{"id":390,"date":"2009-08-23T12:00:10","date_gmt":"2009-08-23T17:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=390"},"modified":"2009-08-23T12:00:10","modified_gmt":"2009-08-23T17:00:10","slug":"o-homem-ficticio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/08\/23\/o-homem-ficticio\/","title":{"rendered":"O homem fict\u00edcio"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\">Convertera a si mesmo num personagem. Por frequentar demais os livros, aquele homem chegara ao ponto de n\u00e3o distinguir mais entre a fic\u00e7\u00e3o e a realidade. Um Dom Quixote p\u00f3s-moderno? Talvez. O fato \u00e9 que vivia como se a vida fosse um grande livro e ele, o personagem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Queria mesmo era ser um iniciado nos grandes mist\u00e9rios. Como tudo come\u00e7ou? N\u00e3o sabia, ao certo. Lembrava que, ainda adolescente, quando residente na pequena Palmyra, ca\u00edra-lhe \u00e0s m\u00e3os uma revista que falava de figuras misteriosas que varavam as madrugadas em busca do elixir da longa vida e da revela\u00e7\u00e3o dos grandes mist\u00e9rios do universo. Naquela \u00e9poca adquirira o h\u00e1bito de deitar cedo e levantar \u00e0s duas horas da madrugada. Deleitava-se com a leitura daquela revista que,\u00a0depois de insistentes cobran\u00e7as, teve que devolver \u00e0 propriet\u00e1ria, uma colega de escola.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Naquelas p\u00e1ginas teve contato com vidas que, ent\u00e3o, passaram a povoar o seu\u00a0imagin\u00e1rio adolescente: o Conde Cagliostro, Saint Germain, Nostradamus, Helena Petrovna Blavatsky, Nostradamus e Paracelso.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Lia, embevecido, a hist\u00f3ria da composi\u00e7\u00e3o das Cent\u00farias de Nostradamus. A revista narrava o modo como, \u00e0 meia-noite, Nostradamus se recolhia a um aposento ao qual somente ele tinha acesso. Cerrava a porta, enchia com \u00e1gua uma bacia, punha-lhe ao lado uma vela acesa e concentrava-se enquanto aguardava\u00a0que, no momento certo, as imagens come\u00e7aassem a se formar na bacia. O que via refletido naquela \u00e1gua o bruxo Nostradamus? Via imagens do futuro, coisas que ainda estavam por vir, acontecimentos distantes da hist\u00f3ria nem de longe imaginados pelos homens de ent\u00e3o. \u00c0 medida que iam se formando as imagens na \u00e1gua, Nostradamus as notava em forma de cent\u00farias. A linguagem tinha que ser cifrada, para que os profanos n\u00e3o tivessem acesso t\u00e3o imediato a fatos t\u00e3o s\u00e9rios descritos pela pena de Nostradamus. Afirmam alguns estudiosos de suas enigm\u00e1ticas cent\u00farias que ele teria previsto a ascens\u00e3o e queda de monarcas, na\u00e7\u00f5es e papas; teria, inclusive, antevisto, com quase quatro s\u00e9culos de anteced\u00eancia &#8211; pois o vidente franc\u00eas vivera entre 1503 e 1566 -, a ascens\u00e3o de Hitler ao poder e a consequente II Guerra Mundial.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Uma outra figura que o fascinava e foi objeto de muitas fantasias durante sua adolesc\u00eancia foi o Conde Cagliostro. Apesar de ter vivido apenas cinquenta e dois\u00a0 anos, o Conde Cagliostro (1743-1795)\u00a0 tornou-se um fasc\u00ednio para aquele adolescente que, nas madrugadas silenciosas de Terra Roxa, vencia o sono para estar na companhia deste que \u00e9 considerado um dos maiores ocultistas de todos os tempos, embora n\u00e3o se possa negar que tenha beirado o charlatanismo ao usar o pretenso saber oculto para amealhar as benesses e prote\u00e7\u00e3o dos poderosos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Foi ao ler a biografia do Conde que aquele adolescente viu pela primeira vez estampadas nas p\u00e1ginas de uma publica\u00e7\u00e3o a palavra Alquimia. Uma palavra m\u00e1gica, cheia de possibilidades, que abriu para ele um mundo totalmente desconhecido, o mundo dos alquimistas, homens que eram um misto de cientistas, fil\u00f3sofos, vision\u00e1rios, magos e, especialmente, dotados de grandes ambi\u00e7\u00f5es. Eles almejavam nada menos que transmutar metais em ouro, e movidos por esse af\u00e3 muitos empenharam sua vida inteira.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Cagliostro, no entanto, embora tenha sido tamb\u00e9m alquimista, n\u00e3o foi o mais importante\u00a0entre os versados na arte de transmutar a vil mat\u00e9ria em ouro. Cagliostro foi, antes de tudo, um grande curioso, viajante incans\u00e1vel que, tendo por ber\u00e7o Parma, na It\u00e1lia, percorreria depois o Egito, a Gr\u00e9cia, a P\u00e9rsia, a Eti\u00f3pia e, tamb\u00e9m, um pa\u00eds que, alguns anos depois, se tornaria um dos grandes anelos daquele adolescente que, ent\u00e3o, dava os primeiros passos na descoberta do saber esot\u00e9rico: a maravilhosa e m\u00edstica \u00cdndia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Mas, voltando \u00e0 alquimia, o grande alquimista da hist\u00f3ria n\u00e3o foi o Conde Cagliostro. O homem que assentaria realmente as bases da alquimia, estabelecendo-lhe os m\u00e9todos e t\u00e9cnicas que permitiriam a consecu\u00e7\u00e3o do almejado sonho de transmutar os metais em ouro, se tornaria conhecido s\u00e9culos afora pelo nome de Paracelso. Ao lado de Nostradamus e do Conde Cagliostro, Paracelso foi a terceira figura a compor a galeria das figuras misteriosas que come\u00e7avam a povoar o imagin\u00e1rio do jovem ne\u00f3fito.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Convertera a si mesmo num personagem. 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