{"id":44,"date":"2009-07-11T12:50:36","date_gmt":"2009-07-11T17:50:36","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=44"},"modified":"2009-07-11T12:50:36","modified_gmt":"2009-07-11T17:50:36","slug":"edgar-morin-ou-a-natureza-histerica-do-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/07\/11\/edgar-morin-ou-a-natureza-histerica-do-homem\/","title":{"rendered":"Edgar Morin ou A natureza hist\u00e9rica do homem"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"font-size: medium;color: #000099\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-45\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/199509.jpg\" alt=\"199509\" width=\"180\" height=\"180\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/07\/199509.jpg 180w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/07\/199509-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/07\/199509-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 180px) 100vw, 180px\" \/>Finalmente, e isto \u00e9 o mais importante, h\u00e1 converg\u00eancia entre a descontinuidade-multiplicidade que desvendo em mim e a filosofia (antropocosmologia) que me atrai e que se fundamenta na natureza hist\u00e9rica do homem e na natureza ca\u00f3tica do mundo. O del\u00edrio, a meu ver, n\u00e3o \u00e9 apenas a desordem de sentimentos, mas tamb\u00e9m a ordem do sistema acabado. Este livro situa-se exatamente no ponto onde nascem os dois del\u00edrios. Talvez seja no n\u00facleo do caos que se trava &#8211; se existe verdade &#8211; o combate pela verdade.<br \/>\nEdgar Morin<br \/>\n[X da quest\u00e3o: o sujeito \u00e0 flor da pele. Trad. F\u00e1tima Murad; Fernanda Murad Machado &#8211; Porto alegre: Artmed, 2003, p. IX]<\/span><\/div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"font-size: medium\">Ler autobiografias e di\u00e1rios sempre me causou imenso prazer. Nas autobiografias e di\u00e1rios, em geral, os autores se desnudam, dando a conhecer facetas de sua personalidade e de sua vida que habitualmente n\u00e3o deixam transparecer nos seus outros escritos. Em alguns casos, por\u00e9m, ao prazer de ler um di\u00e1rio ou uma autobiografia soma-se um outro: o de encontrar na leitura trechos os quais nos levam a pensar: puxa vida, isso poderia ter sido escrito por mim, porque eu diria exatamente o que aqui afirma o autor. <\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: medium\">Edgar Morin \u00e9 um desses pensadores com o qual me identifiquei desde que li a primeira linha de um de seus livros. Nunca mais deixei de retornar \u00e0s suas obras. Cada novo livro que fui lendo de Morin foi descortinando para mim um novo mundo com novas propostas e possibilidades. No entanto, entre as muitas obras de autoria do pensador franc\u00eas cuja leitura poderia sugerir, destacaria o livro X DA QUEST\u00c3O: O SUJEITO \u00c0 FLOR DA PELE. O livro come\u00e7ou a ser escrito durante o per\u00edodo de convalesc\u00eancia de Morin quando esteve doente no Estados Unidos, o que o levou a uma hospitaliza\u00e7\u00e3o. Tenho experimentado tanto deleite com a leitura desse livro, que a ele tenho retornado muitas vezes. H\u00e1 trechos que j\u00e1 li dezenas de vezes sempre com renovado prazer. Penso que no X DA QUEST\u00c3O Morin aparece inteiro, sem disfarces, pondo \u00e0 mostra as descontinuidades e contradi\u00e7\u00f5es que nos constituem a todos enquanto sujeitos, isso que Morin denominou de &#8220;natureza hist\u00e9rica do homem&#8221;. Um dos aspectos do pensamento moriniano que mais me fascina \u00e9 exatamente o posutlado do ser hist\u00e9rico como condi\u00e7\u00e3o constitutiva do sujeito. Com Morin a histeria deixa de ser uma categoria patol\u00f3gica para se tornar condi\u00e7\u00e3o inerente ao humano. Deixo, \u00e0 guisa de conclus\u00e3o, um trecho em que Morin descreve o livro, com o meu expresso desejo de que tal trecho consiga fisgar alguns leitores para a leitura dessa fascinante obra:<\/span><\/div>\n<div><span style=\"font-size: medium\">&#8220;Corrigi pouco (apenas descuidos excessivos), cortei pouco, n\u00e3o acrescentei nada. O acabamento, o polimento, a revis\u00e3o geral do pensamento em uma forma constitu\u00edda teriam ocultado o pensamento constituinte (que \u00e9 igualmente insistente, estagnado) e destru\u00eddo o que aflora aqui e ali, o pensamento oculto, o pensamento insuficiente que espera, pela cat\u00e1lise, a enzima. Foi sem d\u00favida uma mistura de coquetismo e de convic\u00e7\u00e3o de autor que me fez decidir: por um lado, eu quis manter o &#8216;human touch&#8217; das pequenas anota\u00e7\u00f5es pessoais que balizam as longas reflex\u00f5es bastratas, o &#8216;human interest&#8217; de um trabalho de si sobre si, feito no ato, com seu movimento incerto de busca, sa\u00eddo de um leito de hospital e se perdendo na agita\u00e7\u00e3o do retorno a uma vida dita normal. Mas, por outro lado, n\u00e3o quis mascarar o que \u00e9 a verdade de minha (de toda) pessoa, a vida em muitos planos separados, simult\u00e2neos, as surpreendentes descontinuidades do ser&#8230; acho que \u00e9 preciso que o leitor veja o emaranhado ou o paralelismo de uma crise pessoal, de um requestionamento geral, de uma preocupa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, do surgimento inevit\u00e1vel do Eros, de pequenas obsess\u00f5es e de repulsas singulares, e, finalmente, &#8216;sob&#8217; e &#8216;contra&#8217; a vontade de discurso coerente, as rupturas e as falhas de uma simples exist\u00eancia&#8221;. <\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Finalmente, e isto \u00e9 o mais importante, h\u00e1 converg\u00eancia entre a descontinuidade-multiplicidade que desvendo em mim e a filosofia (antropocosmologia) que me atrai e que&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-44","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}