{"id":3782,"date":"2011-09-02T11:02:34","date_gmt":"2011-09-02T14:02:34","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=3782"},"modified":"2011-09-02T11:02:34","modified_gmt":"2011-09-02T14:02:34","slug":"funcao-civilizadora-da-vida-simbolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/09\/02\/funcao-civilizadora-da-vida-simbolica\/","title":{"rendered":"Fun\u00e7\u00e3o civilizadora da vida simb\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">(&#8230;) o simples fato de algu\u00e9m viver a vida simb\u00f3lica tem uma influ\u00eancia extraordinariamente civilizadora. Essas pessoas s\u00e3o bem mais civilizadas e criativas por causa da vida simb\u00f3lica. As pessoas apenas racionais t\u00eam pouca influ\u00eancia; tudo nelas se resume a discurso e com discurso n\u00e3o se vai longe.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">C. G. Jung<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Jung, C. G.<\/strong><em> <\/em><strong>A vida simb\u00f3lica: escritos diversos<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1) III. A vida simb\u00f3lica, p. 282.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Num texto anteriormente postado neste blog tive oportunidade de me reportar \u00e0 import\u00e2ncia psicol\u00f3gica da experi\u00eancia simb\u00f3lica. Hoje, dando prosseguimento ao tema, quero falar um pouco sobre a import\u00e2ncia social dessa mesma experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma confer\u00eancia proferida em Londres, no dia 5 de abril de 1939, no qual Jung tratou da vida simb\u00f3lica, seguiu-se um debate em que, ao responder a uma pergunta da plateia, o psiquiatra su\u00ed\u00e7o ratifica a import\u00e2ncia civilizadora desse tipo de experi\u00eancia.<\/p>\n<p>De fato, estudando a hist\u00f3ria das civiliza\u00e7\u00f5es, facilmente se chegar\u00e1 \u00e0 conclus\u00e3o de que os grandes her\u00f3is civilizadores e fundadores de civiliza\u00e7\u00f5es foram aqueles que, ouvindo os apelos emanados da dimens\u00e3o mais profunda do psiquismo, onde t\u00eam origem os s\u00edmbolos, deram vaz\u00e3o \u00e0s vozes interiores, levando a efeito realiza\u00e7\u00f5es surpreendentes que tiveram como consequ\u00eancia agregar grupos que, de outra forma, talvez n\u00e3o tivessem logrado sucesso em se manter coesos.<\/p>\n<p>Os feitos da raz\u00e3o s\u00e3o estupendos, isso n\u00e3o se pode negar. Entretanto, a raz\u00e3o \u00e9 limitada em suas possibilidades. H\u00e1 outra dimens\u00e3o do psiquismo que precisa se expressar, do contr\u00e1rio o ser humano corre o risco de fenecer tanto em termos individuais quanto coletivos. Da\u00ed porque as religi\u00f5es jamais deixar\u00e3o de existir. \u00c9 evidente que as religi\u00f5es, enquanto institui\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e3o conta totalmente dessa categoria de experi\u00eancia. Esse \u00e9 tamb\u00e9m o motivo por que tem acontecido ao longo da hist\u00f3ria da humanidade de, mais cedo ou mais tarde, algu\u00e9m que estava fortemente envolvido com uma determinada religi\u00e3o, de repente assumir uma nova perspectiva, passando, n\u00e3o raro, at\u00e9 mesmo a contest\u00e1-la.<\/p>\n<p>\u00c9 que o sagrado, como afirmou Roger Bastide, n\u00e3o se deixa dominar totalmente. Quando a institui\u00e7\u00e3o come\u00e7a a tolher demais a livre express\u00e3o da experi\u00eancia do sagrado, que se manifesta sempre por interm\u00e9dio do s\u00edmbolo, acontece uma insurrei\u00e7\u00e3o, seja individual, seja coletiva.<\/p>\n<p>Na verdade, em geral essa insurrei\u00e7\u00e3o tem um determinado sujeito como piv\u00f4, como iniciador. \u00c9 geralmente algu\u00e9m que se antecipa a um anseio coletivo que vinha fermentando nas mentes, mas n\u00e3o lograra ser ainda explicitado. A express\u00e3o simb\u00f3lica \u00e9, mais que uma op\u00e7\u00e3o, um imperativo, uma necessidade inerentemente humana. Da\u00ed porque Jung, respondendo a \u00a0outra quest\u00e3o na mesma ocasi\u00e3o acima mencionada, afirmou: \u201cQuando o intelecto n\u00e3o est\u00e1 a servi\u00e7o da vida simb\u00f3lica, ele se torna demon\u00edaco; ele torna a pessoa neur\u00f3tica\u201d (p. 283).<\/p>\n<p>Diga-se, por\u00e9m, \u00e0 guisa de conclus\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 somente o indiv\u00edduo que \u00e9 pass\u00edvel de se tornar neur\u00f3tico; uma sociedade que d\u00e1 as costas aos seus s\u00edmbolos, ou insiste em neg\u00e1-los, est\u00e1 fadada a se tornar, ela pr\u00f3pria, enquanto coletividade, neur\u00f3tica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(&#8230;) o simples fato de algu\u00e9m viver a vida simb\u00f3lica tem uma influ\u00eancia extraordinariamente civilizadora. Essas pessoas s\u00e3o bem mais civilizadas e criativas por causa da vida simb\u00f3lica. As pessoas apenas racionais t\u00eam pouca influ\u00eancia; tudo nelas se resume a discurso e com discurso n\u00e3o se vai longe.<br \/>\nC. G. Jung<br \/>\n[Jung, C. G. A vida simb\u00f3lica: escritos diversos. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1) III. A vida simb\u00f3lica, p. 282.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3782","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3782","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3782"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3782\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3782"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3782"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3782"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}