{"id":4136,"date":"2011-10-27T06:15:48","date_gmt":"2011-10-27T09:15:48","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4136"},"modified":"2011-10-27T06:15:48","modified_gmt":"2011-10-27T09:15:48","slug":"o-necessario-retorno-a-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/10\/27\/o-necessario-retorno-a-religiao\/","title":{"rendered":"O necess\u00e1rio retorno \u00e0 religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><\/p>\n<div id=\"attachment_4141\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-4141\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/o-necessario-retorno-a-religiao\/05-major-hierophant_-_oswalde_wirth\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4141\" class=\"size-thumbnail wp-image-4141\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/10\/05-Major-Hierophant_-_Oswalde_Wirth-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4141\" class=\"wp-caption-text\">Hierofante. Tar\u00f4 de Oswald Wirth<\/p><\/div>\n<p>Receio que nada se pode fazer com essas pessoas. A Igreja est\u00e1 a\u00ed e \u00e9 v\u00e1lida para os que est\u00e3o nela. Os que est\u00e3o fora das paredes da Igreja n\u00e3o podem ser trazidos de volta por meios comuns. Mas gostaria que o clero entendesse a linguagem da alma e que o cl\u00e9rigo fosse um diretor de consci\u00eancia. Por que seria eu um diretor de consci\u00eancia? Eu sou m\u00e9dico e n\u00e3o tenho preparo para isso. Trata-se de uma voca\u00e7\u00e3o natural do cl\u00e9rigo; ele deveria faz\u00ea-lo. Por isso gostaria que surgisse uma nova gera\u00e7\u00e3o de pessoas do clero que fizessem o mesmo que se faz na Igreja Cat\u00f3lica: tentar traduzir a linguagem do inconsciente, inclusive a linguagem dos sonhos, para uma linguagem intelig\u00edvel. Sei, por exemplo, que existe agora na Alemanha o C\u00edrculo de Berneuchen, um movimento lit\u00fargico cujo representante principal \u00e9 um homem com grande conhecimento dos s\u00edmbolos. Ele me deu uma s\u00e9rie de casos que pude comprovar, em que traduziu, com grande \u00eaxito, para a linguagem dogm\u00e1tica a linguagem dos sonhos, e estas pessoas voltaram calmamente para o ordenamento da Igreja. Alguns de nossos neur\u00f3ticos n\u00e3o t\u00eam nenhuma desculpa e nenhum direito de ser neur\u00f3ticos. Eles pertencem a uma Igreja, e se a gente conseguir que eles voltem \u00e0 Igreja, n\u00f3s os teremos ajudado. Muitos de nossos pacientes se tornaram cat\u00f3licos, outros voltaram \u00e0 sua Igreja original. Mas isto deve ser algo que tenha subst\u00e2ncia e forma. N\u00e3o \u00e9 verdade que toda pessoa que analisamos d\u00ea for\u00e7osamente um pulo no futuro. Talvez ela seja determinada por uma Igreja e, se pude voltar \u00e0 Igreja, talvez isto seja o melhor que lhe possa acontecer.<\/p>\n<p><\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">C. G. Jung<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Jung, C. G. III. A vida simb\u00f3lica<\/strong><em>, p. 284. Em: <strong>Jung, C. G. \u00a0A vida simb\u00f3lica: escritos diversos<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1)]<\/em><\/span><\/p>\n<p>No dia 5 de abril de 1939, Jung proferiu uma confer\u00eancia no semin\u00e1rio do Guild of Pastoral Psychology, em Londres, sobre o tema \u201cA vida simb\u00f3lica\u201d. Ap\u00f3s a confer\u00eancia, Jung respondeu a perguntas da plateia. O Bispo de Southwark prop\u00f4s a seguinte quest\u00e3o: \u201cO que fazer com a grande maioria das pessoas com que temos de lidar que n\u00e3o pertencem a nenhuma Igreja? Elas dizem que s\u00e3o da Igreja anglicana, mas n\u00e3o pertencem a ela em nada\u201d (p. 284).<\/p>\n<p>Em sua resposta, reproduzida acima em ep\u00edgrafe a este texto, Jung salienta o retorno \u00e0 religi\u00e3o como um facilitador no tratamento da neurose. Isso porque a religi\u00e3o tem todas as condi\u00e7\u00f5es para traduzir para sua linguagem, por interm\u00e9dio dos s\u00edmbolos, conte\u00fados inconscientes manifestados especialmente atrav\u00e9s dos sonhos.<\/p>\n<p>Ora, a ess\u00eancia desses conte\u00fados, est\u00e1 sobejamente comprovado, aponta de forma inequ\u00edvoca para a dimens\u00e3o transcendente da psique. Da\u00ed porque s\u00e3o as religi\u00f5es, atrav\u00e9s de seus mitos e dogmas, quem melhor os expressam. Nesse sentido, pode-se afirmar que as religi\u00f5es s\u00e3o media\u00e7\u00f5es culturais que oferecem ao indiv\u00edduo os meios necess\u00e1rios de acesso ao sagrado. Nessa perspectiva, elas cumprem uma fun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica muito importante, uma vez que permitem a express\u00e3o simb\u00f3lica de conte\u00fados inconscientes que clamam por express\u00e3o, o que, de outra forma, se tornaria mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que as religi\u00f5es sejam o \u00fanico caminho de acesso a tais conte\u00fados. O que Jung sugere \u2013 e, nesse aspecto, estou absolutamente de acordo com o seu ponto de vista -, \u00e9 que elas s\u00e3o o meio mais eficaz e, talvez, mais vi\u00e1vel, o que n\u00e3o significa que n\u00e3o haja outras alternativas.<\/p>\n<p>O ponto a destacar \u00e9 o seguinte. As religi\u00f5es, especialmente as grandes religi\u00f5es, t\u00eam uma tradi\u00e7\u00e3o de s\u00e9culos, o que as levou a acumular um cabedal de mitos, dogmas e ritos que constituem um aut\u00eantico e valioso patrim\u00f4nio simb\u00f3lico. Os s\u00edmbolos religiosos n\u00e3o nascem do nada, n\u00e3o podem ser considerados mera inven\u00e7\u00e3o de mentes ociosas que n\u00e3o t\u00eam o que fazer a n\u00e3o ser criar mitos vazios de sentido. Os s\u00edmbolos religiosos t\u00eam sua raiz no inconsciente coletivo, esse grande manancial onde est\u00e1 armazenado todo o repert\u00f3rio m\u00edtico e religioso da humanidade.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que eles cumprem uma fun\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica t\u00e3o importante, pois quando se consolidam atrav\u00e9s de um rito, por exemplo, numa determinada religi\u00e3o, o fazem para responder a um anseio que vinha medrando j\u00e1 no inconsciente de um determinado agrupamento humano. Os ritos, ali\u00e1s, s\u00e3o a express\u00e3o concreta da realidade simb\u00f3lica; s\u00e3o, como afirmam alguns estudiosos do assunto, o mito dramatizado.<\/p>\n<p>Do que se afirmou, decorre a proposta de Jung de que os cl\u00e9rigos deveriam ser <em>diretores de consci\u00eancia<\/em>. O que Jung quer dizer \u00e9 que essas pessoas deveriam desempenhar, nas religi\u00f5es, o papel de <em>psicopompo<\/em>, ou seja, algu\u00e9m que conduz as almas na travessia pela dif\u00edcil e delicada trilha de acesso ao sagrado.<\/p>\n<p>No tar\u00f4, esse personagem est\u00e1 muito bem expresso pela figura do <em>Hierofante<\/em>, em alguns tar\u00f4s tamb\u00e9m denominado <em>Sumo Pont\u00edfice<\/em>. A palavra <em>Pomt\u00edfice<\/em> deriva do latim, <em>pontifex<\/em>, o que constr\u00f3i pontes, ou seja, o que ajuda as pessoas a fazer a media\u00e7\u00e3o, a travessia, entre o sagrado e o profano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Receio que nada se pode fazer com essas pessoas. A Igreja est\u00e1 a\u00ed e \u00e9 v\u00e1lida para os que est\u00e3o nela. Os que est\u00e3o fora das paredes da Igreja n\u00e3o podem ser trazidos de volta por meios comuns. Mas gostaria que o clero entendesse a linguagem da alma e que o cl\u00e9rigo fosse um diretor de consci\u00eancia. Por que seria eu um diretor de consci\u00eancia? Eu sou m\u00e9dico e n\u00e3o tenho preparo para isso. Trata-se de uma voca\u00e7\u00e3o natural do cl\u00e9rigo; ele deveria faz\u00ea-lo. Por isso gostaria que surgisse uma nova gera\u00e7\u00e3o de pessoas do clero que fizessem o mesmo que se faz na Igreja Cat\u00f3lica: tentar traduzir a linguagem do inconsciente, inclusive a linguagem dos sonhos, para uma linguagem intelig\u00edvel. Sei, por exemplo, que existe agora na Alemanha o C\u00edrculo de Berneuchen, um movimento lit\u00fargico cujo representante principal \u00e9 um homem com grande conhecimento dos s\u00edmbolos. Ele me deu uma s\u00e9rie de casos que pude comprovar, em que traduziu, com grande \u00eaxito, para a linguagem dogm\u00e1tica a linguagem dos sonhos, e estas pessoas voltaram calmamente para o ordenamento da Igreja. Alguns de nossos neur\u00f3ticos n\u00e3o t\u00eam nenhuma desculpa e nenhum direito de ser neur\u00f3ticos. Eles pertencem a uma Igreja, e se a gente conseguir que eles voltem \u00e0 Igreja, n\u00f3s os teremos ajudado. Muitos de nossos pacientes se tornaram cat\u00f3licos, outros voltaram \u00e0 sua Igreja original. Mas isto deve ser algo que tenha subst\u00e2ncia e forma. N\u00e3o \u00e9 verdade que toda pessoa que analisamos d\u00ea for\u00e7osamente um pulo no futuro. Talvez ela seja determinada por uma Igreja e, se pude voltar \u00e0 Igreja, talvez isto seja o melhor que lhe possa acontecer.<br \/>\nC. G. Jung<br \/>\n[Jung, C. G. III. A vida simb\u00f3lica, p. 284. Em: Jung, C. G.  A vida simb\u00f3lica: escritos diversos. Tradu\u00e7\u00e3o de Araceli Elman, Edgar Orth; revis\u00e3o liter\u00e1ria de L\u00facia Mathilde Endlich Orth; revis\u00e3o t\u00e9cnica de Jette Bonaventura. \u2013 Petr\u00f3polis, RJ: Vozes, 1997. \u2013 (Obras completas de C. G. Jung; v. 18\/1)]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":4141,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-4136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4136\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4141"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}