{"id":5407,"date":"2014-02-07T11:20:51","date_gmt":"2014-02-07T14:20:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5407"},"modified":"2014-02-07T11:20:51","modified_gmt":"2014-02-07T14:20:51","slug":"o-divino-querer-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2014\/02\/07\/o-divino-querer-2\/","title":{"rendered":"O divino querer"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_2502\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/11\/Cristal.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-2502\" class=\"size-thumbnail wp-image-2502\" alt=\"Cristal solar\" src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/themes\/veen\/assets\/images\/transparent.gif\" data-lazy=\"true\" data-src=\"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2010\/11\/Cristal-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2502\" class=\"wp-caption-text\">Cristal solar<\/p><\/div>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Obedecendo ao impulso de minha natureza, sentia uma repugn\u00e2ncia fora do comum; mas eu estava inteiramente disposta a tudo fazer e a me conformar em tudo ao divino querer. Com tudo isso, tive de travar muitos combates&#8230;<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Santa Ver\u00f4nica Giuliani<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\"><strong>[Sgarbossa, Mario. Os santos e os beatos da Igreja do Ocidente e do Oriente: com uma antologia de escritos espirituais<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Armando Braio Ara. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2003, p. 389.]<\/span><\/p>\n<p>Existe, certamente, um plano divino para cada ser humano. N\u00e3o, n\u00e3o estamos aqui por acaso. Nesse sentido, pode-se dizer que h\u00e1 uma vontade maior com a qual a nossa vontade pessoal deve, em algum momento, coincidir. Creio que o objetivo maior da vida de cada pessoa \u00e9 descobrir essa vontade e realiz\u00e1-la. Este tem sido o meu objetivo ao longo dos \u00faltimos dezoito anos, desde que, imbu\u00eddo desse prop\u00f3sito, realizei uma peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00cdndia e ao Nepal. Faria, nos anos seguintes, duas outras importantes peregrina\u00e7\u00f5es. A primeira delas, ao Tibete e, novamente, ao Nepal. A segunda, \u00e0 Palestina, F\u00e1tima, Assis e Roma.<\/p>\n<p>Este ano minha busca atinge a maioridade. \u00c9 o momento da consolida\u00e7\u00e3o de toda essa busca, em que posso olhar para tr\u00e1s e avaliar toda essa longa noite escura atravessada pela minha alma. Noite tenebrosa mesmo. A mais longa e extenuante travessia que algu\u00e9m possa realizar. Eu a fiz, corajosamente a fiz, e n\u00e3o voltei de m\u00e3os vazias. A exemplo da cita\u00e7\u00e3o posta em ep\u00edgrafe a este texto, posso dizer com santa Ver\u00f4nica Giuliani que em muitas ocasi\u00f5es senti grande repugn\u00e2ncia por ter que confrontar muita coisa que minha mente racional se recusava obstinadamente a aceitar. Tamb\u00e9m em conex\u00e3o com o que ela afirma, tive que travar muitos, muit\u00edssimos combates. Em diversas ocasi\u00f5es sa\u00ed exausto e estropiado. Mas nunca me recusei a combater. N\u00e3o recusei o chamado da noite. Tive sempre em mira um prop\u00f3sito maior, e foi isso que me sustentou ao longo da noite. Eu queria saber se \u00e9 verdade, EU TINHA QUE SABER SE \u00c9 VERDADE. Ent\u00e3o, atendi ao chamado.<\/p>\n<p>Houve ocasi\u00f5es em que me senti tomado por um medo avassalador. O medo maior era da desagrega\u00e7\u00e3o mental. Tantos se perderam nesta travessia. O temor de estar apostando numa ilus\u00e3o tamb\u00e9m assomava a cada instante no meu horizonte de possibilidades. Raramente partilhei com amigos ou familiares os temores e tremores que senti. Apesar disso, eu n\u00e3o estava s\u00f3. Naza, sempre muito pr\u00f3xima e sens\u00edvel ao que sinto, percebeu em diversas ocasi\u00f5es a ang\u00fastia que eu experimentava. Com a discri\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 peculiar, amparou-me com palavras e gestos, sem jamais ser invasiva e respeitando sempre os meus momentos. Indira tamb\u00e9m esteve sempre presente, em especial nas ocasi\u00f5es em que compartilhei com ela algumas d\u00favidas e indecis\u00f5es quanto ao rumo que deveria dar aos meus textos. Sua sugest\u00f5es foram sempre ponderadas e sensatas, incentivando-me a manter o foco inicialmente delimitado, ou seja, a espiritualidade.<\/p>\n<p>Num outro plano, pude contar sempre com a companhia dos Mestres, os que muito antes de mim e de forma bem mais radical, fizeram a travessia e sa\u00edram vitoriosos. Por isso mesmo, puderam falar dela com precis\u00e3o e propriedade, deixando registradas suas impress\u00f5es e experi\u00eancias para que outros buscadores, como eu, pudessem delas se beneficiar. Sou-lhes imensamente grato.<\/p>\n<p>Dentre os Mestres com quem sempre tenho contado, destaco aqueles que tomei como padrinhos. \u00c9, resolvi fazer uma met\u00e1fora. Assim como tenho padrinhos de batismo, madrinha de apresentar e padrinho de crisma, decidi que escolheria, para a minha inicia\u00e7\u00e3o espiritual, os meus padrinhos, mesmo sem a certeza de que teria a anu\u00eancia deles, ou seja, de que eles me aceitariam como seu afilhado. Mesmo assim, ousadamente, os tomei por padrinhos. Para padrinhos de batismo, s\u00e3o Francisco de Assis e santa Teresa d\u00b4\u00c1vila; para madrinha de apresentar, santa Clara; e, para padrinho de crisma, santo Ant\u00f4nio Maria Claret.<\/p>\n<p>Passei por uma prepara\u00e7\u00e3o para essas tr\u00eas inicia\u00e7\u00f5es. Para tanto, contei tamb\u00e9m com tr\u00eas inestim\u00e1veis aux\u00edlios. Para o batismo, preparou-me Santo Agostinho, instruindo-me por interm\u00e9dio de seus escritos. Para a primeira comunh\u00e3o, tomei como catequista o evangelista s\u00e3o Jo\u00e3o e, para o crisma, o irm\u00e3o deste, o ap\u00f3stolo s\u00e3o Tiago.<\/p>\n<p>Para concluir o processo de inicia\u00e7\u00e3o, restava ser apresentado no Templo do Divino Pai Eterno. Para esse important\u00edssimo evento, a coroa\u00e7\u00e3o da minha Inicia\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, confiei-me a Dom Bosco e Dom H\u00e9lder C\u00e2mara. O que mais poderia eu desejar do que o inestim\u00e1vel privil\u00e9gio de ser introduzido no Templo em companhia de t\u00e3o abalizados mestres?<\/p>\n<p>Nenhum dos mestres mencionados me negou o seu aux\u00edlio. Nos momentos mais dif\u00edceis, um ou outro esteve sempre presente. Seguiram comigo orientando-me por interm\u00e9dio dos seus escritos. As sincronicidades experimentadas ao longo do trajeto serviram-me como confirma\u00e7\u00e3o das orienta\u00e7\u00f5es que eu encontrava nos escritos de um ou outro deles cada vez que, meio perdido, buscava palavras que me esclarecessem quanto ao rumo ou a decis\u00e3o a tomar. Posso assegurar que a sua orienta\u00e7\u00e3o segura nunca me faltou, e sempre que as adotei o resultado foi eficaz e, n\u00e3o raras vezes, surpreendente. <i>Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, meus padrinhos, para esse miser\u00e1vel que t\u00e3o ousadamente se aproximou de v\u00f3s em busca de aux\u00edlio<\/i>.<\/p>\n<p>Registrar tudo por escrito tem sido de grande valia. A esses registros dei o nome de Di\u00e1rio do Caminho. Serviu-me como fonte de inspira\u00e7\u00e3o exatamente os di\u00e1rios de santa Ver\u00f4nica Giuliani. Foi depois que tive acesso a um exemplar de seus di\u00e1rios que me senti tamb\u00e9m impelido a escrever o meu. Foi uma op\u00e7\u00e3o feliz, pois sempre que necess\u00e1rio retorno \u00e0s minhas anota\u00e7\u00f5es, cotejo fatos, comparo impress\u00f5es, estabele\u00e7o conex\u00f5es entre eventos aparentemente sem rela\u00e7\u00e3o entre si. E concluo sempre pelo sentido. As pe\u00e7as acabam se encaixando como se formassem um grande quebra-cabe\u00e7as, que des\u00e1gua num sentido coerente e estruturado.<\/p>\n<p>Permeando toda essa trajet\u00f3ria, a figura onipresente da Virgem Maria. Nunca pude prescindir de sua ajuda. Ela tem sido um farol. Minha sorte foi um dia ter ca\u00eddo em minhas m\u00e3os um texto de S\u00e3o Bernardo, um dos maiores devotos de Nossa Senhora, no qual ele afirmava: \u201cNunca se ouviu dizer que um devoto de Maria se perdesse\u201d. Pronto!, foi o suficiente para que eu me confiasse a ela com uma f\u00e9 sem medidas. Houve ocasi\u00f5es em que me vi impelido a rezar literalmente segurando na m\u00e3o de uma imagem de Nossa Senhora \u2013 uma imagem que me expressa o que de melhor e mais belo se possa imaginar em termos de meiguice, do\u00e7ura, bondade e compaix\u00e3o. Uma imagem de m\u00e3e com todas as letras, a Grande M\u00e3e de todos n\u00f3s que a ela nos confiamos sem meias-medidas. A minha confian\u00e7a n\u00e3o foi em v\u00e3o. Ela tem sempre passado na frente, abrindo portas e caminhos, e desatando os n\u00f3s que, sem o seu inestim\u00e1vel amparo, eu n\u00e3o teria conseguido desatar. <i>Sua b\u00ean\u00e7\u00e3o, Santa M\u00e3e, para esta fr\u00e1gil e tola criatura que, sem a sua prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o teria chegado a lugar nenhum<\/i>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Obedecendo ao impulso de minha natureza, sentia uma repugn\u00e2ncia fora do comum; mas eu estava inteiramente disposta a tudo fazer e a me conformar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[],"class_list":["post-5407","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-23-o-bau-do-escriba-artaban"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5407\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}