{"id":4557,"date":"2012-01-02T08:40:55","date_gmt":"2012-01-02T11:40:55","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4557"},"modified":"2012-01-02T08:40:55","modified_gmt":"2012-01-02T11:40:55","slug":"iniciacao-a-gustavo-corcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2012\/01\/02\/iniciacao-a-gustavo-corcao\/","title":{"rendered":"Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 vida e obra de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\"><a rel=\"attachment wp-att-4563\" href=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/iniciacao-a-gustavo-corcao\/licoes-de-gustavo-corcao\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-4563\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2012\/01\/Li\u00e7\u00f5es-de-Gustavo-Cor\u00e7\u00e3o-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a>O toque das grandes aventuras seria forjado por ele mesmo. Cor\u00e7\u00e3o, com a sua aguda sensibilidade, soube tirar do cotidiano ordin\u00e1rio percep\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Marta Braga<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Braga, Marta. Li\u00e7\u00f5es de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o<\/strong><em>. \u2013 S\u00e3o Paulo: Quadrante, 2010, p. 11. \u2013 (Cole\u00e7\u00e3o V\u00e9rtice; 71)]<\/em><\/span><\/p>\n<p><em>Gustavo Cor\u00e7\u00e3o Braga nasceu a dezessete de dezembro de 1896, no Rocha, sub\u00farbio do Rio de Janeiro, segundo filho de Francisco Braga e de Gracieta Am\u00e9lia Cor\u00e7\u00e3o<\/em> (p. 10). A leitura dessas palavras no cap\u00edtulo 1 do livro <em>Li\u00e7\u00f5es de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o<\/em>, de Marta Braga, fizeram o meu cora\u00e7\u00e3o pulsar um pouco mais acelerado. O fato \u00e9 que, ao ler a informa\u00e7\u00e3o, me dei conta de que aquele dia em que eu iniciava a leitura da biografia de Cor\u00e7\u00e3o era, tamb\u00e9m, dezessete de dezembro. Sem que eu o soubesse, escolhera para me iniciar na vida e obra de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o exatamente o dia de seu anivers\u00e1rio de nascimento. Tendo em vista a expectativa com que eu aguardara a leitura daquele livro, aliado ao valor que atribuo \u00e0s <em>coincid\u00eancias<\/em>, digo, <em>sincronicidades<\/em>, nada poderia me deixar mais euf\u00f3rico naquela ocasi\u00e3o. Na momento em que me dei conta do fato, interrompi a leitura para fazer o registro no <em>Di\u00e1rio do Caminho<\/em>.<\/p>\n<p>Eu nunca havia ouvido falar de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o recebo um e-mail do amigo Pimentel J\u00fanior no qual ele transcrevia uma cita\u00e7\u00e3o desse autor, dizendo que ma estava enviando porque sua leitura o fizera lembrar de mim. \u00c0 leitura da cita\u00e7\u00e3o seguiu-se a exclama\u00e7\u00e3o: \u201cPreciso conhecer Gustavo Cor\u00e7\u00e3o!\u201d O trecho fora tirado do livro <em>Li\u00e7\u00f5es de abismo<\/em>. O t\u00edtulo, por si s\u00f3, j\u00e1 constitu\u00edra um grande motivador para que me interessasse por conhecer o autor. No mesmo dia eu ligava para as livrarias locais \u00e0 procura do livro. Como n\u00e3o o encontrasse, resolvi encomend\u00e1-lo. Antes, por\u00e9m, que a encomenda chegasse, descobri que em 2010 havia sido publicada uma biografia do autor. Resolvi fazer sua leitura antes de <em>Li\u00e7\u00f5es de abismo<\/em>. Como tamb\u00e9m n\u00e3o a encontrasse, fiz a encomenda na livraria. Uma semana depois de receber <em>Li\u00e7\u00f5es de abismo<\/em>, chegou <em>Li\u00e7\u00f5es de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o<\/em>.<\/p>\n<p>Iniciada a leitura &#8211; depois da euforia experimentada logo \u00e0s primeiras p\u00e1ginas, devido \u00e0 sincronicidade relatada acima -, fui descobrindo um autor que logo me despertaria grande interesse. No primeiro cap\u00edtulo, ao tratar da inf\u00e2ncia de Cor\u00e7\u00e3o, escreve Marta Braga:<\/p>\n<p><em>Esses anos felizes foram certamente a origem de outra qualidade fundamental da personalidade cor\u00e7oniana: a cren\u00e7a na simplicidade do homem comum e no bom-senso. A sua insist\u00eancia posterior em afirmar que s\u00e3o os fen\u00f4menos mais simples e correntes os que guardam as maiores verdades sobre a vida humana \u00e9 coerente com a sua valoriza\u00e7\u00e3o dessa \u00e9poca e dessa gente<\/em> (p. 15).<\/p>\n<p>Essa capacidade de encontrar o sentido maior nos fatos menores do cotidiano, me fascina. Nas p\u00e1ginas seguintes, por\u00e9m, eu encontraria outras caracter\u00edsticas que agu\u00e7ariam a minha curiosidade, como quando a autora fala da estrat\u00e9gia de busca da verdade adotada por Cor\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><em>O desprezo pelos esquemas prontos e pelos caminhos j\u00e1 tra\u00e7ados, pelas conveni\u00eancias meramente sociais e culturais, tornou-se algo medular nele<\/em>\u201d escreve Marta Braga na p\u00e1gina 17. E, mais adiante: <em>Livros, observa\u00e7\u00f5es, sobretudo a experi\u00eancia pr\u00e1tica baseada num programa livre e pr\u00f3prio, esses eram os seus m\u00e9todos. M\u00e9todos que o fariam desconfiar sempre dos profissionais bem instalados, protegidos pelas seguran\u00e7as pol\u00edticas, cujas pesquisas n\u00e3o eram, como as dele, uma aventura arriscada. A sua informalidade de aprendizagem daria sempre frutos compensadores<\/em> (p. 18).<\/p>\n<p>Essa busca informal pela verdade, seguindo um caminho tortuoso e cheio de desvios e bifurca\u00e7\u00f5es, mas, por isso mesmo, sempre emocionante, me atrai. Uma busca que se d\u00e1 de forma mais ou menos intuitiva, feita em livros, no encontro com as pessoas, nos acontecimentos, nas coincid\u00eancias, em tudo o que aparece pela frente, como se se montasse um grande quebra-cabe\u00e7a cujas pe\u00e7as est\u00e3o dispersas em diferentes locais e circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p>\u00c9 disso que fala Marta Braga na sua providencial biografia de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o. O livro \u00e9 produto de uma tese doutoral defendida por ela na Espanha. A autora nasceu em 1972 no Cosme Velho, bairro da cidade do Rio de Janeiro. Formada em Hist\u00f3ria e Geografia, \u00e9 Doutora em Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea pela Universidade de Navarra (Espanha), al\u00e9m de ter uma especializa\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria do pensamento cat\u00f3lico no Brasil do s\u00e9culo XX.<\/p>\n<p>Como a explora\u00e7\u00e3o da vida e obra de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o \u00e9 o meu projeto para os primeiros meses de 2012, retornarei ainda algumas vezes a este pensador brasileiro em outros textos aqui no Sincronicidade, ocasi\u00e3o em que falarei dele com mais detalhes. Para concluir, deixo uma cita\u00e7\u00e3o de <em>Li\u00e7\u00f5es de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o<\/em>, uma s\u00edntese da vida e da obra do autor de <em>Li\u00e7\u00f5es de abismo<\/em>:<\/p>\n<p><em>Realista at\u00e9 a crueza como Papini, terno como Le\u00f3n Bloy, implac\u00e1vel como Louis Veuillot, e, al\u00e9m disso, conhecedor de todos eles; admirador de Frederico Ozanan, devoto de Santa Catarina de Sena, de S\u00e3o Tom\u00e1s More, de S\u00e3o Bento e especialmente de S\u00e3o Vicente de Paulo; entusiasmado pelo cristianismo vivo de Chesterton e pela seriedade comprometida de Maritain, frequentador ass\u00edduo dos sacramentos, conferencista brilhante, crente na participa\u00e7\u00e3o intelectual, pol\u00edtica e social, a figura de Cor\u00e7\u00e3o, depois da sua convers\u00e3o, fez-se extremamente grande e respeitada. Nos meios urbanos e intelectuais, pouca gente o desconhecia e a rea\u00e7\u00e3o a ele era de rejei\u00e7\u00e3o ou ades\u00e3o, nunca de indiferen\u00e7a<\/em> (p. 49).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O toque das grandes aventuras seria forjado por ele mesmo. Cor\u00e7\u00e3o, com a sua aguda sensibilidade, soube tirar do cotidiano ordin\u00e1rio percep\u00e7\u00f5es extraordin\u00e1rias.<br \/>\nMarta Braga<br \/>\n[Braga, Marta. Li\u00e7\u00f5es de Gustavo Cor\u00e7\u00e3o. \u2013 S\u00e3o Paulo: Quadrante, 2010, p. 11. \u2013 (Cole\u00e7\u00e3o V\u00e9rtice; 71)]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":4563,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4557","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-03-arcano-iii-digressoes-de-um-bibliofilo"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4557","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4557"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4557\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4563"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4557"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4557"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4557"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}