{"id":2847,"date":"2010-12-07T10:26:15","date_gmt":"2010-12-07T13:26:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2847"},"modified":"2010-12-07T10:26:15","modified_gmt":"2010-12-07T13:26:15","slug":"uma-jornada-em-busca-de-si-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/12\/07\/uma-jornada-em-busca-de-si-mesmo\/","title":{"rendered":"Uma jornada em busca de si mesmo"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/uma-jornada-em-busca-de-si-mesmo\/vieira_1\/\" rel=\"attachment wp-att-2851\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-2851\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/12\/Vieira_1-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Peregrina\u00e7\u00e3o<em> \u00e9 o tipo de jornada que estabelece a diferen\u00e7a entre o atento e o negligente, entre o banal e o inspirado. Essa diferen\u00e7a pode ser sutil ou dram\u00e1tica; por defini\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 fundamental. Significa estar alerta para a ocasi\u00e3o, em que tudo o que se faz necess\u00e1rio numa viagem a um lugar remoto \u00e9 t\u00e3o-somente deixar-se <\/em>perder<em> a si pr\u00f3prio, e estar atento \u00e0 ocasi\u00e3o, em que tudo o que \u00e9 preciso \u00e9 uma jornada a um lugar sagrado, com todos os seus aspectos gloriosos e tem\u00edveis para o encontro consigo mesmo. Desde o mais remoto peregrino humano, a pergunta mais desafiadora tem sido: <\/em>como<em> viajar de modo mais s\u00e1bio, mais frut\u00edfero e mais nobre? Como podemos mobilizar a imagina\u00e7\u00e3o e animar nosso cora\u00e7\u00e3o de forma que possamos, em nossas jornadas especiais, \u201cver em toda a parte do mundo a inevit\u00e1vel express\u00e3o do conceito de infinito\u201d, nas palavras de Louis Pasteur; ou perceber, com Thoreau, \u201ca divina energia em toda a parte?\u201d Ou lembrando, como Evan Connell, de advertir os viajantes medievais: \u201cPasse ao largo daquilo que n\u00e3o ama\u201d.<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Phil Cosineau<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Cousineau, Phil.<\/em> <strong>A arte da peregrina\u00e7\u00e3o: para o viajante em busca do que lhe \u00e9 sagrado<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Carlos Lisboa. S\u00e3o Paulo: \u00c1gora, 1999, p. 23]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Sempre tive fasc\u00ednio por peregrina\u00e7\u00f5es. A primeira, realizei-a ainda adolescente, quando meu pai foi com nossa fam\u00edlia a Canind\u00e9. Ali tive a primeira oportunidade de estar entre peregrinos, pois ficamos hospedados no abrigo dos romeiros. Alguns anos depois, em 1982, peregrinei a Aparecida (SP), onde se encontra o santu\u00e1rio dedicado \u00e0 padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida. Mais tarde, resolvi ousar um pouco mais, e peregrinei \u00e0 \u00cdndia e ao Nepal, quando estive em santu\u00e1rios hindu\u00edstas, budistas e isl\u00e2micos. Na sequ\u00eancia, peregrinei a Juazeiro do Norte. Esse foi um dos momentos mais especiais da minha hist\u00f3ria de peregrino, devido ao contato que tive com os romeiros. Na ocasi\u00e3o, fiz, a p\u00e9, um percurso pouco usado pelos romeiros, ao longo do qual fui conduzido por duas crian\u00e7as, que me proporcionaram a maravilhosa experi\u00eancia de ouvir algumas m\u00edticas e m\u00edsticas hist\u00f3rias que s\u00f3 seriam poss\u00edveis acontecer na \u201cTerra do Padim Ci\u00e7o\u201d. Essas hist\u00f3rias est\u00e3o relatadas num Di\u00e1rio, inclusive com fotografias dos meus pequenos guias.<\/p>\n<p>Depois de Juazeiro, dei um voo mais alto e realizei a peregrina\u00e7\u00e3o que permanecia como um dos meus objetivos mais ousados: o Tibet. Eu e mais tr\u00eas brasileiros fizemos um percurso de 950 quil\u00f4metros ao longo da cordilheira do Himalaia, conduzidos por um motorista e um guia tibetanos. Dessa peregrina\u00e7\u00e3o resultou o livro \u201cViagem m\u00edstica no Tibete\u201d, publicado pela Editora DPL, de S\u00e3o Paulo. Em 2008, peregrinei a F\u00e1tima (Portugal), Assis e Roma (It\u00e1lia), e \u00e0 Terra Santa (Israel). Por \u00faltimo, em novembro deste ano, retornei a Canind\u00e9 para uma conversinha com meu padrinho, pois andava muito necessitado de seu aux\u00edlio.<\/p>\n<p>Atribuo um valor inestim\u00e1vel \u00e0 peregrina\u00e7\u00e3o. Creio que quando entramos de corpo e alma em nossa jornada interior, come\u00e7amos a desvelar alguns sinais que o universo nos vai proporcionando, os quais fazem as vezes de mapas que v\u00e3o nos indicando o itiner\u00e1rio a seguir. Ontem escrevi neste blog um texto em que afirmava que tenho a ora\u00e7\u00e3o como um dos mapas mais seguros para quem se aventura na <em>jornada da alma<\/em>. Ocorre que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 um dos mecanismos que nos permitem a indispens\u00e1vel interioriza\u00e7\u00e3o para que possamos acessar o <em>grande s\u00e1bio<\/em> que jaz em nosso interior, aguardando apenas ser chamado para que possa nos orientar. \u00a0Essa orienta\u00e7\u00e3o acontece sob a forma de sinais, \u00e0s vezes muito sutis, o que demanda de nossa parte que estejamos suficientemente centrados para que possamos perceb\u00ea-los e us\u00e1-los a nosso favor.<\/p>\n<p>Quando a jornada da alma tem in\u00edcio, o que acontece em nosso interior vai sendo projetado no exterior, e, por sua vez, os acontecimentos externos fazem ecoar o que acontece em nossa intimidade. Entram em cena, nesse momento, as simboliza\u00e7\u00f5es da nossa jornada. O que estou querendo dizer \u00e9 que uma peregrina\u00e7\u00e3o que se realiza tendo como meta um lugar sagrado \u00e9 a exterioriza\u00e7\u00e3o da jornada interior. Quem caminha em dire\u00e7\u00e3o a um templo, santu\u00e1rio ou montanha sagrada, caminha em dire\u00e7\u00e3o a si mesmo. O almejado encontro com o sagrado, supostamente ancorado no lugar para o qual nos encaminhamos em nossa peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9, em \u00faltima inst\u00e2ncia, o encontro consigo mesmo, pois esse sagrado que buscamos fora, na verdade sempre esteve em nosso interior. A fun\u00e7\u00e3o da peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 auxiliar no despertar desse sagrado que trazemos na profundeza de nossa alma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 o tipo de jornada que estabelece a diferen\u00e7a entre o atento e o negligente, entre o banal e o inspirado. Essa diferen\u00e7a pode ser sutil ou dram\u00e1tica; por defini\u00e7\u00e3o, ela \u00e9 fundamental. Significa estar alerta para a ocasi\u00e3o, em que tudo o que se faz necess\u00e1rio numa viagem a um lugar remoto \u00e9 t\u00e3o-somente deixar-se perder a si pr\u00f3prio, e estar atento \u00e0 ocasi\u00e3o, em que tudo o que \u00e9 preciso \u00e9 uma jornada a um lugar sagrado, com todos os seus aspectos gloriosos e tem\u00edveis para o encontro consigo mesmo. Desde o mais remoto peregrino humano, a pergunta mais desafiadora tem sido: como viajar de modo mais s\u00e1bio, mais frut\u00edfero e mais nobre? Como podemos mobilizar a imagina\u00e7\u00e3o e animar nosso cora\u00e7\u00e3o de forma que possamos, em nossas jornadas especiais, \u201cver em toda a parte do mundo a inevit\u00e1vel express\u00e3o do conceito de infinito\u201d, nas palavras de Louis Pasteur; ou perceber, com Thoreau, \u201ca divina energia em toda a parte?\u201d Ou lembrando, como Evan Connell, de advertir os viajantes medievais: \u201cPasse ao largo daquilo que n\u00e3o ama\u201d.<br \/>\nPhil Cosineau<br \/>\n[Cousineau, Phil. A arte da peregrina\u00e7\u00e3o: para o viajante em busca do que lhe \u00e9 sagrado. Tradu\u00e7\u00e3o de Luiz Carlos Lisboa. S\u00e3o Paulo: \u00c1gora, 1999, p. 23]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":2851,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18,20],"tags":[],"class_list":["post-2847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-09-arcano-ix-caminhos-do-sagrado","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2847","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2847\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2851"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}