{"id":3725,"date":"2011-08-17T09:23:02","date_gmt":"2011-08-17T12:23:02","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=3725"},"modified":"2011-08-17T09:23:02","modified_gmt":"2011-08-17T12:23:02","slug":"os-hilariantes-causos-de-roberto-gaspar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/08\/17\/os-hilariantes-causos-de-roberto-gaspar\/","title":{"rendered":"Os hilariantes &#8220;causos&#8221; de Roberto Gaspar"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">O cearense nasce, vive e morre na rede amiga, que \u00e9 a companheira de todas as horas de descanso e de fazer amor. Antes de dormir, se h\u00e1 calor, tem o balan\u00e7o para refrescar, ao ranger de armadores.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">No sert\u00e3o, a gente v\u00ea, \u00e0s vezes, \u00e0 margem do caminho, aqueles cortejos f\u00fanebres que transportam, numa rede, o defunto, e, quando n\u00e3o \u00e9 afortunado, a rede volta para servir \u00e0 fam\u00edlia. No sert\u00e3o e nas serras, eles transportam tamb\u00e9m os doentes, em redes, que seguem protegidos por um guarda-sol.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Se h\u00e1 goteira, muitas vezes, \u00e9 armada outra rede por cima de outra mais alta, aberta com cabos de vassouras, formando um toldo. O balan\u00e7o da rede tamb\u00e9m serve para embalar as dores do mundo. Com a conviv\u00eancia, a gente acha a posi\u00e7\u00e3o para ler, dormir, co\u00e7ar o dedinho do p\u00e9, para descansar e amar.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Roberto Gaspar<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>[Gaspar, Roberto<\/strong><em>.<\/em> <strong>A menina do vaporub ou o amor na hora do angelus<\/strong><em>.\u00a0 2\u00aa. ed. Fortaleza: Tipografia Progresso, 2011. A Rede da Goteira, p. 37.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>O meu encontro com o autor de que trato neste texto se deu de forma muito curiosa, ali\u00e1s, de forma sincr\u00f4nica, seria melhor dizer, para ser fiel ao conceito junguiano que serve de t\u00edtulo a este blog. H\u00e1 dez anos, quando publiquei meu livro Viagem m\u00edstica no Tibete, tive oportunidade de conhecer um certo Roberto que havia escrito um livro sobre o caminho de Santiago, intitulado <em>Um homem em movimento<\/em>. O fato, por\u00e9m, \u00e9 que s\u00f3 o vira uma vez,\u00a0 neste caso, antes da publica\u00e7\u00e3o do livro, e nem mesmo tivemos oportunidade de conversar, pois o vi durante uma palestra que ele realizara em Fortaleza. A conversa entre n\u00f3s aconteceria mais tarde, em 2002, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o do livro, conversa que se deu atrav\u00e9s de telefone, estando o Roberto em Salvador e eu na praia do Iguape.<\/p>\n<p>Pois bem, quinta-feira da semana passada, encontrando-me na fila de aut\u00f3grafos durante o lan\u00e7amento do livro do professor Ismael Pordeus sobre as festas de Iemanj\u00e1, me deparei \u00a0de repente com um senhor que sa\u00eda da fila j\u00e1 com seu livro autografado. Quando ele se aproximou do lugar em que me encontrava, n\u00e3o me restando d\u00favida de que se tratava daquele Roberto que eu conhecera h\u00e1 dez anos, dirigi-lhe a palavra nestes termos: \u201cVoc\u00ea \u00e9 o Roberto&#8230;?\u201d Antes que eu completasse a frase, ele respondeu afirmativamente com o sobrenome: \u201cGaspar\u201d. Perguntei-lhe se ele j\u00e1 tinha ido ao Tibete e, sem entender nada do que eu estava falando, me respondeu que somente atrav\u00e9s de leituras. Falei-lhe que tenho o seu livro sobre o caminho de Santiago, <em>Um homem em movimento<\/em> e, mais uma vez, dando mostras de n\u00e3o saber do que se tratava, respondeu que o projeto do caminho de Santiago n\u00e3o fora realizado por ele.<\/p>\n<p>Agora quem estava confuso era eu, e muito confuso, diga-se de passagem. De qualquer maneira, conversamos por alguns minutos e, quando lhe falei que tinha recebido um convite da desembargadora Gizela Nunes da Costa para ser membro da Academia Cearense de Hagiologia, ele me informou que tamb\u00e9m faz parte da Academia de Hagiologia, s\u00f3 que, no caso, da Academia Brasileira de Hagiologia. Perguntei-lhe se era permitido aos ingressos na Academia escolher seu patrono. Ele respondeu afirmativamente e, ent\u00e3o, informei-lhe que o meu patrono, caso se consolide o meu ingresso, ser\u00e1 Santo Ant\u00f4nio Maria Claret. Como ele dissesse n\u00e3o conhecer este santo, pedi-lhe o seu endere\u00e7o e, no dia seguinte, l\u00e1 estava eu deixando na caixa dos correios da resid\u00eancia do Roberto um exemplar da Autobiografia do Santo.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Roberto retribuiu a gentileza, presenteando-me tr\u00eas livros de sua autoria, os quais mandou deixar em minha resid\u00eancia por um mototaxista. Depois de folhear rapidamente cada exemplar, resolvi me iniciar no universo liter\u00e1rio do autor por um que tem o curioso t\u00edtulo de <em>A menina do vaporub ou o amor na hora do Angelus<\/em>. \u00c9 um livro maravilhoso, no qual Roberto conduz o leitor por seu delicioso e hilariante mundo de \u201ccausos\u201d os mais curiosos e pitorescos.<\/p>\n<p>Roberto Gaspar, nascido em Fortaleza em 27 de junho de 1941, \u00e9 comerciante e escritor. \u00c9 membro da Academia Fortalezense de Letras e da Academia Brasileira de Hagiologia. Publicou os livros: <em>B\u00e1rbara de Alencar \u2013 a guerreira do Brasil<\/em>; <em>A menina do vaporub ou o amor na hora do Angelus<\/em> e <em>Otimismo itinerante<\/em>. \u00a0Recebeu Men\u00e7\u00e3o Honrosa com a cr\u00f4nica \u201cFelizes retardat\u00e1rios\u201d, no II Pr\u00eamio Ideal de Literatura, em 1999, e o primeiro lugar do V Pr\u00eamio Ideal de Literatura, em 2002, na categoria cr\u00f4nica in\u00e9dita, com \u201cA menina do vaporub ou o amor na hora do Angelus\u201d, e Men\u00e7\u00e3o Honrosa, no mesmo ano, com a cr\u00f4nica \u201cEntre o Sexo e o Altar\u201d.<\/p>\n<p>Numa das cr\u00f4nicas do livro, intitulada <em>Felizes retardat\u00e1rios<\/em>, a certa altura, escreve Roberto: \u201cFico alerta \u00e0s conversas e para poder pertencer um dia ao <em>Clube dos Leves<\/em>, do L\u00facio Brasileiro, n\u00e3o falo nem em hospital e nem de cemit\u00e9rio, pois, como diz minha santa sogra, colocando perfume nas orelhas: \u201cQuem n\u00e3o \u00e9 visto, n\u00e3o \u00e9 lembrado!\u201d Se algu\u00e9m tocar no assunto de doen\u00e7a, especialmente cardiovascular, convido logo o cara para entrar no meu clube, <em>O Clube dos cento e vinte anos<\/em>, onde s\u00f3 pode entrar quem queira viver mais de cento e vinte anos, (&#8230;)\u201d \u00a0(p.89). \u00a0<\/p>\n<p>Depois de ler suas cr\u00f4nicas e causos, n\u00e3o tenho d\u00favida de que, com a leveza e bom humor demonstrados em seus textos, Roberto pode muito bem ostentar o t\u00edtulo de presidente do <em>Clube dos cento e vinte anos<\/em>, pois seguramente o humor est\u00e1 elencado dentre as condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis \u00e0 longevidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cearense nasce, vive e morre na rede amiga, que \u00e9 a companheira de todas as horas de descanso e de fazer amor. Antes de dormir, se h\u00e1 calor, tem o balan\u00e7o para refrescar, ao ranger de armadores.<br \/>\nNo sert\u00e3o, a gente v\u00ea, \u00e0s vezes, \u00e0 margem do caminho, aqueles cortejos f\u00fanebres que transportam, numa rede, o defunto, e, quando n\u00e3o \u00e9 afortunado, a rede volta para servir \u00e0 fam\u00edlia. No sert\u00e3o e nas serras, eles transportam tamb\u00e9m os doentes, em redes, que seguem protegidos por um guarda-sol.<br \/>\nSe h\u00e1 goteira, muitas vezes, \u00e9 armada outra rede por cima de outra mais alta, aberta com cabos de vassouras, formando um toldo. O balan\u00e7o da rede tamb\u00e9m serve para embalar as dores do mundo. Com a conviv\u00eancia, a gente acha a posi\u00e7\u00e3o para ler, dormir, co\u00e7ar o dedinho do p\u00e9, para descansar e amar.<br \/>\nRoberto Gaspar<br \/>\n[Gaspar, Roberto. A menina do vaporub ou o amor na hora do angelus.  2\u00aa. ed. Fortaleza: Tipografia Progresso, 2011. A Rede da Goteira, p. 37.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3725","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3725","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3725"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3725\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3725"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3725"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3725"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}