{"id":2597,"date":"2010-11-18T08:05:13","date_gmt":"2010-11-18T11:05:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2597"},"modified":"2010-11-18T08:05:13","modified_gmt":"2010-11-18T11:05:13","slug":"submerso-na-luz-do-abismo-de-sabedoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/11\/18\/submerso-na-luz-do-abismo-de-sabedoria\/","title":{"rendered":"Submerso na luz do abismo de Sabedoria"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">A forma mais divina de conhecimento \u00e9 aquela a que se chega por meio do conhecimento adulto, segundo a unifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 ensejo a que a capacidade da mente transcenda; quando a mente, separando-se de todas as coisas e, numa segunda fase, abandonando-se a si mesma, \u00e9 levada pelo processo unitivo a unir-se aos raios de transcendente esplendor; e l\u00e1 e c\u00e1, embora permane\u00e7a [ela mesma], submerge inteiramente na luz do abismo de Sabedoria, cuja profundidade n\u00e3o consegue indagar.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">S\u00e3o Dion\u00edsio de Alexandria<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Citado em: Sgarbossa, Mario.<\/em> <strong>Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o Armando Braio Ara. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003, p. 649.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>No texto postado neste blog no dia 25 de outubro, <em>Chutando o pau da barraca<\/em>, ao me referir \u00e0 crise da meia-idade afirmei que quando algu\u00e9m entra nessa fase da exist\u00eancia, lhe \u00e9 solicitada uma ressignifica\u00e7\u00e3o da vida. Tal ressignifica\u00e7\u00e3o, no entanto, quando vista sob a perspectiva da psicologia junguiana, des\u00e1gua, necessariamente, na busca de um sentido espiritual. Isso quer dizer que o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a transcend\u00eancia dos padr\u00f5es mentais de organiza\u00e7\u00e3o habitual da vida. Urge, portanto, que a pessoa que se encontra imersa nesse processo encontre formas adequadas de transcend\u00eancia, a fim de que a mente possa dar o salto necess\u00e1rio para atingir a outra margem, apropriando-se de um novo saber. \u00c9 esse novo saber que poder\u00e1 conferir \u00e0 vida um novo significado, um novo sentido e, portanto, proporcionar a almejada mudan\u00e7a de rumo.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um processo f\u00e1cil, muito pelo contr\u00e1rio. Mudar exige esfor\u00e7o, e que esfor\u00e7o! Exige compromisso, responsabilidade, seriedade e perseveran\u00e7a. Penso que no momento que a humanidade atravessa a tarefa se torna mais dif\u00edcil do que em d\u00e9cadas passadas. Isso porque, de um modo geral, a maioria das pessoas n\u00e3o respeita mais o processo pelo qual as coisas acontecem. Como j\u00e1 tive oportunidade de mencionar em outro texto postado neste blog, querem os fins, mas n\u00e3o querem os meios.<\/p>\n<p>Ora, acontece que, quem quer chegar a um determinado lugar, deve, necessariamente, percorrer um itiner\u00e1rio, seguir um percurso. Tal percurso pode, evidentemente, ser percorrido de formas diversas. Um ir\u00e1 de carro, outro preferir\u00e1 faz\u00ea-lo de trem ou de navio e um terceiro poder\u00e1 torn\u00e1-lo mais r\u00e1pido tomando um avi\u00e3o. O que vai determinar a forma como o percurso ser\u00e1 feito \u00e9 uma soma de fatores diversos, que tem muito a ver com a hist\u00f3ria de vida da pr\u00f3pria pessoa, al\u00e9m de uma certa liberdade que cada um tem de escolher a que mais lhe convenha. Mas cumprir o percurso \u00e9 inevit\u00e1vel, quanto a isso, n\u00e3o h\u00e1 outra alternativa.<\/p>\n<p>Esse percurso, que Jung chamou de <em>processo de individua\u00e7\u00e3o<\/em>, exige que a pessoa aceite abrir m\u00e3o de alguns esquemas mentais que come\u00e7am a se revelar obsoletos, uma vez que n\u00e3o podem mais servir de sustent\u00e1culo \u00e0 vida. Isso acontece porque uma nova l\u00f3gica, um novo olhar sobre o mundo e a exist\u00eancia est\u00e3o se imiscuindo, se insinuando, exigindo que velhas perspectivas at\u00e9 ent\u00e3o adotadas como filosofia de vida sejam deixadas de lado.<\/p>\n<p>Essa \u00e9, provavelmente, a maior dificuldade enfrentada. \u00c9 muito dif\u00edcil, na verdade penoso mesmo, abrir m\u00e3o de h\u00e1bitos e esquemas nos quais nos instalamos comodamente ao longo dos anos. O problema \u00e9 que, quando chega a crise da meia-idade, a pessoa come\u00e7a a perceber que eles n\u00e3o funcionam mais, come\u00e7am a se mostrar inadequados para a nova fase que j\u00e1 come\u00e7a a se insinuar.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente a\u00ed que uma grande coragem \u00e9 exigida. O novo assusta. Faz parte da natureza humana opor uma certa resist\u00eancia a tudo o que \u00e9 novo, diferente, especialmente quando se trata de comportamentos e esquemas mentais de pensamento. Transformar uma vis\u00e3o de mundo n\u00e3o \u00e9 coisa que se fa\u00e7a da noite para o dia. \u00c9 por esse motivo que insistimos na necessidade, ou melhor, na inevitabilidade do processo. Essa mudan\u00e7a assusta porque, sob diversos aspectos, \u00e9 como se d\u00e9ssemos um salto num abismo, sem saber o que tem l\u00e1 embaixo. Um profundo e obscuro abismo de densas e apavorantes trevas se abre diante da pessoa neste momento.<\/p>\n<p>Apesar do medo que inevitavelmente se ter\u00e1 que enfrentar,\u00a0uma coisa n\u00e3o\u00a0pode ser esquecida:\u00a0s\u00f3 aceitando o convite do abismo se poder\u00e1 ter acesso ao grande pr\u00eamio, o qual n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o um novo saber sobre a vida. \u00c9 esse saber que vai proporcionar \u00e0 pessoa galgar um novo patamar nesta emocionante aventura que \u00e9 a exist\u00eancia humana, tornando uno o que estava fragmentado e dividido, o eu em processo de transmuta\u00e7\u00e3o e renascimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forma mais divina de conhecimento \u00e9 aquela a que se chega por meio do conhecimento adulto, segundo a unifica\u00e7\u00e3o que d\u00e1 ensejo a que a capacidade da mente transcenda; quando a mente, separando-se de todas as coisas e, numa segunda fase, abandonando-se a si mesma, \u00e9 levada pelo processo unitivo a unir-se aos raios de transcendente esplendor; e l\u00e1 e c\u00e1, embora permane\u00e7a [ela mesma], submerge inteiramente na luz do abismo de Sabedoria, cuja profundidade n\u00e3o consegue indagar.<\/p>\n<p>S\u00e3o Dion\u00edsio de Alexandria<\/p>\n<p>[Citado em: Sgarbossa, Mario. 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Tradu\u00e7\u00e3o Armando Braio Ara. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003, p. 649.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-2597","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2597","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2597"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2597\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}