{"id":2628,"date":"2010-11-21T13:07:50","date_gmt":"2010-11-21T16:07:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2628"},"modified":"2010-11-21T13:07:50","modified_gmt":"2010-11-21T16:07:50","slug":"entao-lhes-perguntou-e-vos-quem-dizeis-que-eu-sou-mt-1616-16","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/11\/21\/entao-lhes-perguntou-e-vos-quem-dizeis-que-eu-sou-mt-1616-16\/","title":{"rendered":"Ent\u00e3o lhes perguntou: \u201cE v\u00f3s, quem dizeis que eu sou?\u201d (Mt 16,15)"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #ff0000\"><a rel=\"attachment wp-att-2629\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/entao-lhes-perguntou-%e2%80%9ce-vos-quem-dizeis-que-eu-sou%e2%80%9d-mt-1616-16\/hoje-e-domingo-3\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-2629\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/11\/Hoje-\u00e9-Domingo1-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Uma das recorda\u00e7\u00f5es da minha adolesc\u00eancia \u00e9 a de ter lido um livro chamado Hist\u00f3ria Popular de Jesus. Se a mem\u00f3ria me n\u00e3o falha, o livro era uma tradu\u00e7\u00e3o do franc\u00eas e trazia ao fundo da capa o nome de Coimbra Editora. A Coimbra Editora \u2013 vim a sab\u00ea-lo mais tarde \u2013 era a livraria que editava tratados dos lentes da Universidade e outros livros igualmente importantes.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Devorei esse livro \u2013 \u00a0\u00e9 o termo \u2013 sentado na cama, \u00e0 luz do meu candeeiro de petr\u00f3leo. Foi esse o meu primeiro contacto com livros que falavam de Jesus. Depois, ao longo da vida, li muitos outros sobre o mesmo tema. Essas leituras punham-me problemas. E o primeiro era o seguinte: mas quem \u00e9, afinal, esse Jesus de Nazar\u00e9? Queria parecer-me que a orienta\u00e7\u00e3o da minha vida \u2013 e at\u00e9 a op\u00e7\u00e3o fundamental que nela havia de fazer \u2013 estava \u00a0dependente da resposta a esta pergunta.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Claro que li tamb\u00e9m a Vida de Jesus, de Renan, que a Chardron se apressou a traduzir para a nossa l\u00edngua, pouco tempo depois de ela ter aparecido no original franc\u00eas. Admirava o estilo sedutor do antigo escolar de S. Sulp\u00edcio, mas eu tinha a intui\u00e7\u00e3o que ali falhava alguma coisa de essencial. Se Jesus de Nazar\u00e9 era apenas o \u201cdoce Rabi da Galileia\u201d \u2013 como Renan gostava de dizer &#8211; , amigo das crian\u00e7as, dos pobres e dos pecadores, que era feito das palavras que ele dissera sobre si mesmo (Eu sou o senhor do S\u00e1bado, e outras semelhantes) e sobre o seu Pai celeste, dos milagres que fizera? E, sobretudo, como explicar a f\u00e9 dos primeiros disc\u00edpulos em que ele, depois de morto \u2013 e bem morto -, havia ressuscitado? Alucina\u00e7\u00e3o coletiva da parte deles? Ou, ent\u00e3o, o amor apaixonado de Maria Madalena, que tinha confundido Jesus com o jardineiro e incutira nos disc\u00edpulos a ideia de que ele estava vivo?<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Mas, ao meu esp\u00edrito, tudo isso parecia fantasioso. Passar o l\u00e1pis azul sobre os milagres de Jesus como se n\u00e3o pertencessem \u00e0 hist\u00f3ria, mas fossem forma\u00e7\u00f5es lend\u00e1rias \u2013 \u00e0 maneira do Sans\u00e3o b\u00edblico ou da pedreira de Aljubarrota -, era enveredar por caminhos mais inveross\u00edmeis do que o da aceita\u00e7\u00e3o dos milagres, designadamente o da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Quando se parte do princ\u00edpio de que \u201cDeus n\u00e3o existe\u201d e de que, consequentemente, \u201cos milagres s\u00e3o imposs\u00edveis\u201d, fica o campo aberto para aceitar todas as acrobacias do esp\u00edrito, mesmo que estas contradigam o testemunho hist\u00f3rico e rocem pelo absurdo.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Nunca mais deixei de ler livros sobre Jesus. E cada vez se acentuou mais no meu esp\u00edrito que o crente tem na m\u00e3o a \u00fanica chave que d\u00e1 na fechadura; que as outras chaves (sejam elas a da escola cr\u00edtica \u2013 \u00e0 maneira de Renan \u2013 ou da escola m\u00edtica \u2013 segundo o modelo de Strauss) \u2013 t\u00eam ranhuras diferentes que n\u00e3o se adaptam \u00e1 fenda da fechadura; que, negando dados hist\u00f3ricos incontest\u00e1veis, se torce a chave e, com a chave assim torcida, n\u00e3o se consegue abrir a porta&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Manuel de Almeida Trindade, Bispo em\u00e9rito de Aveiro<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><em>[Trindade, Manuel de Almeida. <\/em><strong>Uma hist\u00f3ria popular de Jesus<\/strong><em>, texto\u00a0introdut\u00f3rio ao livro de Dante Alimenti,<\/em>\u00a0 <strong>Seguindo a Jesus<\/strong><em>. Volume 1. Editorial Verbo, 1991, p. 2.]<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das recorda\u00e7\u00f5es da minha adolesc\u00eancia \u00e9 a de ter lido um livro chamado Hist\u00f3ria Popular de Jesus. Se a mem\u00f3ria me n\u00e3o falha, o livro era uma tradu\u00e7\u00e3o do franc\u00eas e trazia ao fundo da capa o nome de Coimbra Editora. A Coimbra Editora \u2013 vim a sab\u00ea-lo mais tarde \u2013 era a livraria que editava tratados dos lentes da Universidade e outros livros igualmente importantes.<br \/>\nDevorei esse livro \u2013  \u00e9 o termo \u2013 sentado na cama, \u00e0 luz do meu candeeiro de petr\u00f3leo. Foi esse o meu primeiro contacto com livros que falavam de Jesus. Depois, ao longo da vida, li muitos outros sobre o mesmo tema. Essas leituras punham-me problemas. E o primeiro era o seguinte: mas quem \u00e9, afinal, esse Jesus de Nazar\u00e9? Queria parecer-me que a orienta\u00e7\u00e3o da minha vida \u2013 e at\u00e9 a op\u00e7\u00e3o fundamental que nela havia de fazer \u2013 estava  dependente da resposta a esta pergunta.<br \/>\nClaro que li tamb\u00e9m a Vida de Jesus, de Renan, que a Chardron se apressou a traduzir para a nossa l\u00edngua, pouco tempo depois de ela ter aparecido no original franc\u00eas. Admirava o estilo sedutor do antigo escolar de S. Sulp\u00edcio, mas eu tinha a intui\u00e7\u00e3o que ali falhava alguma coisa de essencial. Se Jesus de Nazar\u00e9 era apenas o \u201cdoce Rabi da Galileia\u201d \u2013 como Renan gostava de dizer &#8211; , amigo das crian\u00e7as, dos pobres e dos pecadores, que era feito das palavras que ele dissera sobre si mesmo (Eu sou o senhor do S\u00e1bado, e outras semelhantes) e sobre o seu Pai celeste, dos milagres que fizera? E, sobretudo, como explicar a f\u00e9 dos primeiros disc\u00edpulos em que ele, depois de morto \u2013 e bem morto -, havia ressuscitado? Alucina\u00e7\u00e3o coletiva da parte deles? Ou, ent\u00e3o, o amor apaixonado de Maria Madalena, que tinha confundido Jesus com o jardineiro e incutira nos disc\u00edpulos a ideia de que ele estava vivo?<br \/>\nMas, ao meu esp\u00edrito, tudo isso parecia fantasioso. Passar o l\u00e1pis azul sobre os milagres de Jesus como se n\u00e3o pertencessem \u00e0 hist\u00f3ria, mas fossem forma\u00e7\u00f5es lend\u00e1rias \u2013 \u00e0 maneira do Sans\u00e3o b\u00edblico ou da pedreira de Aljubarrota -, era enveredar por caminhos mais inveross\u00edmeis do que o da aceita\u00e7\u00e3o dos milagres, designadamente o da ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus. Quando se parte do princ\u00edpio de que \u201cDeus n\u00e3o existe\u201d e de que, consequentemente, \u201cos milagres s\u00e3o imposs\u00edveis\u201d, fica o campo aberto para aceitar todas as acrobacias do esp\u00edrito, mesmo que estas contradigam o testemunho hist\u00f3rico e rocem pelo absurdo.<br \/>\nNunca mais deixei de ler livros sobre Jesus. E cada vez se acentuou mais no meu esp\u00edrito que o crente tem na m\u00e3o a \u00fanica chave que d\u00e1 na fechadura; que as outras chaves (sejam elas a da escola cr\u00edtica \u2013 \u00e0 maneira de Renan \u2013 ou da escola m\u00edtica \u2013 segundo o modelo de Strauss) \u2013 t\u00eam ranhuras diferentes que n\u00e3o se adaptam \u00e1 fenda da fechadura; que, negando dados hist\u00f3ricos incontest\u00e1veis, se torce a chave e, com a chave assim torcida, n\u00e3o se consegue abrir a porta&#8230;<br \/>\nManuel de Almeida Trindade, Bispo em\u00e9rito de Aveiro<br \/>\n[Trindade, Manuel de Almeida. \u201cUma hist\u00f3ria popular de Jesus\u201d, texto introdut\u00f3rio ao livro de Dante Alimenti,  Seguindo a Jesus. Volume 1. Editorial Verbo, 1991, p. 2.] <\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":2629,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[15],"tags":[],"class_list":["post-2628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-01-arcano-i-hoje-e-domingo-dia-do-senhor"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2628\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}