{"id":4535,"date":"2011-12-30T09:56:18","date_gmt":"2011-12-30T12:56:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4535"},"modified":"2011-12-30T09:56:18","modified_gmt":"2011-12-30T12:56:18","slug":"desistindo-da-virtude-impossivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2011\/12\/30\/desistindo-da-virtude-impossivel\/","title":{"rendered":"Desistindo da virtude imposs\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #ff0000\">O homem maduro \u00e9 o que desiste da virtude imposs\u00edvel para n\u00e3o perder a poss\u00edvel.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Luis Fernando Ver\u00edssimo<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #ff0000\"><em>[<\/em><strong>Ver\u00edssimo, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam<\/strong><em>. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000, p. 166]<\/em><\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 uns quatro anos uma amiga me mostrou uma cr\u00f4nica do Luis Fernado Ver\u00edssimo intitulada <em>Check-up<\/em>, cujo final nunca mais me saiu do pensamento. \u00c9 a \u00faltima cr\u00f4nica do livro <em>As mentiras que os homens contam<\/em>. Nela, o autor fala com o seu habitual senso de humor, daquelas promessas de ano novo que quase cem por cento de n\u00f3s fazemos na \u00faltima semana do ano. Para muita gente a lista de coisas que n\u00e3o vai mais fazer \u00e9 enorme, competindo com outra igualmente extensa: a das coisas que vai come\u00e7ar a fazer. Ano novo, vida nova. A partir de primeiro de janeiro n\u00e3o farei mais isso, n\u00e3o farei mais aquilo, e por a\u00ed vai. Em compensa\u00e7\u00e3o, vou adotar uma por\u00e7\u00e3o de novos h\u00e1bitos que v\u00e3o transformar a minha vida.<\/p>\n<p>Chegado o primeiro de janeiro, por\u00e9m, a decep\u00e7\u00e3o n\u00e3o se faz esperar. Duas ou tr\u00eas horas depois de acordar, ou no m\u00e1ximo no final do dia, dependendo da promessa, j\u00e1 foi tudo por \u00e1gua a baixo. Uma semana depois, as promessas j\u00e1 viraram cinza, esquecidas no corre-corre do dia a dia.<\/p>\n<p>Todo mundo sabe que mudar h\u00e1bitos n\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil. Os motivos s\u00e3o muitos, n\u00e3o sendo o menor deles as motiva\u00e7\u00f5es e desejos inconscientes que nos levam a agir, muitas vezes, \u00e0 revelia de n\u00f3s mesmos. Portanto, n\u00e3o \u00e9 apenas por um ato volitivo que conseguiremos mudar facilmente alguns h\u00e1bitos, como se tudo acontecesse num passe de m\u00e1gica.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o quer dizer que seja imposs\u00edvel mudar alguma coisa. \u00c9 poss\u00edvel, sim. Mesmo h\u00e1bitos que mantivemos durante anos e anos, em alguns casos, usando-se de determina\u00e7\u00e3o e for\u00e7a de vontade, ser\u00e1 poss\u00edvel modific\u00e1-los. Mas isso na maioria das vezes n\u00e3o acontece. E a\u00ed o resultado pode ser desastroso, pois adv\u00e9m logo uma sensa\u00e7\u00e3o de incapacidade, de impot\u00eancia, como se tiv\u00e9ssemos falhado no nosso prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, portanto, ter cuidado com as promessas que nos fazemos nos \u00faltimos dias do ano. N\u00e3o h\u00e1 nada demais em faz\u00ea-las, todo mundo faz. O inconveniente, por\u00e9m, \u00e9 fazer promessas que j\u00e1 de sa\u00edda sabemos que n\u00e3o seremos capazes de cumprir. E uma pessoa sabe. Todos n\u00f3s, l\u00e1 no \u00edntimo, sabemos do que somos capazes, sabemos at\u00e9 onde podemos ir na concretiza\u00e7\u00e3o das metas que nos propomos realizar.<\/p>\n<p>Tra\u00e7ar metas e objetivos para o novo ano pode ser uma pr\u00e1tica muito saud\u00e1vel e valiosa. Desde que tenhamos os p\u00e9s no ch\u00e3o, n\u00e3os descurando do necess\u00e1rio senso de medida. Vale o bom-senso. \u00c9 preciso cuidado para n\u00e3o incorrermos na proje\u00e7\u00e3o de metas grandiosas demais ou inating\u00edveis, a fim de evitar que, devido \u00e0 frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o atingir <em>as virtudes imposs\u00edveis<\/em>, percamos at\u00e9 mesmo <em>as poss\u00edveis<\/em>, que nos poderiam trazer grandes benef\u00edcios e at\u00e9, quem sabe, proporcionar grandes transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Pode parecer estranho o que vou dizer, mas \u00e9 verdade: \u00e0s vezes a mudan\u00e7a consiste, exatamente, em desistirmos da \u00a0mudan\u00e7a. Porque abrir m\u00e3o da mudan\u00e7a de um h\u00e1bito que supostamente est\u00e1 nos atrapalhando pode significar assumir uma atitude de aceita\u00e7\u00e3o da pessoa que se \u00e9 de fato. E isso, muitas vezes, produz efeitos surpreendentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O homem maduro \u00e9 o que desiste da virtude imposs\u00edvel para n\u00e3o perder a poss\u00edvel.<br \/>\nLuis Fernando Ver\u00edssimo<br \/>\n[Ver\u00edssimo, Luis Fernando. As mentiras que os homens contam. 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