{"id":4909,"date":"2012-06-11T07:21:28","date_gmt":"2012-06-11T10:21:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4909"},"modified":"2012-06-11T07:21:28","modified_gmt":"2012-06-11T10:21:28","slug":"do-livro-a-literatura-na-poltrona-jornalismo-literario-em-tempos-instaveis-de-jose-castello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2012\/06\/11\/do-livro-a-literatura-na-poltrona-jornalismo-literario-em-tempos-instaveis-de-jose-castello\/","title":{"rendered":"Do livro: A literatura na poltrona: jornalismo liter\u00e1rio em tempos inst\u00e1veis, de Jos\u00e9 Castello"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><em>Aqueles que, como L\u00facia Cherem, uma das mais sens\u00edveis leitoras de Clarice Lispector, frequentaram em Paris os semin\u00e1rios de H\u00e9l\u00e8ne Cixous \u2013 a mais importante leitora francesa de Clarice \u2013 puderam entender, um pouco melhor, o que realmente se passa. Nos anos 1980, L\u00facia participou dos c\u00edrculos de leitura de Clarice Lispector coordenados por Cixous. Neles, a fil\u00f3sofa pedia a seus parceiros que, depois de ler um trecho qualquer da escritora, se esfor\u00e7assem para reproduzir o impacto pessoal, o golpe \u2013 as \u201cfacadas\u201d, podemos sugerir \u2013 que a literatura de Clarice lhes impusera. Alguns choravam, outros se desesperavam, muitos se afundavam em recorda\u00e7\u00f5es antigas, ou em medita\u00e7\u00f5es perigosas. Nessas horas, posso me arriscar a dizer, Clarice neles se encarnava. A literatura, que est\u00e1 nos livros, aparece muito al\u00e9m dos livros. Ali, sob a reg\u00eancia de Cixous, se reproduzia o choque que a literatura \u00e9 capaz de promover. Ali, a literatura tomava corpo \u2013 tomava um corpo, v\u00e1rios corpos \u2013 e se mostrava viva. Ali, a coisa se encenava, o \u201cisso\u201d de que falava Clarice, aquilo que, ainda que estando dentro de um livro, n\u00e3o se deixa ler.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>Jos\u00e9 Castello<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Castello, Jos\u00e9. A literatura na poltrona<\/strong><em>. \u2013 Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 33.]<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aqueles que, como L\u00facia Cherem, uma das mais sens\u00edveis leitoras de Clarice Lispector, frequentaram em Paris os semin\u00e1rios de H\u00e9l\u00e8ne Cixous \u2013 a mais importante leitora francesa de Clarice \u2013 puderam entender, um pouco melhor, o que realmente se passa. Nos anos 1980, L\u00facia participou dos c\u00edrculos de leitura de Clarice Lispector coordenados por Cixous. Neles, a fil\u00f3sofa pedia a seus parceiros que, depois de ler um trecho qualquer da escritora, se esfor\u00e7assem para reproduzir o impacto pessoal, o golpe \u2013 as \u201cfacadas\u201d, podemos sugerir \u2013 que a literatura de Clarice lhes impusera. Alguns choravam, outros se desesperavam, muitos se afundavam em recorda\u00e7\u00f5es antigas, ou em medita\u00e7\u00f5es perigosas. Nessas horas, posso me arriscar a dizer, Clarice neles se encarnava. A literatura, que est\u00e1 nos livros, aparece muito al\u00e9m dos livros. Ali, sob a reg\u00eancia de Cixous, se reproduzia o choque que a literatura \u00e9 capaz de promover. Ali, a literatura tomava corpo \u2013 tomava um corpo, v\u00e1rios corpos \u2013 e se mostrava viva. Ali, a coisa se encenava, o \u201cisso\u201d de que falava Clarice, aquilo que, ainda que estando dentro de um livro, n\u00e3o se deixa ler.<br \/>\nJos\u00e9 Castello<br \/>\n[Castello, Jos\u00e9. A literatura na poltrona. \u2013 Rio de Janeiro: Record, 2007, p. 33.]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[14],"tags":[],"class_list":["post-4909","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-11-clariceanas"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4909","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4909"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4909\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4909"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4909"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4909"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}