{"id":415,"date":"2009-08-09T12:00:15","date_gmt":"2009-08-09T17:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=415"},"modified":"2009-08-09T12:00:15","modified_gmt":"2009-08-09T17:00:15","slug":"a-transmutacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/08\/09\/a-transmutacao\/","title":{"rendered":"A Transmuta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\">Ent\u00e3o teve o seis de agosto, Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o. O epis\u00f3dio, um dos mais belos da epop\u00e9ia de Cristo, \u00e9 narrado por nada menos que tr\u00eas dos quatro evangelistas, somente S\u00e3o Jo\u00e3o n\u00e3o o menciona. Parecia-lhe que, depois do dois de agosto, o rumo de sua vida mudaria. Caminhava contente trauteando velhas can\u00e7\u00f5es que sempre lhe traziam alegria. Mas, eis que chega a manh\u00e3 de seis de agosto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Pegou a B\u00edblia e resolveu abri-la, dando largas a uma pr\u00e1tica que convencionara chamar de <em>consulta sincr\u00f4nica<\/em>, pr\u00e1tica, ali\u00e1s, muito antiga, embora sem que este nome, pelo que o saiba, lhe tivesse sido dado at\u00e9 ent\u00e3o. Consistia nisso: formulava uma quest\u00e3o ou uma afirma\u00e7\u00e3o e abria a B\u00edblia aleatoriamente. Pois naquela amanh\u00e3, resolveu formular n\u00e3o uma pergunta, mas uma afirma\u00e7\u00e3o. Abriu, ent\u00e3o, o Livro Sagrado em Romanos 2,21. Ao ler a primeira parte do vers\u00edculo, as palavras provocaram-lhe tal como\u00e7\u00e3o que ele precisou levantar e pegar um caf\u00e9 na cozinha, dando tempo para que pudesse aquietar um pouco o cora\u00e7\u00e3o. Retornou, e leu novamente o trecho b\u00edblico. Uma sensa\u00e7\u00e3o de inc\u00f4modo instalou-se naquele homem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Confuso, perturbado, &#8230;decepcionado consigo mesmo, resolveu tentar uma segunda consulta. Ao abrir sincronicamente o Livro Santo, seus olhos pousaram em Hebreus 8,7. O vers\u00edculo o deixou parcialmente aquietado, ao rememorar o pacto celebrado h\u00e1 cinco dias. Ainda assim, por\u00e9m, um certo inc\u00f4modo persistia. Na verdade, aquele homem nunca tinha cem por cento de garantia. Parece que estava fadado a seguir tentando acertar \u00e0s apalpadelas. Pelo menos ele n\u00e3o desistia, pois fora talhado em madeira de lei, daquelas que, eventualmente, podem at\u00e9\u00a0 rachar e fender, mas n\u00e3o se partem com facilidade.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Como lhe restasse, por\u00e9m, um angustiante inc\u00f4modo, lembrou de consultar o <em>Livro de Efem\u00e9rides Crist\u00e3s<\/em>, ao qual sempre recorria. Na verdade,\u00a0desde muito tempo\u00a0fizera do <em>Efem\u00e9rides<\/em>, nome pelo qual se referia habitualmente ao livro, uma esp\u00e9cie de brevi\u00e1rio, consultando-o diariamente. Ent\u00e3o, resolveu abri-lo. O livro trazia as efem\u00e9rides dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano. Resolveu consultar as efem\u00e9rides de seis de agosto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Que alegria ao ler o que estava destacado em negrito no topo da p\u00e1gina: <em>Transfigura\u00e7\u00e3o do Senhor<\/em>. Oh!, ficou maravilhado. Pegou o Livro Santo e, comovido, leu o relato de Mateus 17, 1-8. Lembrou, naquele momento, de que estivera, certa vez, no Monte Tabor, quando de sua peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra Santa, e da emo\u00e7\u00e3o que experimentara ao entrar na Igreja da Transfigura\u00e7\u00e3o, em cujo teto encontra-se uma representa\u00e7\u00e3o pict\u00f3rica do epis\u00f3dio b\u00edblico.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>Seis dias depois<\/em>, assim inicia Mateus o relato. H\u00e1 exatos seis dias decidira que celebraria o pacto, o grande pacto de sua vida, prop\u00f3sito que consumara no dia seguinte, dois de agosto. Rememorou a feliz coincid\u00eancia (?). N\u00e3o satisfeito com a leitura de Mateus, resolveu intensificar a emo\u00e7\u00e3o do momento, lendo tamb\u00e9m Marcos 9, 2-8 e Lucas 9, 28-36. Leu e releu os textos por mais de uma vez. O relato da Transfigura\u00e7\u00e3o f\u00ea-lo lembrar de quanto almejara operar em si a grande transmuta\u00e7\u00e3o de que falavam os alquimistas, seus mentores durante longos anos. De fato, era poss\u00edvel, <em>mutatis mutandis<\/em>, estabelecer um certo paralelo entre Transfigura\u00e7\u00e3o e Transmuta\u00e7\u00e3o. Era a esta \u00faltima que aquele homem aspirava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Repassou mentalmente sua visita ao Monte Tabor. Rememorou a extasiante paisagem que se descortina do topo da montanha, desde o epis\u00f3dio b\u00edblico convertido em lugar de adora\u00e7\u00e3o. Congratulou-se por ter recobrado a quietude inicialmente abalada pela primeira leitura daquela manh\u00e3.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Tinha, agora, que sair para trabalhar. Antes, por\u00e9m, resolveu dar uma folheada no livro que um amigo lhe presenteara no dia anterior. Qual n\u00e3o foi sua surpresa &#8211; aquele homem tinha em tais surpresas o sustent\u00e1culo de seus dias &#8211; ao ler um trecho em que o autor se referia ao car\u00e1ter sagrado atribu\u00eddo pelos Incas ao n\u00famero quarenta e oito. Mais uma vez fora-lhe confirmado: ele estava n<em>O Caminho<\/em>.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ent\u00e3o teve o seis de agosto, Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o. 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