{"id":2526,"date":"2010-11-30T00:40:55","date_gmt":"2010-11-30T03:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2526"},"modified":"2010-11-30T00:40:55","modified_gmt":"2010-11-30T03:40:55","slug":"santo-agostinho-e-o-mestre-interior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/11\/30\/santo-agostinho-e-o-mestre-interior\/","title":{"rendered":"Santo Agostinho e o mestre interior"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Agostinho foi professor de ret\u00f3rica; \u00e9 dotado de sutil intui\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, de um poderoso fasc\u00ednio e de uma excepcional capacidade de dom\u00ednio de si e do p\u00fablico; de uma cultura teol\u00f3gica vasta e profunda; tem um zelo pastoral alt\u00edssimo e \u00edntima familiaridade com seu p\u00fablico. Dados esses pressupostos, compreende-se que para o maduro Agostinho \u00e9 suficiente como prepara\u00e7\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e um pouco de reflex\u00e3o antes da prega\u00e7\u00e3o. (&#8230;) A prega\u00e7\u00e3o frequente (como bispo prega uma vez por dia e, \u00e0s vezes, ainda mais), seu temperamento nervoso e sua intelig\u00eancia exuberante mal o predisporiam a uma prepara\u00e7\u00e3o prolongada de seus serm\u00f5es. A impress\u00e3o que nos causa a leitura de seus discursos \u00e9 exatamente a que expressamos acima; acrescente-se a isso que a rela\u00e7\u00e3o constante e \u00edntima com o mestre interior \u00e9 fonte inexaur\u00edvel de prega\u00e7\u00e3o, tanto mais que Agostinho frequentemente muda seus discursos em ora\u00e7\u00e3o dirigida a Deus.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Ottorino Pasquato<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Pasquato, Ottorino. Verbete:<\/em><strong> Santo Agostinho<\/strong><em>. Em: Sodi, Manlio e Triacca, Achille M. (orgs.) com a colabora\u00e7\u00e3o de 195 peritos.<\/em> <strong>Dicion\u00e1rio de Homil\u00e9tica<\/strong><em>. Apresenta\u00e7\u00e3o de S. Em\u00aa. o Cardeal Silvano Piovanelli, Arcebispo de Floren\u00e7a; pref\u00e1cio de Sergio Zavoli, Jornalista e escritor; tradu\u00e7\u00e3o Orlando Soares Moreira e Silvana Cobucci Leite. S\u00e3o Paulo: Paulus: Loyola, 2010, p. 24.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>No verbete sobre Santo Agostinho, escrito para o Dicion\u00e1rio de Homil\u00e9tica, Ottorino Pasquato se refere \u00e0 rela\u00e7\u00e3o do bispo de Hipona com o mestre interior. Essa rela\u00e7\u00e3o era t\u00e3o \u00edntima e dotada de tanta for\u00e7a e poder, a ponto de lev\u00e1-lo, em algumas ocasi\u00f5es, a modificar suas homilias quando assim se sentia motivado ap\u00f3s postar-se em ora\u00e7\u00e3o, ocasi\u00e3o em que entrava em contato com esse mestre.<\/p>\n<p>A exemplo de Santo Agostinho, tamb\u00e9m acredito que todos n\u00f3s temos um mestre interior. Este mestre nos \u00e9 sempre acess\u00edvel, desde que saibamos como contat\u00e1-lo. Desse ponto de vista toda vida segue uma dire\u00e7\u00e3o, um itiner\u00e1rio, que aponta para um determinado fim ou objetivo. Em resumo, estou querendo dizer que a vida tem um sentido, que n\u00e3o estamos aqui por acaso. Creio, de fato, que todos temos uma determinada miss\u00e3o a cumprir.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes hesito um pouco em usar esse voc\u00e1bulo, miss\u00e3o, quando trato deste assunto, porque o considero carregado de um peso valorativo muito denso. Quando se fala em miss\u00e3o pode soar como algo que temos obrigatoriamente que cumprir. Bem, at\u00e9 onde vai a obrigatoriedade, n\u00e3o posso afirma-lo, mas, ainda assim, pressuponho uma meta para toda exist\u00eancia individual. Talvez no cumprimento de tal meta reste algo para a livre escolha, a autodetermina\u00e7\u00e3o, mas quando se observa uma vida em seus detalhes, quando se come\u00e7a a montar as pe\u00e7as do quebra-cabe\u00e7as, percebe-se uma coer\u00eancia tal que n\u00e3o d\u00e1 para desacreditar que aquela vida n\u00e3o tenha cumprido um prop\u00f3sito, realizado uma meta que somente a ela cabia.<\/p>\n<p>Partindo do pressuposto de que temos uma meta a cumprir, podemos passar ao segundo t\u00f3pico do nosso texto, qual seja, como tomar consci\u00eancia de qual \u00e9 a meta que cabe a cada um de n\u00f3s. Se temos, de fato, um objetivo, digamos, uma miss\u00e3o que nos foi confiada, para que a realizemos temos que estar cientes de qual seja ela. Essa clareza, no entanto, talvez a maioria de n\u00f3s n\u00e3o tenha. Discerni-la, portanto, \u00e9 o primeiro passo para que possamos dar conta dela da melhor forma poss\u00edvel.<\/p>\n<p>\u00c9 a\u00ed que entra em cena o importante papel do mestre interior. Quando conseguimos acessar esse mestre, pode-se ter certeza de que novas e promissoras possibilidades se abrem para n\u00f3s. Isso porque ele, o mestre interior, \u00e9 fonte de uma grande sabedoria e conhecimento. E toda essa riqueza, n\u00e3o se tenha d\u00favidas, est\u00e1 l\u00e1, adormecida em nosso interior como se fosse um ba\u00fa que guarda um tesouro de inestim\u00e1vel valor. Uma vez que contatemos o mestre interior, o ba\u00fa \u00e9 aberto e o tesouro nos \u00e9 mostrado. E qual \u00e9 esse tesouro?<\/p>\n<p>Ora, conforme a tradi\u00e7\u00e3o, todos sabemos que o acesso aos tesouros em geral come\u00e7a pela descoberta de um mapa que lhes indica a localiza\u00e7\u00e3o. Pois bem, em se tratando do mestre interior, o tesouro maior que ele nos proporciona \u00e9 o mapa da jornada que cada um de n\u00f3s deve cumprir ao longo da vida. Uma vez tendo estabelecido o contato com ele, resta-nos seguir as instru\u00e7\u00f5es que iremos recebendo ao longo da rota. \u201cMas como fazer para entrar em contato com esse mestre?\u201d, indagar\u00e3o alguns leitores. A essa pergunta responder\u00edamos que existem expedientes para isso. Um deles, provavelmente um dos mais eficazes, \u00e9 exatamente aquele de que se valia Agostinho de Hipona, a ora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agostinho foi professor de ret\u00f3rica; \u00e9 dotado de sutil intui\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, de um poderoso fasc\u00ednio e de uma excepcional capacidade de dom\u00ednio de si e do p\u00fablico; de uma cultura teol\u00f3gica vasta e profunda; tem um zelo pastoral alt\u00edssimo e \u00edntima familiaridade com seu p\u00fablico. Dados esses pressupostos, compreende-se que para o maduro Agostinho \u00e9 suficiente como prepara\u00e7\u00e3o a ora\u00e7\u00e3o e um pouco de reflex\u00e3o antes da prega\u00e7\u00e3o. (&#8230;) A prega\u00e7\u00e3o frequente (como bispo prega uma vez por dia e, \u00e0s vezes, ainda mais), seu temperamento nervoso e sua intelig\u00eancia exuberante mal o predisporiam a uma prepara\u00e7\u00e3o prolongada de seus serm\u00f5es. A impress\u00e3o que nos causa a leitura de seus discursos \u00e9 exatamente a que expressamos acima; acrescente-se a isso que a rela\u00e7\u00e3o constante e \u00edntima com o mestre interior \u00e9 fonte inexaur\u00edvel de prega\u00e7\u00e3o, tanto mais que Agostinho frequentemente muda seus discursos em ora\u00e7\u00e3o dirigida a Deus.<br \/>\nOttorino Pasquato<br \/>\n[Pasquato, Ottorino. Verbete: Santo Agostinho. Em: Sodi, Manlio e Triacca, Achille M. (orgs.) com a colabora\u00e7\u00e3o de 195 peritos. Dicion\u00e1rio de Homil\u00e9tica. Apresenta\u00e7\u00e3o de S. Em\u00aa. o Cardeal Silvano Piovanelli, Arcebispo de Floren\u00e7a; pref\u00e1cio de Sergio Zavoli, Jornalista e escritor; tradu\u00e7\u00e3o Orlando Soares Moreira e Silvana Cobucci Leite. S\u00e3o Paulo: Paulus: Loyola, 2010, p. 24.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-2526","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-37-conversas-a-margem-do-lago-em-tagaste"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2526"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2526\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}