{"id":3561,"date":"2011-07-04T21:36:14","date_gmt":"2011-07-05T00:36:14","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=3561"},"modified":"2011-07-04T21:36:14","modified_gmt":"2011-07-05T00:36:14","slug":"viver-a-vida-sob-uma-perspectiva-simbolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/07\/04\/viver-a-vida-sob-uma-perspectiva-simbolica\/","title":{"rendered":"Viver a vida sob uma perspectiva simb\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Portanto, n\u00e3o temos vida\u00a0 simb\u00f3lica, mas temos necessidade premente dela. Somente a vida simb\u00f3lica pode expressar a necessidade da alma \u2013 a necessidade di\u00e1ria da alma, bem entendido. E pelo fato de as pessoas n\u00e3o terem isso, n\u00e3o conseguem sair dessa roda viva, dessa vida assustadora, ma\u00e7ante e banal onde s\u00e3o \u201cnada mais do que\u201d. No rito est\u00e3o pr\u00f3ximas de Deus; s\u00e3o at\u00e9 mesmo divinas.\u00a0 (&#8230;) A vida \u00e9 racional demais, n\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia simb\u00f3lica em que sou outra coisa, em que desempenho um papel, o meu papel, como um ator no drama divino da vida.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Carl Gustav Jung<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Jung, C. G<\/strong><em>.<\/em> <strong>A vida simb\u00f3lica: escritos diversos<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1)<\/em><strong> III. A vida simb\u00f3lica<\/strong><em>, p. 273.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Jung foi um dos estudiosos do psiquismo humano que mais enfatizou a import\u00e2ncia do s\u00edmbolo para o desenvolvimento psicol\u00f3gico. Segundo a premissa defendida pelo psiquiatra su\u00ed\u00e7o, \u00e0 nossa viv\u00eancia interior correspondem s\u00edmbolos que podem nos dar pistas e, mais que isso, nos orientar em nossa jornada rumo ao autodesenvolvimento, que ele chamou de <em>processo de individua\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Tais s\u00edmbolos aparecem em diversas cria\u00e7\u00f5es da cultura, mas t\u00eam seu lugar privilegiado nas religi\u00f5es e nos mitos. Ali\u00e1s, \u00e9 bom que se diga, ambos est\u00e3o intrinsecamente ligados, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 religi\u00e3o sem mito. Mesmo no caso das religi\u00f5es que lograram um alto grau de racionalidade e que reivindicam para si bases hist\u00f3ricas, como \u00e9 o caso do cristianismo, ainda assim o mito est\u00e1 mais presente do que se poderia supor em uma an\u00e1lise superficial.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma antiga m\u00e1xima latina que expressa muito bem o que pensa Jung: <em>Habentibus symbolum facilis est transitus<\/em>, ou seja, <em>para os que possuem o s\u00edmbolo a travessia \u00e9 f\u00e1cil<\/em>. O que isso significa? Significa que\u00a0\u00e0 medida que imergimos em nossas viv\u00eancias ps\u00edquicas e nos aproximamos dos s\u00edmbolos que norteiam as nossas experi\u00eancias, se torna n\u00e3o apenas mais f\u00e1cil seguir o nosso itiner\u00e1rio, mas, ao mesmo tempo, nossa vida se torna mais rica e mais emocionante, pois ganha um colorido diferente.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, no entanto, que ao atinarmos com tais s\u00edmbolos, n\u00e3o nos contentemos apenas em descobri-los, mas que nos apropriemos deles, os fa\u00e7amos nossos, passemos, portanto, a habit\u00e1-los mesmo. Quando atingimos esse patamar da experi\u00eancia, \u00a0em que de fato habitamos os s\u00edmbolos que s\u00e3o como que os marcos da estrada por onde seguimos, observa-se que h\u00e1 um incremento de situa\u00e7\u00f5es \u00a0e acontecimentos em que, a todo momento, eles se manifestam. \u00c9 como se os s\u00edmbolos fossem setas \u00a0que nos indicam o itiner\u00e1rio e balizam nossas experi\u00eancias, auxiliando-nos, ao mesmo tempo, a n\u00e3o nos desviarmos da trajet\u00f3ria que \u00e9 exclusivamente nossa e que determina a singularidade de cada um de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Uma das formas mais convincentes da manifesta\u00e7\u00e3o do s\u00edmbolo na vida de uma pessoa s\u00e3o as sincronicidades. Quem se exercita no conhecimento dos s\u00edmbolos e na percep\u00e7\u00e3o das sincronicidades, est\u00e1 de posse de um bom mapa para prosseguir com uma certa seguran\u00e7a em\u00a0sua peregrina\u00e7\u00e3o pelas estradas da vida.<span>\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Portanto, n\u00e3o temos vida  simb\u00f3lica, mas temos necessidade premente dela. Somente a vida simb\u00f3lica pode expressar a necessidade da alma \u2013 a necessidade di\u00e1ria da alma, bem entendido. E pelo fato de as pessoas n\u00e3o terem isso, n\u00e3o conseguem sair dessa roda viva, dessa vida assustadora, ma\u00e7ante e banal onde s\u00e3o \u201cnada mais do que\u201d. No rito est\u00e3o pr\u00f3ximas de Deus; s\u00e3o at\u00e9 mesmo divinas.  (&#8230;) A vida \u00e9 racional demais, n\u00e3o h\u00e1 exist\u00eancia simb\u00f3lica em que sou outra coisa, em que desempenho um papel, o meu papel, como um ator no drama divino da vida.<br \/>\nCarl Gustav Jung<br \/>\n[Jung, C. G. A vida simb\u00f3lica: escritos diversos. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1) III. A vida simb\u00f3lica, p. 273.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3561","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3561","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3561"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3561\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3561"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3561"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3561"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}