{"id":5596,"date":"2015-04-17T11:30:09","date_gmt":"2015-04-17T14:30:09","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5596"},"modified":"2015-04-17T11:30:09","modified_gmt":"2015-04-17T14:30:09","slug":"a-cura-por-via-espiritual-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/04\/17\/a-cura-por-via-espiritual-i\/","title":{"rendered":"A cura por via espiritual I"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">\u00d3 Senhor, tende em conta o muito que sofremos neste caminho por falta de instru\u00e7\u00e3o! E o mal \u00e9 que, como n\u00e3o pensamos ser preciso mais do que pensar em V\u00f3s, nem sabemos perguntar aos que t\u00eam instru\u00e7\u00e3o, nem consideramos que haja necessidade de perguntar. Experimentamos terr\u00edveis sofrimentos por n\u00e3o nos entendermos. E chegamos a pensar que \u00e9 grande culpa o que, longe de ser mau, \u00e9 bom. Daqui prov\u00eam as afli\u00e7\u00f5es de muitas pessoas voltadas para a ora\u00e7\u00e3o, ao menos das que s\u00e3o pouco esclarecidas. Elas se queixam de sofrimentos interiores, tornam-se melanc\u00f3licas, perdem a sa\u00fade e at\u00e9 abandonam a ora\u00e7\u00e3o por completo, desconhecendo que h\u00e1 um mundo interior em n\u00f3s.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Santa Teresa D\u2019\u00c1vila<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>Castelo Interior, Quartas Moradas, Cap. 1, 9, p. 474<\/strong>. Em: <strong>Teresa de Jesus. Obras Completas.<\/strong> Texto estabelecido por Fr. Tomas Alvarez, O.C.D. Dire\u00e7\u00e3o Pe. Gabriel C. Galache, SJ. Tradu\u00e7\u00e3o de Adail Ubirajara Sobral e outros. \u2013 S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Carmelitanas: Edi\u00e7\u00f5es Loyola,1995].<\/span><\/p>\n<p>Muitas vezes tenho me perguntado quais s\u00e3o os limites e possibilidades da interven\u00e7\u00e3o por via espiritual. Noutras palavras: ser\u00e1 que \u00e9 vi\u00e1vel estabelecer contato com um Mestre por via espiritual, por exemplo, por meio da ora\u00e7\u00e3o e\/ou da medita\u00e7\u00e3o, e sentir, de fato, os efeitos deste contato? Quando me refiro aos efeitos estou querendo saber se tal contato \u00e9 capaz de provocar, efetivamente, mudan\u00e7as no pretenso disc\u00edpulo.<\/p>\n<p>Para quem \u00e9 cat\u00f3lico, como \u00e9 o meu caso, e, portanto, acredita na comunh\u00e3o dos santos, est\u00e1 bem assentado que essa pergunta tem uma resposta afirmativa. Saliente-se, entretanto, que essa cren\u00e7a n\u00e3o \u00e9 exclusiva do catolicismo, pois a encontramos em diversas religi\u00f5es; arriscaria at\u00e9 a afirmar que ela \u00e9 um elemento comum a todas as religi\u00f5es. A interven\u00e7\u00e3o sobrenatural no mundo humano \u00e9 premissa basilar de qualquer cren\u00e7a religiosa.<\/p>\n<p>Mas quero ir um pouco al\u00e9m na explora\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o. No hindu\u00edsmo e no budismo encontramos a pr\u00e1tica comum de entregar-se aos cuidados de um Mestre. Nesse caso, aquele que se entrega a tais cuidados assume explicitamente a condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulo que busca a inicia\u00e7\u00e3o nas pr\u00e1ticas que t\u00eam, como \u00faltimo est\u00e1gio, o nirvana. Essa institui\u00e7\u00e3o, comum a essas duas religi\u00f5es, pressup\u00f5e, portanto, uma rela\u00e7\u00e3o intensa entre o Guru e o seu disc\u00edpulo. O Guru, nesse caso, pode ser tanto um Mestre que ainda vive quanto um que j\u00e1 desencarnou.<\/p>\n<p>Em se tratando dessa experi\u00eancia no \u00e2mbito da Igreja Cat\u00f3lica, temos um Mestre para o qual todos devemos tender, Jesus Cristo. Mas temos, tamb\u00e9m, aqueles outros a quem tamb\u00e9m podemos, de certa forma, tomar como mestres que podem nos conduzir \u00e0 experi\u00eancia m\u00e1xima de uni\u00e3o com Cristo. Refiro-me aos santos.<\/p>\n<p>Por que assumo essa perspectiva em rela\u00e7\u00e3o aos santos? Pelo simples fato de que eles pr\u00f3prios fizeram sua experi\u00eancia e lograram sucesso em seu intento. Assim sendo, eles t\u00eam os requisitos necess\u00e1rios para conduzir um devoto, aqui al\u00e7ado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de disc\u00edpulo, \u00e0 mesma experi\u00eancia. \u00c9 evidente que qualquer um pode decidir buscar diretamente a Cristo, sem intermedi\u00e1rios. Alguns leitores poder\u00e3o alegar que, para isso, temos os textos do Evangelho que estabelecem o itiner\u00e1rio seguro para quem quer seguir o Caminho. N\u00e3o nego que isso seja verdade. Mas nem sempre o itiner\u00e1rio \u00e9 t\u00e3o claro quanto gostar\u00edamos. Nesse caso, a orienta\u00e7\u00e3o de quem j\u00e1 fez o Caminho se torna garantia de que se chegar\u00e1 ao termo da jornada.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito dessa quest\u00e3o, tenho dialogado com dois mestres que, dentre os muitos poss\u00edveis, tomei como meus guias, ainda que a revelia deles, pois n\u00e3o sei at\u00e9 que ponto posso garantir que eles condescenderam em instruir um disc\u00edpulo t\u00e3o relapso, contradit\u00f3rio e inconstante quanto este que ora escreve estas linhas. Mesmo assim, resolvi arriscar. Por coincid\u00eancia, s\u00e3o dois avilenses, embora uma deva o qualificativo \u00e0 cidade em que nasceu e, o outro, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Refiro-me a Santa Teresa D\u2019\u00c1vila e S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila. Curiosamente, a primeira, em determinado momento de seu itiner\u00e1rio espiritual, recorreu ao segundo, buscando aconselhamento. Santa Teresa D\u2019\u00c1vila n\u00e3o chegou a ser disc\u00edpula de S\u00e3o Jo\u00e3o de \u00c1vila, mas ambos trocaram correspond\u00eancias quando ela foi aconselhada a buscar a opini\u00e3o deste a prop\u00f3sito de um de seus escritos. Pois bem, tenho dialogado com os dois, mas desse di\u00e1logo tratarei no pr\u00f3ximo texto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00d3 Senhor, tende em conta o muito que sofremos neste caminho por falta de instru\u00e7\u00e3o! 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