{"id":3886,"date":"2011-09-29T11:35:27","date_gmt":"2011-09-29T14:35:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=3886"},"modified":"2011-09-29T11:35:27","modified_gmt":"2011-09-29T14:35:27","slug":"no-tempo-da-crestomatia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/09\/29\/no-tempo-da-crestomatia\/","title":{"rendered":"No tempo da Crestomatia"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><a rel=\"attachment wp-att-3887\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/no-tempo-da-crestomatia\/crestomatia\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-3887\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/09\/Crestomatia-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>\u201cCrestomatia\u201d, o moderno livrinho que sai hoje a lume, exige, antes de tudo, que lhe fa\u00e7amos a apresenta\u00e7\u00e3o ao colendo professorado, \u00e0 mocidade estudiosa de nossa terra. Qual a sua raz\u00e3o de ser? \u201cPreencher uma lacuna\u201d eis o lema de todas as obras cong\u00eaneres, ao surgirem a p\u00fablico. Sem embargo, labora em erro bem grave, quem acreditasse preenchidos os claros de nossa biblioteca did\u00e1tica. Dia a dia, novas lacunas se abrem, que tresdobram proporcionalmente \u00e0s exig\u00eancias sempre crescentes da pedagogia escolar, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es dos programas, \u00e0s inova\u00e7\u00f5es e melhoramentos da moderna metodologia.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Radagasio Taborda<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Taborda, Radagasio<\/strong><em>.<\/em> <strong>Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses<\/strong><em>. 29\u00aa. ed. Rio de Janeiro, Porto Alegre, S\u00e3o Paulo: Globo, 1958, p. XXVII.]<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">O que motivou a escrever este texto foi um fato acontecido ontem na biblioteca do TRE, onde trabalho. Um colega se virou para mim e comentou que, ao ler um recorte de jornal contendo um texto intitulado\u00a0<em>Crestomatia\u00a0em tempos de tablet<\/em>, que ele afixara no mural da biblioteca, uma colega indagara dele o que quer dizer crestomatia. O coment\u00e1rio do colega me provocou de imediato a decis\u00e3o: vou escrever um texto sobre a Crestomatia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\">No Dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico Nova Fronteira da l\u00edngua portuguesa, de Ant\u00f4nio Geraldo da Cunha, encontramos a seguinte informa\u00e7\u00e3o a prop\u00f3sito do voc\u00e1bulo: \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000000\"><em>Crestomatia: sf. cole\u00e7\u00e3o de trechos em prosa e\/ou em verso. | chrestomathia 1850 | Do fr. Chrestomathie, deriv. do gr. crestom\u00e1theia, \u2018estudo das coisas \u00fateis\u2019. [Cunha, Ant\u00f4nio Geraldo da. Dicion\u00e1rio etimol\u00f3gico Nova Fronteira da l\u00edngua portuguesa. Assistentes: Cl\u00e1udio Mello Sobrinho&#8230; [et. Al.]. \u2013 Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982, p. 227<\/em>.]<\/span><\/p>\n<p>O que popularizou o voc\u00e1bulo no Brasil foi a publica\u00e7\u00e3o, em 1931, do livro <em>Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses<\/em>, pelo professor ga\u00facho Radagasio Taborba. \u00a0Como o pr\u00f3prio t\u00edtulo sugere, trata-se de uma antologia com textos em prosa e verso que abordam uma grande diversidade de assuntos tais como literatura, geografia, hist\u00f3ria, religi\u00e3o etc.<\/p>\n<p>A Crestomatia do professor Radagasio \u00a0Taborda foi amplamente utilizada nas escolas durante d\u00e9cadas, e se suas edi\u00e7\u00f5es s\u00e3o hoje objeto de disputa entre colecionadores e bibli\u00f3filos. Durante muitos anos alimentei o desejo de adquirir um exemplar de uma Crestomatia. H\u00e1 sete anos, o Ronaldo Xavier, um garimpador de livros para quem n\u00e3o havia miss\u00f5es imposs\u00edveis em se tratando de conseguir obras raras, conseguiu para mim um exemplar da 29\u00aa. edi\u00e7\u00e3o da Crestomatia, publicada em 1958.<\/p>\n<p>Dentre os muitos textos cuja leitura me proporcionam particular deleite h\u00e1 um que merece destaque especial, por isso aproveito o ensejo para transcrev\u00ea-lo aqui para os leitores do Sincronicidade.<\/p>\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <em>DISCURSO SEM VERBOS<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0D. Ant\u00f4nio de Macedo Costa<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0<a rel=\"attachment wp-att-3888\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/no-tempo-da-crestomatia\/discurso-sem-verbos\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-3888\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/09\/Discurso-sem-verbos-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"224\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/09\/Discurso-sem-verbos-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/09\/Discurso-sem-verbos-120x90.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/09\/Discurso-sem-verbos.jpg 500w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>\u00a0\u00a0Primeira regra de estilo, uma das principais, e porventura a mais esquecida de todas: a naturalidade por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 afeta\u00e7\u00e3o rid\u00edcula. Quanto autor no galarim da fama, r\u00e9u deste delito, e quantos oradores ali\u00e1s dignos de enc\u00f4mios pelos dotes singulares do seu engenho e imagina\u00e7\u00e3o, respons\u00e1veis perante a cr\u00edtica sisuda por falta de uma nobre simplicidade no estilo e boleio de suas frases! Muita aten\u00e7\u00e3o, orador novi\u00e7o, para este ponto capital. Nada de ornatos sup\u00e9rfluos, apegados como parasitas a cada palavra: miser\u00e1vel ouropel por cima de pensamentos muitas vezes ocos, sem solidez alguma, s\u00f3 para engano da vista de esp\u00edritos superficiais ou de mau gosto. Um brilho fosforescente e um deslumbramento passageiro, como o de um fogo de artif\u00edcio, &#8211; tal o \u00fanico m\u00e9rito desses campanudos or\u00e1culos do p\u00falpito crist\u00e3o. Ideias, por\u00e9m, s\u00f3lidas, bem deduzidas, ordem rigorosa de racioc\u00ednio, doutrinas exatas, lealmente expostas, isso nunca!<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o assim os Bossuet, os Bourdaloue, os Massillon, e todos os outros grandes modelos de eloqu\u00eancia do p\u00falpito do grande s\u00e9culo de Luiz XIV.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Que nobre simplicidade!&#8230; que naturalidade sublime! Que opulenta sobriedade! Qual rio caudaloso por entre margens, ora severas e escarpadas, ora floridas e risonhas, mas sempre formosos de naturalidade, assim o pensamento desses famosos g\u00eanios por entre a frase, ora simples, ora mais ornada, sempre, por\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o com o assunto, cheia de gra\u00e7as ing\u00eanuas, de lou\u00e7ainhas despretensiosas. \u00a0<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCrestomatia\u201d, o moderno livrinho que sai hoje a lume, exige, antes de tudo, que lhe fa\u00e7amos a apresenta\u00e7\u00e3o ao colendo professorado, \u00e0 mocidade estudiosa de nossa terra. Qual a sua raz\u00e3o de ser? \u201cPreencher uma lacuna\u201d eis o lema de todas as obras cong\u00eaneres, ao surgirem a p\u00fablico. Sem embargo, labora em erro bem grave, quem acreditasse preenchidos os claros de nossa biblioteca did\u00e1tica. Dia a dia, novas lacunas se abrem, que tresdobram proporcionalmente \u00e0s exig\u00eancias sempre crescentes da pedagogia escolar, \u00e0s altera\u00e7\u00f5es dos programas, \u00e0s inova\u00e7\u00f5es e melhoramentos da moderna metodologia.<br \/>\nRadagasio Taborda<br \/>\n[Taborda, Radagasio. Crestomatia: excertos escolhidos em prosa e verso dos melhores escritores brasileiros e portugueses. 29\u00aa. ed. Rio de Janeiro, Porto Alegre, S\u00e3o Paulo: Globo, 1958, p. XXVII.] <\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":3887,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-3886","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3886","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3886"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3886\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3887"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3886"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3886"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3886"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}