{"id":518,"date":"2009-08-21T06:21:27","date_gmt":"2009-08-21T11:21:27","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=518"},"modified":"2009-08-21T06:21:27","modified_gmt":"2009-08-21T11:21:27","slug":"babilak-bah-e-o-transcendente-canto-das-enxadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2009\/08\/21\/babilak-bah-e-o-transcendente-canto-das-enxadas\/","title":{"rendered":"Babilak Bah e o transcendente canto das enxadas"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #ff0000\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-519\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/capa1.jpg\" alt=\"capa1\" width=\"246\" height=\"246\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/capa1.jpg 246w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/capa1-150x150.jpg 150w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/capa1-120x120.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 246px) 100vw, 246px\" \/>A vida n\u00e3o tem sentido, o universo n\u00e3o tem plano. Para n\u00e3o perder a coragem de viver \u00e9 necess\u00e1rio embriagar-se do momento \u00fanico e verdadeiro. Na exalta\u00e7\u00e3o da embriaguez dar\u00e1 a ilus\u00e3o da eternidade.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #ff0000\">Babilak Bah<\/span><\/em><\/p>\n<p>Tarde-noite de ter\u00e7a-feira, Parque da Liberdade ou, como \u00e9 mais conhecido, Cidade da Crian\u00e7a, centro de Fortaleza. Flanava pelo parque nas proximidades do anfiteatro enquanto aguardava o momento do lan\u00e7amento do CD <em>Cantos de Boiadeiros<\/em>, de M\u00e3e Taquinha de Oy\u00e1. Num determinado momento se aproxima do local onde me encontrava uma figura de \u00f3culos vermelho, cabelo rastaf\u00e1ri e uma mochila \u00e0s costas. Achega-se de um dos organizadores do evento que aconteceria logo mais, o umbandista Paulo Mandu, e logo entabulam uma animada conversa. Paulo acena para mim convidando-me a me juntar a eles. Ao me aproximar ele diz: <em>Vasco, este \u00e9 Babilak Bah, m\u00fasico mineiro que est\u00e1 em Fortaleza para participar da Feira da M\u00fasica<\/em>. (Mais tarde eu descobriria que Babilak \u00e9 paraibano, embora resida em Belo Horizonte).<\/p>\n<p>Paulo me apresenta como professor de hist\u00f3ria das religi\u00f5es. Algu\u00e9m j\u00e1 me disse que, uma vez professor, sempre professor. Parece que \u00e9 verdade, pois embora haja\u00a0deixado o magist\u00e9rio, continuo sendo tratado pela alcunha de professor. Bem, o fato \u00e9 que a apresenta\u00e7\u00e3o serviu como detonador para um animado di\u00e1logo entre mim e Babilak, que logo demonstrou v\u00edvido interesse pelo assunto religi\u00f5es.<\/p>\n<p>Conversa vai conversa vem, Babilak disse que tamb\u00e9m tinha um disco gravado e, abrindo mochila, tirou de l\u00e1 o CD <em>Enxad\u00e1rio<\/em>. Quando peguei no disco fui logo perguntando quanto custava, pois gostei tanto da capa que imediatamente decidi adquiri-lo. Perguntou-me por quanto estava sendo vendido o de M\u00e3e Taquinha. Ao responder, ele disse: <em>Pois vou lhe vender o meu pelo mesmo valor, pra seguir o pre\u00e7o cobrado na cidade<\/em>.<\/p>\n<p>Abri o disco e tirei o encarte que o acompanha. Fui imediatamente atra\u00eddo pela letra da faixa seis, <em>Artemosfera<\/em>. Encantado com a sonoridade e jogos de palavras, comecei a ler em voz alta a letra da can\u00e7\u00e3o, sendo logo precedido por Babilak, que tamb\u00e9m passou a repetir a letra adiantando-se \u00e0 minha leitura. No final j\u00e1 form\u00e1vamos um coro repetindo em un\u00edssono: <em>O ser m\u00e2ntrico\/met\u00e1fora sim\u00e9trica Ritmo qu\u00e2ntico\/melodia g\u00f3tica Engenharia po\u00e9tica\/tecnologia rom\u00e2ntica Pac\u00edfico belo\/romance atl\u00e2ntico Artemosfera al\u00e9rgica\/rima acr\u00edlica Inspira\u00e7\u00e3o pl\u00e1stica\/pronome maltem\u00e1tico Ser mi\u00f3tico \u00e9pico\/ser m\u00e2ntrico r\u00fastico Ser artista gen\u00e9tico\/ser blante \u00f3tico Ser natural cr\u00edtico\/ser m\u00e3o m\u00edstico Poesia ser f\u00e1lica metal\/p\u00f5e edgar l\u00e3 p\u00f4e<\/em>. A maior peculiaridade do m\u00fasico, por\u00e9m, n\u00e3o est\u00e1 exatamente nos jogos de palavras, mas em transformar a enxada em instrumento musical, de onde tira sons encantadores (ou seria mais correto dizer encantados?).<\/p>\n<p>A certa altura de nossa conversa, Babilak me disse: <em>Vasco, voc\u00ea precisa me ver no palco, cara! N\u00e3o sei se vai dar pra voc\u00ea ir ver meu show, mas quando subo no palco eu me transformo. Uma coisa toma conta de mim, pois pra mim o som \u00e9 sagrado<\/em>. Chegando em casa, fui procurar algum v\u00eddeo do Babilak na internet. Descobri no YouTube dois v\u00eddeos do artista. Fiquei impressionado com a energia que ele transmite quando pisa o palco,\u00a0manifestando uma\u00a0exuber\u00e2ncia de gestos,\u00a0 dan\u00e7a,\u00a0gingado&#8230; Comparando o Babilak que conversara comigo, pacato, recatado, de jeito comedido e at\u00e9 t\u00edmido de falar, pensei: n\u00e3o resta d\u00favida, este cara sofre mesmo uma grande transforma\u00e7\u00e3o quando sobe ao palco. Lembrando a frase que ele escreveu no disco, <em>A enxada descendente do martelo de Xang\u00f4<\/em>, pensei: certamente algum esp\u00edrito ancestral ou Orix\u00e1 africano desce pra possu\u00ed-lo quando ele sobre ao palco, ocasionando um aut\u00eantico transe durante o qual o som \u00e9 o ve\u00edculo para a\u00a0 mais pura express\u00e3o do sagrado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-524\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/2009\/08\/1178521297_overmundo.jpg\" alt=\"1178521297_overmundo\" width=\"421\" height=\"402\" data-srcset=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/1178521297_overmundo.jpg 421w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/1178521297_overmundo-300x286.jpg 300w, https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2009\/08\/1178521297_overmundo-120x115.jpg 120w\" data-sizes=\"auto, (max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/>Quando falei pro Babilak que comentaria o seu disco no meu blog nesta sexta-feira, ele reagiu com palavras que gostei imensamente de ouvir. Disse: <em>P\u00f4xa, Vasco, que legal, cara, foi Imenaj\u00e1 que te mandou pra essa conversa comigo!<\/em> Tenho certeza de que as pessoas que comparecerem ao Centro Cultural Drag\u00e3o do Mar no s\u00e1bado \u00e0s 21 horas v\u00e3o se deleitar com o som met\u00e1lico e transcendental que Babilak Bah tira da enxada, por ele convertida de instrumento para sulcar a terra, em instrumento musical a sulcar as notas de um canto sagrado que remonta aos seus ancestrais africanos, de onde tira a for\u00e7a e inspira\u00e7\u00e3o para as can\u00e7\u00f5es que comp\u00f5e.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida n\u00e3o tem sentido, o universo n\u00e3o tem plano. Para n\u00e3o perder a coragem de viver \u00e9 necess\u00e1rio embriagar-se do momento \u00fanico e verdadeiro&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-518","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-12-arcano-xii-no-umbral-do-extase"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=518"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/518\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}