\u00e3o padr\u00f5es que servem como guias para a vida.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s, de alguma forma, vivemos padr\u00f5es arquet\u00edpicos. Esses arqu\u00e9tipos s\u00e3o expressos atrav\u00e9s dos mitos. Resta-nos descobrir que mito ou mitos estamos vivendo, para que, assim, possamos tirar proveito dessa estrutura que subjaz \u00e0 nossa exist\u00eancia. Campbell se deleitava em falar desses arqu\u00e9tipos. \u00a0Como afirmou v\u00e1rias vezes, ele era um homem que gostava de contar hist\u00f3rias. Isso \u00e9 verdade, e ele sempre o fez de forma deliciosa. Nesse ato de contar hist\u00f3rias, ele as trazia para a vida di\u00e1ria, para o nosso cotidiano. Lendo os textos de Campbell percebemos que os her\u00f3is m\u00edticos est\u00e3o bem pr\u00f3ximos de cada um de n\u00f3s, na verdade, acabamos por concluir que tais her\u00f3is somos n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>Junto com a narra\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o dos mitos, o autor faz entrar em cena, tamb\u00e9m, os ritos, que s\u00e3o a dramatiza\u00e7\u00e3o daqueles. Numa defini\u00e7\u00e3o bem sucinta pode-se afirmar que o rito \u00e9 o mito teatralizado. Tamb\u00e9m nesse caso acabamos por perceber o quanto n\u00f3s, humanos, somos ritualistas. De minha parte posso dizer que eu n\u00e3o conseguiria viver sem meus mitos pessoais nem, muito menos, sem os ritos atrav\u00e9s dos quais os atualizo diariamente.<\/p>\n<p>Campbell leu muito, foi um verdadeiro erudito. Seu conhecimento da mitologia universal era enciclop\u00e9dico. Certa vez, durante uma rodada de perguntas ap\u00f3s uma de suas palestras que atra\u00edam admiradores onde quer que fossem realizadas, uma mulher indagou: \u201cE o que o senhor faz, sr. Campbell? Qual \u00e9 a sua imagem de Deus?\u201d Respondeu o palestrante: \u201c\u00c9 muito divertido responder a essa pergunta. \u00b4Sr. Campbell, o que o senhor faz?` Ora, eu escrevo e leio sobre mitologia\u201d. O melhor, por\u00e9m, o que mais me encantou, a mim, que sou um inveterado leitor, foi o que Campbell disse a seguir: \u00a0\u201cDe minha parte, bem, uma vez Alan Watts me perguntou qual era o meu exerc\u00edcio espiritual. Eu respondi: \u00b4Eu sublinho frases em livros\u00b4\u201d (p. 160).<\/p>\n<p>Senti-me, a exemplo do que j\u00e1 acontecera tantas vezes durante minhas leituras dos textos de Joseph Campbell, mais uma vez maravilhado com suas palavras. Elas proporcionaram-me um grande insight: imaginem, o ato de sublinhar livros como exerc\u00edcio espiritual! O fato \u00e9 que, embora nunca o tenha encarado dessa forma, eu tamb\u00e9m sublinho livros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De minha parte, bem, uma vez Alan Watts me perguntou qual era o meu exerc\u00edcio espiritual. Eu respondi: \u201cEu sublinho frases em livros\u201d.<br \/>\nJoseph Campbell<br \/>\n[Campbell, Joseph. Mito e transforma\u00e7\u00e3o. Organiza\u00e7\u00e3o e pref\u00e1cio de David Kudler; tradu\u00e7\u00e3o Frederico N. Ramos. \u2013 S\u00e3o Paulo: \u00c1gora, 2008, p. 160. (As obras reunidas de Joseph Campbell).]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":2510,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[],"class_list":["post-2509","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-20-esoterismo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2509","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2509"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2509\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2510"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2509"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2509"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2509"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}