{"id":4144,"date":"2011-10-28T06:15:39","date_gmt":"2011-10-28T09:15:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4144"},"modified":"2011-10-28T06:15:39","modified_gmt":"2011-10-28T09:15:39","slug":"uma-perspectiva-africana-da-biblia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/10\/28\/uma-perspectiva-africana-da-biblia\/","title":{"rendered":"Uma perspectiva africana da B\u00edblia"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><em><a href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/uma-perspectiva-africana-da-biblia\/01_comentario-biblico-africano_grande\/\" rel=\"attachment wp-att-4149\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-4149\" alt=\"\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/10\/01_comentario-biblico-africano_grande-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/10\/01_comentario-biblico-africano_grande-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/10\/01_comentario-biblico-africano_grande-120x120.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/10\/01_comentario-biblico-africano_grande.jpg 263w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><\/a>A B\u00edblia \u00e9 indispens\u00e1vel no discipulado pessoal de cada membro da igreja e no minist\u00e9rio de prega\u00e7\u00e3o do pastor. A fim de exercerem seu papel, contudo, as Escrituras precisam ser compreendidas, da\u00ed a import\u00e2ncia do<\/em> Coment\u00e1rio b\u00edblico africano<em>. Nos \u00faltimos tempos, a igreja na \u00c1frica tem testemunhado o avan\u00e7o de estudos b\u00edblicos s\u00e9rios no \u00e2mbito acad\u00eamico. Trata-se de um ressurgimento auspicioso no continente que no passado nos deu int\u00e9rpretes como Agostinho e Atan\u00e1sio. O <\/em>Coment\u00e1rio b\u00edblico africano<em> \u00e9 um marco editorial e desejo parabenizar os colaboradores e editores pela elabora\u00e7\u00e3o de um coment\u00e1rio fundamentado nas Escrituras, que as interpreta do ponto de vista africano e aborda quest\u00f5es controversas de modo equilibrado. Tenho a inten\u00e7\u00e3o de us\u00e1-lo para obter maior entendimento da Palavra de Deus sob a \u00f3tica africana. Ali\u00e1s, espero que conquiste leitores do mundo inteiro para que possamos compreender melhor as dimens\u00f5es plenas do amor de Cristo (Ef 3:18).<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Dr. John Stott \u00a0\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Pref\u00e1cio<\/strong><em>, p. vii. Em:<\/em> <strong>Adeyemo, Tokunboh<\/strong> <em>(editor geral).<\/em><strong> Coment\u00e1rio b\u00edblico africano<\/strong><em>. S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 2010.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>Quando soube da publica\u00e7\u00e3o do <em>Coment\u00e1rio b\u00edblico africano: um coment\u00e1rio em um volume escrito por 70 eruditos africanos<\/em>, tratei logo de adquiri-lo. A B\u00edblia \u00e9 uma das minhas paix\u00f5es, embora eu n\u00e3o possa afirmar que a conhe\u00e7a em profundidade. Quando li o t\u00edtulo do volume, imediatamente fiz a inevit\u00e1vel associa\u00e7\u00e3o com a conhecida <em>Septuaginta<\/em>, ou <em>Vers\u00e3o dos Setenta<\/em>, a tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia hebraica para o grego que, conforme a tradi\u00e7\u00e3o, teria sido feita por setenta e dois rabinos.<\/p>\n<p>No caso do <em>Coment\u00e1rio b\u00edblico africano<\/em>, n\u00e3o se trata exatamente de uma tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia. A volumosa obra, que na edi\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa ficou com 1627 p\u00e1ginas, \u00e9, como o pr\u00f3prio t\u00edtulo sugere, um coment\u00e1rio a cada dos livros do Antigo e do Novo Testamento. Os coment\u00e1rios foram escritos por eruditos africanos de diferentes igrejas, tendo a uni-los dois aspectos: o fato de terem nascido no continente africano e de pertencerem a uma denomina\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Nesse caso, as igrejas a que pertencem s\u00e3o, todas elas, evang\u00e9licas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos coment\u00e1rios dos livros b\u00edblicos, a obra traz uma s\u00e9rie de artigos abordando temas como <em>A B\u00edblia e a poligamia<\/em>, <em>A igreja e o Estado<\/em>, <em>A tradu\u00e7\u00e3o da B\u00edblia na \u00c1frica<\/em>, <em>Funerais e ritos de enterro<\/em>, <em>Culto nos lares<\/em>, <em>Democracia<\/em>, <em>Feiti\u00e7aria<\/em>, <em>Ritos de inicia\u00e7\u00e3o<\/em>, <em>O crist\u00e3o e o meio ambiente<\/em>, <em>Sincretismo<\/em>, <em>Sonhos<\/em>, dentre outros. Esses artigos conferem \u00e0 obra um valor especial, pois \u00e9 principalmente neles onde melhor transparece o objetivo que teve em mira seus editores, ou seja, adequar a interpreta\u00e7\u00e3o do texto b\u00edblico \u00e0s peculiaridades da cultura africana. Para que se tenha uma ideia de como \u00e9 realizado esse prop\u00f3sito, cito abaixo dois excertos de artigos em que \u00e9 tra\u00e7ado um paralelo entre o texto b\u00edblico e a cultura africana.<\/p>\n<p>Ao escrever sobre a ora\u00e7\u00e3o, o queniano Bonifes E. Adoyo, Mestre em divindade pela Nairobi Evangelical Graduate School of Theology (Qu\u00eania), bispo da Nairobi Pentecostal Church, afirma:<\/p>\n<p><em>Deus delegou o dom\u00ednio da terra aos seres humanos (Sl 8:4-8). Confiou-lhes responsabilidade e autoridade, mantidas com linhas de confian\u00e7a (Mt 12:36-37; Rm 2:6). A governan\u00e7a por delega\u00e7\u00e3o assegura iniciativa individual e estimula a imagina\u00e7\u00e3o, a criatividade e o desenvolvimento. No curso da realiza\u00e7\u00e3o dessas responsabilidades dadas por Deus, contudo, achamos necess\u00e1rio consultar-nos com ele para nos assegurar de que estamos agindo de acordo com a sua vontade. O ap\u00f3stolo Paulo descreve cuidadosamente nosso papel dizendo que \u201cde Deus somos cooperadores\u201d<\/em> (1 Cor 3:9).<\/p>\n<p>A seguir, estabelece o paralelo com a cultura de seu povo:<\/p>\n<p><em>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante \u00e0 da sociedade africana, na qual os idosos n\u00e3o tinham de tomar decis\u00f5es sobre assuntos corriqueiros, mas seus conselhos eram valiosos diante de dificuldades, ou quando decis\u00f5es s\u00e9rias tinham de ser tomadas<\/em> (p. 1213).<\/p>\n<p>Em outro artigo, o congol\u00eas Kazuli Koss\u00e9, Mestre em teologia pela Facult\u00e9 de Th\u00e9ologie Evang\u00e9lique de Bangui [FATEB], atualmente professor de missiologia na mesma Faculdade, ao tratar do tema <em>A unidade dos crentes<\/em>, escreve:<\/p>\n<p><em>No AT, a unidade do povo de Israel estava baseada no temor de Deus e nos la\u00e7os familiares. Todavia, a despeito de ter um mesmo pai, Abra\u00e3o, Israel estava dividido em tribos e, mais tarde, dividiu-se em dois reinos. Apesar de terem a lei de Mois\u00e9s e de serem constantemente advertidos pelos profetas, o povo de Israel n\u00e3o foi capaz de obedecer a Deus nem de viver como ele desejava. Por essa raz\u00e3o, podemos dizer que eles n\u00e3o alcan\u00e7aram a verdadeira unidade. <\/em><\/p>\n<p>A seguir, compara a situa\u00e7\u00e3o de Israel, conforme narra a B\u00edblia, com a do povo africano:<\/p>\n<p><em>Nas na\u00e7\u00f5es e aldeias da \u00c1frica, a unidade depende em grande parte dos la\u00e7os familiares, do uso de um idioma comum ou de um fato de habitar uma mesma regi\u00e3o geogr\u00e1fica. Esse tipo de unidade \u00e9 vulner\u00e1vel, porque qualquer um que seja proveniente de outra regi\u00e3o ou que n\u00e3o fale o idioma \u00e9 considerado um intruso, at\u00e9 mesmo um inimigo. Assim, n\u00e3o h\u00e1 unidade envolvendo as v\u00e1rias regi\u00f5es da na\u00e7\u00e3o. <\/em><\/p>\n<p>Logo abaixo, conclui o racioc\u00ednio, defendendo o ponto de vista de que a almejada unidade pode ser obtida mediante a ado\u00e7\u00e3o de uma mesma f\u00e9, no caso, a f\u00e9 em Jesus Cristo:<\/p>\n<p><em>Em Israel, como na \u00c1frica, a unidade era apenas parcial, limitada a uma tribo ou a uma comunidade fechada. No NT, por\u00e9m, encontramos uma dimens\u00e3o universal e ilimitada para a unidade dos crentes. Essa unidade n\u00e3o conhece limites geogr\u00e1ficos, administrativos ou universais. \u00c9 baseada em Jesus. Por sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, Cristo abriu caminho para o estabelecimento de novas alian\u00e7as entre todos os povos, que antes viviam longe da gra\u00e7a divina e eram inimigos de Deus (Ef 2:12-13). Pela f\u00e9 em Jesus, os crentes agora fazem parte de uma nova na\u00e7\u00e3o, reconciliada com Deus e capaz de viver em genu\u00edna comunh\u00e3o \u2013 uma unidade vis\u00edvel<\/em> (p. 1320).<\/p>\n<p>O <em>Coment\u00e1rio b\u00edblico africano<\/em> \u00e9 um livro que tenho lido com interesse e sempre renovado prazer, pois me tem proporcionado a oportunidade tanto de conhecer melhor a cultura dos povos africanos, quanto a de obter informa\u00e7\u00f5es sobre como \u00e9 feita a evangeliza\u00e7\u00e3o neste continente de costumes e tradi\u00e7\u00f5es t\u00e3o peculiares e, por isso mesmo, \u00fanicas na hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A B\u00edblia \u00e9 indispens\u00e1vel no discipulado pessoal de cada membro da igreja e no minist\u00e9rio de prega\u00e7\u00e3o do pastor. A fim de exercerem seu papel, contudo, as Escrituras precisam ser compreendidas, da\u00ed a import\u00e2ncia do Coment\u00e1rio b\u00edblico africano. Nos \u00faltimos tempos, a igreja na \u00c1frica tem testemunhado o avan\u00e7o de estudos b\u00edblicos s\u00e9rios no \u00e2mbito acad\u00eamico. Trata-se de um ressurgimento auspicioso no continente que no passado nos deu int\u00e9rpretes como Agostinho e Atan\u00e1sio. O Coment\u00e1rio b\u00edblico africano \u00e9 um marco editorial e desejo parabenizar os colaboradores e editores pela elabora\u00e7\u00e3o de um coment\u00e1rio fundamentado nas Escrituras, que as interpreta do ponto de vista africano e aborda quest\u00f5es controversas de modo equilibrado. Tenho a inten\u00e7\u00e3o de us\u00e1-lo para obter maior entendimento da Palavra de Deus sob a \u00f3tica africana. Ali\u00e1s, espero que conquiste leitores do mundo inteiro para que possamos compreender melhor as dimens\u00f5es plenas do amor de Cristo (Ef 3:18).<br \/>\nDr. John Stott<br \/>\n[Pref\u00e1cio, p. vii. Em: Adeyemo, Tokunboh (editor geral). Coment\u00e1rio b\u00edblico africano. S\u00e3o Paulo: Mundo Crist\u00e3o, 2010.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":4149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,18,34],"tags":[],"class_list":["post-4144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo","category-09-arcano-ix-caminhos-do-sagrado","category-31-o-livro-dos-livros"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4144"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4144\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}