{"id":4347,"date":"2011-11-22T06:15:39","date_gmt":"2011-11-22T09:15:39","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4347"},"modified":"2011-11-22T06:15:39","modified_gmt":"2011-11-22T09:15:39","slug":"historias-de-sincronicidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/11\/22\/historias-de-sincronicidades\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de sincronicidades"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><a rel=\"attachment wp-att-4357\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/historias-de-sincronicidades\/achei-que-meu-pai-fosse-deus\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-4357\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/11\/Achei-que-meu-pai-fosse-Deus-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>Eu disse aos ouvintes que estava em busca de hist\u00f3rias. Essas hist\u00f3rias tinham de ser verdadeiras e precisavam ser curtas, mas n\u00e3o haveria restri\u00e7\u00e3o quanto ao tema ou estilo. O que me interessava mais, expliquei, eram hist\u00f3rias que desafiassem nossas expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, casos que revelassem as for\u00e7as misteriosas e incognosc\u00edveis que atuam em nossas vidas, em nossas hist\u00f3rias de fam\u00edlia, em nossas mentes e corpos, em nossas almas. Em outras palavras, hist\u00f3rias verdadeiras que parecessem de fic\u00e7\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Paul Auster<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Auster, Paul<\/strong><em> (organiza\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de). <\/em><strong>Achei que meu pai fosse Deus e outras hist\u00f3rias da vida americana<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o Pedro Maia Soares. 2\u00aa. reimpress\u00e3o. \u2013 S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 14.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 alguns meses, numa de minhas sess\u00f5es de an\u00e1lise, eu e meu psicanalista convers\u00e1vamos sobre sincronicidades. Fal\u00e1vamos de alguns daqueles acontecimentos surpreendentes pelos quais qualquer pessoa j\u00e1 passou pelo menos uma vez na vida. N\u00e3o faltaram relatos de ambas as partes, minha e do psicanalista, de fatos acontecimentos conosco. Foi a\u00ed que ele indagou se eu conhecia o livro de Paul Auster, <em>Achei que meu pai fosse Deus<\/em>. Como eu respondesse que n\u00e3o, ele completou: \u201cVasco, voc\u00ea precisa ler este livro. Olha, ali h\u00e1 hist\u00f3rias extraordin\u00e1rias, voc\u00ea vai gostar muito da leitura\u201d.<\/p>\n<p>Como sempre acontece cada vez que algu\u00e9m me d\u00e1 uma sugest\u00e3o desse tipo, sa\u00ed da sess\u00e3o de an\u00e1lise direto para a livraria Cultura.<\/p>\n<div id=\"attachment_4358\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a rel=\"attachment wp-att-4358\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/historias-de-sincronicidades\/paul-auster\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-4358\" class=\"size-medium wp-image-4358\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/11\/Paul-Auster-300x449.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"449\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/11\/Paul-Auster-300x449.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/11\/Paul-Auster-120x180.jpg 120w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2011\/11\/Paul-Auster.jpg 356w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-4358\" class=\"wp-caption-text\">Paul Auster<\/p><\/div>\n<p>Como n\u00e3o encontrasse o livro por l\u00e1, no caminho ainda passei na Nobel e, a seguir, na rua mesmo, estacionei o carro e liguei para a Saraiva. Nenhuma delas dispunha do livro. O jeito foi encomendar.<\/p>\n<p>Uma semana depois eu recebia a liga\u00e7\u00e3o da livraria Cultura dizendo que o livro chegara. S\u00e3o 390 p\u00e1ginas que li em quatro dias. Quase n\u00e3o conseguia largar o livro. Ao longo da leitura experimentei emo\u00e7\u00f5es e impress\u00f5es t\u00e3o intensas ante algumas hist\u00f3rias, que cheguei a sentir certo temor devido ao meu envolvimento com os relatos.<\/p>\n<p>Paul Auster, o autor, nasceu em 1947 em Newark, Nova Jersey, Estados Unidos. \u00c9 poeta, tradutor, cr\u00edtico de cinema e literatura, romancista e roteirista de cinema. Conforme relata na Introdu\u00e7\u00e3o, o livro foi consequ\u00eancia de uma proposta que ele recebeu do apresentador Daniel Zwerdling, da NPR \u2013 <em>National Public Radio<\/em>, para fazer um programa na r\u00e1dio. N\u00e3o sendo radialista, ele pensou em recusar. Ao falar do convite para sua esposa, por\u00e9m, ela sugeriu que ele o aceitasse. Poderia pedir aos pr\u00f3prios ouvintes que enviassem por escrito suas hist\u00f3rias e ele escolheria algumas para ler durante o programa. Recebeu uma enxurrada de narrativas pessoais, algumas t\u00e3o surpreendentes que resolveu public\u00e1-las em livro. Da\u00ed surgiu <em>Achei que meu pai fosse Deus e outras hist\u00f3rias verdadeiras da vida americana<\/em>.<\/p>\n<p>Durante a leitura dos relatos selecionados por Paul Auster somos levados a experimentar as mais diversas emo\u00e7\u00f5es, num cont\u00ednuo que vai do riso ao choro. Quer queiramos ou n\u00e3o, em diversas ocasi\u00f5es experimentamos uma intensa identifica\u00e7\u00e3o com o narrador, porque, no fim das contas, quem est\u00e1 falando ali \u00e9 uma pessoa como n\u00f3s, pass\u00edvel das mesmas emo\u00e7\u00f5es e dramas pessoais.<\/p>\n<p>Como diz o autor: <em>Mais do que nunca, passei a apreciar com que profundidade e paix\u00e3o a maioria de n\u00f3s vive dentro de si mesma. Nossos afetos s\u00e3o ferozes. Nossos amores nos dominam, nos definem, apagam as fronteiras entre n\u00f3s e os outros<\/em> (p. 17).<\/p>\n<p>Mas o que surpreende mesmo s\u00e3o as hist\u00f3rias de sincronicidades, relatos de incr\u00edveis e inexplic\u00e1veis <em>coincid\u00eancias<\/em> que desafiam o nosso senso de realidade e, muitas vezes, p\u00f5em de cabe\u00e7a para baixo nossa v\u00e3 e canhestra filosofia. A prop\u00f3sito, afirma Timothy Ackerman, autor de um dos relatos publicados no livro, intitulado <em>Vidas paralelas<\/em>:<\/p>\n<p><em>Algu\u00e9m me disse uma vez que a sincronicidade ocorre quando nossos anjos pessoais nos dizem que estamos no lugar certo na hora certa. Migalhas de p\u00e3o para o destino<\/em> (p. 341).<\/p>\n<p><em>Achei que meu pai fosse Deus<\/em> \u00e9 um livro para ler, se emocionar e, sobretudo, se surpreender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu disse aos ouvintes que estava em busca de hist\u00f3rias. Essas hist\u00f3rias tinham de ser verdadeiras e precisavam ser curtas, mas n\u00e3o haveria restri\u00e7\u00e3o quanto ao tema ou estilo. O que me interessava mais, expliquei, eram hist\u00f3rias que desafiassem nossas expectativas em rela\u00e7\u00e3o ao mundo, casos que revelassem as for\u00e7as misteriosas e incognosc\u00edveis que atuam em nossas vidas, em nossas hist\u00f3rias de fam\u00edlia, em nossas mentes e corpos, em nossas almas. Em outras palavras, hist\u00f3rias verdadeiras que parecessem de fic\u00e7\u00e3o.<br \/>\nPaul Auster<br \/>\n[Auster, Paul (organiza\u00e7\u00e3o e introdu\u00e7\u00e3o de). Achei que meu pai fosse Deus e outras hist\u00f3rias da vida americana. Tradu\u00e7\u00e3o Pedro Maia Soares. 2\u00aa. reimpress\u00e3o. \u2013 S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 14.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":4357,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4347","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4357"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}