{"id":4929,"date":"2012-06-08T07:21:11","date_gmt":"2012-06-08T10:21:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=4929"},"modified":"2012-06-08T07:21:11","modified_gmt":"2012-06-08T10:21:11","slug":"a-grade-tarefa-a-busca-da-verdadeira-identidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2012\/06\/08\/a-grade-tarefa-a-busca-da-verdadeira-identidade\/","title":{"rendered":"A grade tarefa: a busca da verdadeira identidade"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #800080\"><em>Mentir \u00e9 querer passar pelo que n\u00e3o se \u00e9. Mas passar por outro do que n\u00e3o se \u00e9 \u2013 sem o querer \u2013 n\u00e3o \u00e9 mentir. \u00c9 levar ao engano. O que distingue o mentiroso daquele que leva ao engano, \u00e9 que todo mentiroso tem a inten\u00e7\u00e3o de enganar \u2013 mesmo que n\u00e3o se chegue a crer nele. Ao passo que levar ao engano, necessariamente, \u00e9 algo imposs\u00edvel de n\u00e3o se dar. O fato acontece mesmo.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>Santo Agostinho<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><em>[<\/em><strong>Santo Agostinho. A verdadeira religi\u00e3o; O cuidado devido aos mortos<em>. <\/em><\/strong><em>Tradu\u00e7\u00e3o de Nair de Assis Oliveira. &#8211;\u00a0 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2002, p. 87. (Patr\u00edstica; 19)]<\/em><\/span><\/p>\n<p>A grande pergunta, talvez a maior, a grande pergunta que uma pessoa possa fazer a si mesma, da qual decorrem todas as demais, \u00e9, desgra\u00e7adamente, uma indaga\u00e7\u00e3o fadada, desde o momento em que \u00e9 formulada, a n\u00e3o ser nunca totalmente respondida: <em>Quem sou eu?<\/em><\/p>\n<p>Ainda assim, todos n\u00f3s temos \u00a0obriga\u00e7\u00e3o de procurar a resposta. \u00c9 que dela depende os rumos que cada um dar\u00e1 \u00e0 sua vida. Como a resposta \u00e9 sempre parcial, sempre incompleta, evidentemente o tal rumo, decorrente dela, ser\u00e1 tamb\u00e9m sempre mais ou menos incerto. Por isso seguimos \u00e0s apalpadelas, tateando, agindo como se segu\u00edssemos o rumo certo sem nunca estar absolutamente convictos de que o fazemos, de fato.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, \u00e9 interessante a assertiva de Santo Agostinho, aqui citada em ep\u00edgrafe, em que trata do assunto. Mesmo n\u00e3o tendo muita certeza quanto \u00e0 sua verdadeira identidade, ainda assim \u00e9 mais f\u00e1cil saber o que n\u00e3o somos do que o que verdadeiramente somos. Nesse sentido, uma pessoa pode deliberadamente se fazer passar por aquilo que n\u00e3o \u00e9, uma vez que tem a plena consci\u00eancia (uso aqui essa express\u00e3o com restri\u00e7\u00f5es, mas vamos l\u00e1!) disso, ou seja, do que ela n\u00e3o \u00e9. Assim procedendo, ela estar\u00e1 propositalmente mentindo.<\/p>\n<p>Mas, ser\u00e1 que a quest\u00e3o pode ser resolvida de forma assim t\u00e3o simples? Provavelmente, n\u00e3o. Mesmo saber aquilo que n\u00e3o somos, \u00e9, n\u00e3o araras vezes, bastante dif\u00edcil. Depois de tudo o que Freud descobriu sobre o inconsciente e suas insuspeitadas artimanhas, fica muito dif\u00edcil falar da possibilidade de um conhecimento pleno da pr\u00f3pria identidade. Isso posto, torna-se dif\u00edcil tanto afirmar o que somos quanto o que n\u00e3o somos.<\/p>\n<p>Essa conclus\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o deve ser motivo para desistirmos de buscar ir ao \u00e2mago de n\u00f3s mesmos, \u00e0 procura do conhecimento da nossa verdadeira identidade. Embora seja essa uma busca parcialmente fada ao insucesso, n\u00e3o desistamos. \u00c9 sempre poss\u00edvel avan\u00e7ar no conhecimento de si, e chegar, ainda que apenas parcialmente, a uma relativa consci\u00eancia da pr\u00f3pria identidade.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 poss\u00edvel porque, o tempo todo, sem que o percebamos, aquilo que somos em ess\u00eancia se imiscui no dia-a-dia, nas atividades, nos atos, nas conversas, nos encontros, em tudo, enfim, que comporta e constitui uma vida.<\/p>\n<p>Sempre, ou quase sempre, nos deparamos com sinais e ind\u00edcios do caminho que \u00e9 <em>O NOSSO CAMINHO<\/em>. \u00c9 por interm\u00e9dio desses ind\u00edcios, e principalmente pelo caminho trilhado, que a verdadeira, a aut\u00eantica identidade de cada um de n\u00f3s vai se revelando. Uma peculiaridade que vale lembrar aqui \u00e9 que o ato de caminhar e o desvelamento da identidade v\u00e3o acontecendo mais ou menos paralelamente, um alimentando e confirmando o outro.<\/p>\n<p>\u00c9 algo mais ou menos assim: \u00e0 medida que agimos, nossa identidade vai se tornando mais clara, vai revelando seus contornos e se mostrando com mais nitidez; em contrapartida, \u00e0 medida que ela vai ganhando maior nitidez, ganhamos mais autoconfian\u00e7a e nos tornamos mais aptos a assumir nossas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Portanto, para concluir, nunca \u00e9 demais lembrar: aquele itiner\u00e1rio que apenas a cada um de n\u00f3s compete seguir, nos \u00e9 indicado em diversas ocasi\u00f5es da nossa vida. Os ind\u00edcios e os sinais n\u00e3o falham nem faltam. Perceb\u00ea-los ou n\u00e3o, isso vai depender de o quanto estamos antenados com a nossa busca pessoal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mentir \u00e9 querer passar pelo que n\u00e3o se \u00e9. 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(Patr\u00edstica; 19)]<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-4929","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4929","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4929"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4929\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4929"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4929"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4929"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}