{"id":513,"date":"2009-08-20T09:21:10","date_gmt":"2009-08-20T14:21:10","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=513"},"modified":"2009-08-20T09:21:10","modified_gmt":"2009-08-20T14:21:10","slug":"eis-que-o-mestre-bate-a-porta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/08\/20\/eis-que-o-mestre-bate-a-porta\/","title":{"rendered":"Eis que o Mestre bate \u00e0 porta"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #000080\"><em>Eis, o desejado das na\u00e7\u00f5es est\u00e1 fora e bate \u00e0 porta. Se, por tua indol\u00eancia, devesse ele passar adiante, tu come\u00e7arias de novo a procurar aquele que tua alma ama! Levanta, corre, abre. Levanta por f\u00e9; corre por devo\u00e7\u00e3o; abre por confiss\u00e3o. <\/em>Eu<em>, responde, <\/em>sou a serva do Senhor; fa\u00e7a-se em mim segundo a tua palavra<em> (Lc 1,38).<\/em><\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">S\u00e3o Bernardo de Claraval<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #000080\">[Oratio de IV de B.M.V. Citado em: SGARBOSSA, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais. Tradu\u00e7\u00e3o Armando Braio Ara. &#8211; S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003, p. 176.]<\/span><\/em><\/p>\n<p>Ter ou n\u00e3o um mestre, o que implica em, dependendo de quem seja o mestre, adotar ou n\u00e3o um credo religioso, \u00e9 uma quest\u00e3o que tem me ocupado h\u00e1 anos. Essa nem sempre \u00e9 uma quest\u00e3o f\u00e1cil de resolver. A maioria de n\u00f3s, ocidentais, nasceu em uma fam\u00edlia que adotou alguma tradi\u00e7\u00e3o religiosa, por sua vez, herdada de seus ancestrais, numa sucess\u00e3o a mais das vezes ininterrupta. Reconhe\u00e7o que nos dias atuais essa situa\u00e7\u00e3o vem passando por mudan\u00e7as, mas para quem j\u00e1 passou dos quarenta anos, na maioria dos casos \u00e9 essa a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ocorre que uma coisa \u00e9 seguir professando uma religi\u00e3o legada ao indiv\u00edduo pela fam\u00edlia, outra coisa \u00e9 escolh\u00ea-la de livre e espont\u00e2nea vontade. Nesse \u00faltimo caso, a escolha pode constituir um grande desafio, a exemplo do que tem ocorrido comigo e com tantas outras pessoas que, por motivos diversos, assumiram essa op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No caso de quem nasceu numa fam\u00edlia de tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, ou, o que \u00e9 mais comum no Brasil, de tradi\u00e7\u00e3o declaradamente cat\u00f3lica, tal op\u00e7\u00e3o se torna mais dif\u00edcil ainda. Quero crer, como afirmou Jung, que a mentalidade religiosa ocidental foi fortemente influenciada pela perspectiva crist\u00e3, o que faz deste o substrato religioso coletivo paradigm\u00e1tico para qualquer ocidental.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia natural desse racioc\u00ednio \u00e9 que Cristo imp\u00f5e-se como o Mestre dos mestres, caso assumamos\u00a0a perspectiva junguiana como verdadeira. Sendo Cristo o Mestre por excel\u00eancia, seria ele, tamb\u00e9m, mais uma vez conforme a concep\u00e7\u00e3o junguiana, o paradigma do homem individuado. Cristo aparece, nesse vi\u00e9s de racioc\u00ednio, como modelo a ser seguido e imitado.<\/p>\n<p>Esse seria o pre\u00e7o a ser pago por quem quer que opte por assumir qualquer das religi\u00f5es que se filiam \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 como credo pessoal. Cabem, por\u00e9m duas quest\u00f5es de dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o. Primeira: a hip\u00f3tese junguiana tem sustenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica? Ou seja: quais s\u00e3o os riscos e possibilidades de quem, tendo como substrato o paradigma crist\u00e3o ocidental, opte por assumir outra religi\u00e3o alheia a tal modelo? Segunda: o que significa aceitar Cristo como modelo a ser imitado? S\u00e3o quest\u00f5es para as quais, no momento, ainda n\u00e3o tenho uma resposta absoluta. Retomarei este tema na pr\u00f3xima quinta-feira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eis, o desejado das na\u00e7\u00f5es est\u00e1 fora e bate \u00e0 porta. 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