{"id":5513,"date":"2014-11-21T21:21:15","date_gmt":"2014-11-22T00:21:15","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5513"},"modified":"2014-11-21T21:21:15","modified_gmt":"2014-11-22T00:21:15","slug":"dificil-iniciacao-segunda-idade-adulta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2014\/11\/21\/dificil-iniciacao-segunda-idade-adulta\/","title":{"rendered":"A dif\u00edcil Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda idade adulta"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">O meio da vida \u00e9 o momento em que fazemos o balan\u00e7o conosco mesmos, em que realizamos o exame de nossa vida, quando come\u00e7a a \u201cdescida\u201d do Sol. De maneira que \u00e9, com frequ\u00eancia, tamb\u00e9m um tempo de depress\u00e3o. Na realidade, devemos, ent\u00e3o, renunciar a uma ideia de juventude eterna e abandonar certas ilus\u00f5es que nos fizeram viver at\u00e9 ent\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Viviane Thibaudier<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[Thibaudier, Viviane. <strong>Jung, m\u00e9dico da alma<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Martha Gouveia da Cruz, Alexandra D. de Sousa. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2014, p. 132. \u2013 (Cole\u00e7\u00e3o amor e psique).]<\/span><\/p>\n<p>Nada na vida \u00e9 mais dif\u00edcil que lidar com a perda de ilus\u00f5es. De fato, talvez ningu\u00e9m consiga viver absolutamente imune \u00e0s ilus\u00f5es, at\u00e9 porque, sob certos aspectos ou em determinadas circunst\u00e2ncias, se torna dif\u00edcil saber o que \u00e9 ou n\u00e3o ilus\u00f3rio. Entretanto, em que pese essa constata\u00e7\u00e3o, em determinados momentos a vida exige que nos desvistamos de ilus\u00f5es que nos sustentaram at\u00e9 ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Isso se verifica de forma clara e com uma for\u00e7a inexor\u00e1vel quando se atravessa a chamada meia idade, ou seja, quando nos olhamos ao espelho e, surpresos, percebemos que n\u00e3o se pode mais sonhar com a eterna juventude ou com a imortalidade. \u00c9 quando percebemos que j\u00e1 nos encaminhamos para um iminente fim, uma vez que, admitamos ou n\u00e3o, somos todos mortais.<\/p>\n<p>Momento terr\u00edvel, este, em que n\u00e3o poucos sucumbem \u00e0 depress\u00e3o ou a outras graves patologias, n\u00e3o raro de origem psicossom\u00e1tica. Entretanto, a palavra fim, usada no par\u00e1grafo anterior, comporta um duplo sentido. O voc\u00e1bulo, nesse caso, tanto remete \u00e0 ideia de finitude quanto \u00e0 de sentido. Explico: a vida tem um fim, sem d\u00favida ela acabar\u00e1 um dia; mas ela tamb\u00e9m tem uma finalidade, um sentido.<\/p>\n<p>Pensada nessa segunda perspectiva, a famigerada crise da meia idade, ou o \u201cDem\u00f4nio meridiano\u201d, express\u00e3o muito utilizada na literatura especializada, ao inv\u00e9s de um agente depressivo pode se tornar um grande aliado, impelindo o indiv\u00edduo a buscar o horizonte para o qual deve encaminhar sua vida na segunda etapa da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Um dos maiores s\u00edmbolos dessa situa\u00e7\u00e3o encontramos no Arcano XIII do Tar\u00f4, intitulado justamente A Morte. \u00a0Esse Arcano n\u00e3o se reporta necessariamente \u00e0 morte f\u00edsica, estando associado muito mais \u00e0 ideia de transmuta\u00e7\u00e3o. E essa \u00e9, de fato, a palavra chave para a travessia da meia idade. O que a vida exige \u00e9 que abramos m\u00e3o de velhas e desgastadas ilus\u00f5es, que as deixemos morrer, de fato, para que a energia at\u00e9 ent\u00e3o nelas investida ressurja transmutada. Transmuta\u00e7\u00e3o essa que poder\u00e1 se dar de forma lenta, gradual e suave ou de forma brusca e radical.<\/p>\n<p>Como se dar\u00e1 o processo vai depender do quanto o indiv\u00edduo esteja aberto e atento para ler e compreender os sinais que a vida est\u00e1 mandando. Porque sinais e ind\u00edcios de que \u00e9 chegada a hora da mudan\u00e7a come\u00e7am a se fazer notar de diversas formas. Quanto a isso, \u00e9 bom estarmos atentos \u00e0quilo que Jung denominou sincronicidades, ou seja, aquelas supostas coincid\u00eancias que talvez n\u00e3o sejam t\u00e3o coincidentes assim. O Universo \u00e9 pr\u00f3digo em mensagens e sinais quando estamos antenados para receb\u00ea-los.<\/p>\n<p>Atentar para os sinais, por\u00e9m, \u00e9 apenas uma parte do processo. Decodific\u00e1-los e segui-los \u00e9, talvez, a parte mais dif\u00edcil. Uma forma de tornar isso mais f\u00e1cil \u00e9 procurar dedicar algum tempo \u00e0 interioriza\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1ticas que permitam o acesso \u00e0s dimens\u00f5es do ser que transcendem a esfera meramente racional ou consciente. Posso afirmar que tenho encontrado um vigoroso aux\u00edlio na pr\u00e1tica di\u00e1ria da ora\u00e7\u00e3o. Ela tem me levado a dimens\u00f5es da minha vida nunca antes suspeitadas. \u00c9 preciso, por\u00e9m, munir-se de uma boa dose de persist\u00eancia. A tenta\u00e7\u00e3o a desisiir assoma a cada passo, especialmente nos momentos de aridez, quando n\u00e3o se consegue vislumbrar nenhum resultado concreto.<\/p>\n<p>Posso, entretanto, afirmar com a mais absoluta convic\u00e7\u00e3o: o Caminho \u00e9 dif\u00edcil, por\u00e9m, t\u00e3o belo e surpreendentemente \u00a0compensador, que vale o sacrif\u00edcio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O meio da vida \u00e9 o momento em que fazemos o balan\u00e7o conosco mesmos, em que realizamos o exame de nossa vida, quando come\u00e7a a&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":5514,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[245],"class_list":["post-5513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao","tag-jung-segunda-idade-adulta-iniciacao-sincronicidade-meia-idade"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5513"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5513\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}