{"id":4691,"date":"2012-02-01T06:15:16","date_gmt":"2012-02-01T09:15:16","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4691"},"modified":"2012-02-01T06:15:16","modified_gmt":"2012-02-01T09:15:16","slug":"deus-se-manifesta-conforme-e-adorado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2012\/02\/01\/deus-se-manifesta-conforme-e-adorado\/","title":{"rendered":"O Sagrado se manifesta conforme \u00e9 reverenciado"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">\u00c0s vezes, o retardamento em atender \u00e0s preces \u00e9 uma prova a que Deus nos submete. Mas Ele afinal se apresenta, assumindo a forma adorada pelo devoto persistente. Um crist\u00e3o devoto contempla Jesus; um hindu v\u00ea Krishna ou a deusa K\u00e1li; ou ent\u00e3o, uma Luz que se expande, se a adora\u00e7\u00e3o assume forma impessoal.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Paramahansa Yogananda<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Yogananda, Paramahansa. Autobiografia de um Iogue<\/strong><em>. Tradu\u00e7\u00e3o de Adelaide Petters Lessa. \u2013 S\u00e3o Paulo: Summus, 1981, p. 204.]<\/em><\/span><\/p>\n<p>No texto postado ontem neste blog, tratei das media\u00e7\u00f5es de que o Sagrado se vale para se manifestar. Prefiro falar de Sagrado para denominar esta realidade transcendente a fim evitar dar uma conota\u00e7\u00e3o muito judaico-crist\u00e3 ao assunto, uma vez que, em se tratando desta, eu teria que adotar necessariamente uma perspectiva monote\u00edsta. Assim procedo porque as <em>hierofanias<\/em>, ou seja, as manifesta\u00e7\u00f5es do Sagrado, acontecem em quaisquer religi\u00f5es, sejam elas monote\u00edstas ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o aqui um par\u00eantesis para esclarecer o seguinte: o inomin\u00e1vel, que, por quest\u00f5es de comodidade e porque precisamos da linguagem para a ele nos reportar, nas religi\u00f5es monote\u00edstas recebe o nome de Jav\u00e9, Deus ou Al\u00e1, ocupa, nessas religi\u00f5es, o centro de toda sacralidade. Em outras tradi\u00e7\u00f5es religiosas, por\u00e9m, ele ocupa essa mesma centralidade, sendo-lhe atribu\u00eddas, por\u00e9m, outras denomina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Feito este par\u00eantesis, afirmei no texto anterior que o Sagrado, ao se manifestar, o faz mediado tanto pela cultura quanto por fatores inerentes \u00e0 psicologia do sujeito que o experimenta. Essa \u00e9 a conclus\u00e3o inevit\u00e1vel quando se faz um estudo aprofundado da hist\u00f3ria das religi\u00f5es. Fica dif\u00edcil, depois disso, falar de religi\u00f5es verdadeiras ou falsas. Na verdade, \u00e9 quase imposs\u00edvel faz\u00ea-lo. Isso n\u00e3o quer dizer, por\u00e9m, que se possa defender o ponto de vista de que tudo o que dizem e escrevem em nome das religi\u00f5es seja verdadeiro.<\/p>\n<p>Existe o charlatanismo e existe, ainda, algo talvez muito mais grave e mais dif\u00edcil de identificar, que \u00e9 o autoengano. Quanto a esse aspecto, as religi\u00f5es aparecem como um dos terrenos mais f\u00e9rteis. Quantos loucos e desvairados j\u00e1 apareceram ao longo da hist\u00f3ria da humanidade propagando as maiores asneiras e estultices, motivados por supostas revela\u00e7\u00f5es e inspira\u00e7\u00f5es divinas.<\/p>\n<p>Em contrapartida, quantas figuras maravilhosas e iluminadas foram, em sua \u00e9poca, consideradas loucas, tornando-se, algum tempo depois, incensadas e reverenciadas devido ao reconhecimento do valor de sua mensagem e de seus atos. No caso da Igreja Cat\u00f3lica, lembramos, por exemplo, a figura de Joana D\u00b4Arc, queimada na fogueira e, depois, reabilitada e elevada \u00e0 gl\u00f3ria dos altares.<\/p>\n<p>Estou convencido de que o itiner\u00e1rio seguido por determinada pessoa em sua rela\u00e7\u00e3o com o Sagrado, noutras palavras, a forma como ela faz sua experi\u00eancia religiosa, \u00e9 que d\u00e1 o colorido dessa mesma experi\u00eancia. Nesse sentido, tanto deve ser levada em conta sua idiossincrasias, suas caracter\u00edsticas enquanto sujeito \u00fanico e singular, quanto sua op\u00e7\u00e3o religiosa, pois, no trato com o Sagrado, os s\u00edmbolos desempenham um papel fundamental. \u00c9 nesse aspecto que as religi\u00f5es d\u00e3o uma contribui\u00e7\u00e3o muito importante. S\u00e3o elas que fornecem ao indiv\u00edduo os s\u00edmbolos atrav\u00e9s dos quais ele pode elaborar e comunicar a sua experi\u00eancia.<\/p>\n<p>Para concluir, devo dizer que n\u00e3o tenho quaisquer d\u00favidas da veracidade do relato de S\u00e3o Franscisco de Assis sobre o epis\u00f3dio por ele vivenciado no monte Alverne, quando, ap\u00f3s a vis\u00e3o da figura que se tornaria conhecida nos anais do franciscanismo como o <em>Serafim alado<\/em>, recebeu os estigmas de Cristo.<\/p>\n<p>Da mesma forma, de maneira alguma questiono a veracidade da vis\u00e3o relatada por Paramahansa Yogananda no seu livro Autobiografia de um Iogue, em que ele fala da vis\u00e3o que teve de Krishna num momento crucial de sua jornada espiritual.<\/p>\n<p>Ambas as experi\u00eancias s\u00e3o verdadeiras, reais, e sua veracidade e realidade podem ser aquilatas pelas consequ\u00eancias que provocaram nos sujeitos que protagonizaram as duas hirofanias mencionadas. Foram ambas experi\u00eancias transformadoras, deixando nos protagonistas marcas indel\u00e9veis. Essa \u00e9, sem d\u00favida, a afirma\u00e7\u00e3o maior de sua veracidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes, o retardamento em atender \u00e0s preces \u00e9 uma prova a que Deus nos submete. Mas Ele afinal se apresenta, assumindo a forma adorada pelo devoto persistente. Um crist\u00e3o devoto contempla Jesus; um hindu v\u00ea Krishna ou a deusa K\u00e1li; ou ent\u00e3o, uma Luz que se expande, se a adora\u00e7\u00e3o assume forma impessoal.<br \/>\nParamahansa Yogananda<br \/>\n[Yogananda, Paramahansa. Autobiografia de um Iogue. Tradu\u00e7\u00e3o de Adelaide Petters Lessa. \u2013 S\u00e3o Paulo: Summus, 1981, p. 204.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-4691","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-09-arcano-ix-caminhos-do-sagrado"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4691"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4691\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4691"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4691"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4691"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}