{"id":2977,"date":"2010-12-29T18:45:58","date_gmt":"2010-12-29T21:45:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=2977"},"modified":"2010-12-29T18:45:58","modified_gmt":"2010-12-29T21:45:58","slug":"ensinando-o-pulo-do-gastro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2010\/12\/29\/ensinando-o-pulo-do-gastro\/","title":{"rendered":"Ensinando o pulo do gastro"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><a rel=\"attachment wp-att-2978\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/ensinando-o-pulo-do-gastro\/pulo-do-gato\/\"><\/a><a rel=\"attachment wp-att-2981\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/ensinando-o-pulo-do-gastro\/pulo-do-gastro\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-2981\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/12\/Pulo-do-Gastro-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Algo nos inquietava. Precis\u00e1vamos de rotinas e condutas no Servi\u00e7o adaptadas \u00e0 nossa cultura e realidade e n\u00e3o apenas copiadas de textos internacionais ou oriundos do Sul e Sudeste do Pa\u00eds.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">A partir de uma revis\u00e3o iniciada pela Dra. Ticiana Rolim, ent\u00e3o residente do Servi\u00e7o, passamos a estabelecer condutas padronizadas nas enfermarias e ambulat\u00f3rios de gastroenterologia do HGF. Com o passar dos anos, o nosso protocolo de condutas cresceu e se consolidou no Hospital e passamos a distribu\u00ed-lo, no in\u00edcio de cada ano, aos m\u00e9dicos, m\u00e9dicos-residentes e estudantes que conosco trabalhavam.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Esse ano decidimos ousar. Convocamos colegas do Servi\u00e7o e ex-residentes do HGF para revisar os textos e ampli\u00e1-los para que pud\u00e9ssemos dividir a nossa experi\u00eancia ao longo desses anos com toda a comunidade m\u00e9dica do Cear\u00e1. N\u00e3o escrevemos um comp\u00eandio nem uma obra acabada. Trata-se de um pequeno guia de condutas, adaptado \u00e0 nossa realidade e embasado em experi\u00eancias j\u00e1 publicadas, que possa ser conduzido, como um amigo e orientador insepar\u00e1vel, no dia a dia das enfermarias e ambulat\u00f3rios.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Por fim, como n\u00e3o somos felinos e n\u00e3o poderemos ensin\u00e1-los o pulo do gato, tentaremos apenas \u00a0ensinar O PULO DO GASTRO.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Dr. S\u00e9rgio Pessoa<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[Pessoa, Francisco S\u00e9rgio Rangel de Paula.<\/em> <strong>O pulo do gastro: manual de rotinas e condutas em gastroenterologia<\/strong><em>. \u2013 Fortaleza: Premius, 2010, p. 7]<\/em><\/span><\/p>\n<p>A mais eminente disc\u00edpula brasileira de Jung, a psiquiatra Nise da Silveira, num belo texto publicado originalmente em 1965, intitulado <em>Simbolismo do gato<\/em>, escreveu, ao se referir \u00e0 ast\u00facia desses felinos: \u201cCarregado de t\u00e3o pesadas e sombrias proje\u00e7\u00f5es que s\u00f3 muito lentamente v\u00e3o se atenuando, o gato aparece na maioria dos contos populares e f\u00e1bulas como um animal p\u00e9rfido, ego\u00edsta, astuto. \u00c9 assim que o encontramos nas f\u00e1bulas de La Fontaine (s\u00e9culo XVII). Sua ast\u00facia \u00e9 particularmente posta em relevo. Por exemplo, no \u00a0\u00b4Gato e a raposa\u00b4 seu \u00fanico processo de escapar ao c\u00e3o resulta mais eficiente que as mil manhas da raposa\u201d.<\/p>\n<p>Tivesse a Dra. Nise da Silveira parado por a\u00ed e nos teria deixado uma impress\u00e3o que n\u00e3o se poderia qualificar como das mais abonadoras sobre a conduta dos felinos, uma vez que pareceria que sua decantada ast\u00facia seria usada apenas em proveito pr\u00f3prio. Dando prosseguimento \u00e0 sua an\u00e1lise, por\u00e9m, escreve a Dra. Nise: \u201cMas a engenhosidade do gato n\u00e3o se manifesta s\u00f3 aplicada em proveito pr\u00f3prio. Entre os escandinavos acreditava-se que um esp\u00edrito benfazejo, revestindo forma de gato, trazia para a casa onde habitava leite, creme, manteiga e cereais retirados dos celeiros dos vizinhos. Em \u00b4O gato de botas` (Perrault) toda uma trama de h\u00e1beis ardis \u00e9 desenvolvida pelo animal com o objetivo de fazer a fortuna de seu dono. Um conto italiano, \u00b4Gagliuso`, narra tamb\u00e9m os golpes de ast\u00facia de um gato, gra\u00e7as aos quais seu propriet\u00e1rio enriquece\u201d (Silveira, Nise da, (1905-1999). <em>Senhora das imagens internas: escritos dispersos de Nise da Silveira<\/em> \/ organiza\u00e7\u00e3o Martha Pires Ferreira. \u2013 Rio de Janeiro: Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional, 2008, p. 34. (Cadernos da Biblioteca Nacional; v5)).<\/p>\n<p>Pois bem, foi por acreditar que quem \u00e9 detentor de alguns saberes que podem ajudar a encurtar caminhos e apontar trilhas &#8211; saberes esses que podem em algumas ocasi\u00f5es fazer as vezes do pulo do gato -, devem ser divididos com outros a quem poderiam servir de ajuda, que o Dr. Francisco S\u00e9rgio Rangel de Paula Pessoa, gastroenterologista, \u00a0houve por bem publicar um manual que pudesse auxiliar a outros profissionais que labutam nessa \u00e1rea m\u00e9dica. \u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Para a consecu\u00e7\u00e3o do projeto, o autor contou com os seguintes colaboradores com os quais dividiu a tarefa de redigir os diversos\u00a0 textos que comp\u00f5em a obra: Dra. Alessandra Mont\u00b4Alverne Pierre, Dra. Ana de Lourdes de Oliveira, Dra. Andrea Benevides Leite, Dra. Claudia Maria de Oliveira Alves, Dra. Germana Alves Corsino, Dra. Mariana Rolim Fernandes Macedo, Dr. Ricardo Rangel de Paula Pessoa, Dra. Silvia Romero Pinheiro Rocha, Dra. Ticiana Maria de Lavor Rolim e Dra, Ticiana Mota Esmeraldo. \u00a0<\/p>\n<p>O livro, que ganhou o curioso t\u00edtulo de <em>O Pulo do Gastro<\/em>, numa expl\u00edcita alus\u00e3o \u00e0 f\u00e1bula de La Fontaine mencionada acima pela Dra. Nise da Silveira, \u00e9 dividido em cinco m\u00f3dulos e quarenta e um cap\u00edtulos: M\u00f3dulo I: Boca e es\u00f4fago; M\u00f3dulo II: Est\u00f4mago; M\u00f3dulo III: Intestinos; M\u00f3dulo IV: Vias biliares e p\u00e2ncreas; M\u00f3dulo V: F\u00edgado. O trabalho resultou especialmente da experi\u00eancia do autor bem como da equipe no Servi\u00e7o de Gastroenterologia do HGF.<\/p>\n<p>Auguramos ao Dr. S\u00e9rgio Pessoa e sua equipe os melhores votos de sucesso a essa obra que muito enriquece a medicina no Estado do Cear\u00e1. Certamente os que come\u00e7am a dar os primeiros passos na atividade m\u00e9dica ser\u00e3o os mais beneficiados com as diversas dicas disseminadas ao longo do livro, em verdade verdadeiros \u201cpulos do gastro\u201d. Mas n\u00e3o somente os novos h\u00e3o de ser os benefici\u00e1rios, pois o fato de apresentar uma padroniza\u00e7\u00e3o de rotinas m\u00e9dicas, penso, constitui por si s\u00f3 trabalho especialmente merit\u00f3rio e \u00fatil a todos profissionais da \u00e1rea, iniciantes ou veteranos.<\/p>\n<p>Para concluir, gostaria de esclarecer aos leitores \u00a0que, al\u00e9m dos m\u00e9ritos inerentes ao livro, j\u00e1 salientados, \u00a0um dos fatores que me motivou a escrever este breve coment\u00e1rio, cujo objeto \u00e9 uma obra que foge ao tipo de literatura habitualmente comentada neste blog, foi a peculiaridade do t\u00edtulo, uma clara alus\u00e3o \u00e0 ra\u00e7a felina, pois, como sabem os que leem o Sincronicidade, os gatos constituem um dos temas sobre os quais escrevo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Algo nos inquietava. Precis\u00e1vamos de rotinas e condutas no Servi\u00e7o adaptadas \u00e0 nossa cultura e realidade e n\u00e3o apenas copiadas de textos internacionais ou oriundos do Sul e Sudeste do Pa\u00eds.<br \/>\nA partir de uma revis\u00e3o iniciada pela Dra. Ticiana Rolim, ent\u00e3o residente do Servi\u00e7o, passamos a estabelecer condutas padronizadas nas enfermarias e ambulat\u00f3rios de gastroenterologia do HGF. Com o passar dos anos, o nosso protocolo de condutas cresceu e se consolidou no Hospital e passamos a distribu\u00ed-lo, no in\u00edcio de cada ano, aos m\u00e9dicos, m\u00e9dicos-residentes e estudantes que conosco trabalhavam.<br \/>\nEsse ano decidimos ousar. Convocamos colegas do Servi\u00e7o e ex-residentes do HGF para revisar os textos e ampli\u00e1-los para que pud\u00e9ssemos dividir a nossa experi\u00eancia ao longo desses anos com toda a comunidade m\u00e9dica do Cear\u00e1. N\u00e3o escrevemos um comp\u00eandio nem uma obra acabada. Trata-se de um pequeno guia de condutas, adaptado \u00e0 nossa realidade e embasado em experi\u00eancias j\u00e1 publicadas, que possa ser conduzido, como um amigo e orientador insepar\u00e1vel, no dia a dia das enfermarias e ambulat\u00f3rios.<br \/>\nPor fim, como n\u00e3o somos felinos e n\u00e3o poderemos ensin\u00e1-los o pulo do gato, tentaremos apenas  ensinar O PULO DO GASTRO.<br \/>\nDr. S\u00e9rgio Pessoa<br \/>\n[Pessoa, Francisco S\u00e9rgio Rangel de Paula. 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