{"id":4004,"date":"2011-10-11T06:15:12","date_gmt":"2011-10-11T09:15:12","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4004"},"modified":"2011-10-11T06:15:12","modified_gmt":"2011-10-11T09:15:12","slug":"a-tarefa-cristificar-se","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/10\/11\/a-tarefa-cristificar-se\/","title":{"rendered":"A tarefa: cristificar-se"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Haver\u00e1 algum entre v\u00f3s que acredita poder poupar-se o caminho? Poder eximir-se astuciosamente do sofrimento de Cristo? Eu digo: este se ilude para seu pr\u00f3prio preju\u00edzo. Ele se deita sobre pregos e fogo. Do caminho de Cristo ningu\u00e9m pode ser poupado, pois este caminho conduz ao que vir\u00e1. V\u00f3s todos deveis tornar-vos Cristos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">V\u00f3s n\u00e3o superareis a velha doutrina fazendo menos, mas fazendo mais. Cada passo para mais perto de minha alma estimula o riso de deboche de meus dem\u00f4nios, aqueles bisbilhoteiros e envenenadores covardes. Para eles era f\u00e1cil zombar, pois eu tinha coisas estranhas a fazer.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">C. G. Jung<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Jung, C. G. O Livro Vermelho: Liber Novus<\/strong><em>. Editado por Sonu Shamdasani; pref\u00e1cio de Ulrich Hoerni; tradu\u00e7\u00e3o: Liber Novus, Edgar Orth; introdu\u00e7\u00e3o, Gentil A. Titton e Gustavo Barcellos; revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o, Walter Boechat. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2010, \u00a0\u00a0\u00a0p. 234.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Ao nascer, a cada um de n\u00f3s foi delegada uma tarefa, ou, noutras palavras, uma miss\u00e3o. N\u00e3o nos resta outra alternativa, portanto, sen\u00e3o cumpri-la fiel e integralmente. O exemplo paradigm\u00e1tico dessa premissa \u00e9 o epis\u00f3dio de Cristo no Gets\u00eamane. Naquele que foi sem d\u00favida o momento mais crucial de sua vida, ele experimentou a s\u00f3s a grande solid\u00e3o da decis\u00e3o que ningu\u00e9m mais poderia tomar, a n\u00e3o ser ele mesmo: beber ou n\u00e3o o c\u00e1lice que o Pai lhe destinara.<\/p>\n<p>Penso que todos n\u00f3s temos o nosso Gets\u00eamane. Certamente passamos por diversas situa\u00e7\u00f5es em que somos for\u00e7ados a tomar decis\u00f5es. Uma decis\u00e3o \u00e9 sempre algo dif\u00edcil, porque envolve responsabilidade, pois implica em arcar com as consequ\u00eancias. Mas creio que h\u00e1 um determinado momento, uma \u00fanica ocasi\u00e3o em que cada um de n\u00f3s, humanos, \u00e9 chamado \u00e0 experi\u00eancia do Gets\u00eamane. \u00c9 quando nos \u00e9 dada a oportunidade de sorver o c\u00e1lice que o Pai nos reservou.<\/p>\n<p>Que momento estupendo! Que decis\u00e3o grandiosa! Que solid\u00e3o tamanha! Que responsabilidade!<\/p>\n<p>Tudo o que h\u00e1 de vir depender\u00e1 da nossa decis\u00e3o.<\/p>\n<p>E a quem recusa o c\u00e1lice que lhe est\u00e1 reservado, o que resta? Seguir, talvez, como um errante pela vida afora, sem rumo e sem prumo.<\/p>\n<p>Urge fazer coincidir a vontade pessoal com a vontade divina. Somente nessa perspectiva pode-se afirmar o imperativo da vontade. Paradoxal, sem d\u00favida, essa afirma\u00e7\u00e3o. Mas quem se disp\u00f5e a sorver o c\u00e1lice at\u00e9 a \u00faltima gota s\u00f3 encontra explica\u00e7\u00e3o no paradoxo. De fato, n\u00e3o se trata nem mesmo de explica\u00e7\u00e3o; trata-se, isso sim, de viver o paradoxo.<\/p>\n<p>Perder a vida para ganhar a vida, como asseverou o Mestre.\u00a0<\/p>\n<p>Os que aceitam o c\u00e1lice n\u00e3o raras vezes parecem fazer coisas estranhas. Isso prov\u00e9m do fato de assumirem integral e radicalmente sua singularidade. E quem assume sua singularidade \u00e9 sempre um estranho ao rebanho que n\u00e3o suporta as ovelhas que insistem em se desgarrar da turba.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 preciso dar vaz\u00e3o ao estranho que habita em n\u00f3s, ousar fazer coisas estranhas aos olhos da turba, do contr\u00e1rio n\u00e3o se chegar\u00e1 jamais ao lugar que verdadeiramente nos est\u00e1 destinado e que, portanto, nos pertence por direito.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 cristificar-se, tarefa da qual Jung falou de forma t\u00e3o perfeita em um trecho do herm\u00e9tico \u00a0<em>O Livro Vermelho<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Haver\u00e1 algum entre v\u00f3s que acredita poder poupar-se o caminho? Poder eximir-se astuciosamente do sofrimento de Cristo? Eu digo: este se ilude para seu pr\u00f3prio preju\u00edzo. Ele se deita sobre pregos e fogo. Do caminho de Cristo ningu\u00e9m pode ser poupado, pois este caminho conduz ao que vir\u00e1. V\u00f3s todos deveis tornar-vos Cristos.<br \/>\nV\u00f3s n\u00e3o superareis a velha doutrina fazendo menos, mas fazendo mais. Cada passo para mais perto de minha alma estimula o riso de deboche de meus dem\u00f4nios, aqueles bisbilhoteiros e envenenadores covardes. Para eles era f\u00e1cil zombar, pois eu tinha coisas estranhas a fazer.<br \/>\nC. G. Jung<br \/>\n[Jung, C. G. O Livro Vermelho: Liber Novus. Editado por Sonu Shamdasani; pref\u00e1cio de Ulrich Hoerni; tradu\u00e7\u00e3o: Liber Novus, Edgar Orth; introdu\u00e7\u00e3o, Gentil A. Titton e Gustavo Barcellos; revis\u00e3o da tradu\u00e7\u00e3o, Walter Boechat. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 2010,    p. 234.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-4004","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4004","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4004"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4004\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4004"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4004"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4004"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}