{"id":5600,"date":"2015-05-04T09:16:24","date_gmt":"2015-05-04T12:16:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5600"},"modified":"2015-05-04T09:16:24","modified_gmt":"2015-05-04T12:16:24","slug":"devastacao-na-terra-dos-deuses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/05\/04\/devastacao-na-terra-dos-deuses\/","title":{"rendered":"Devasta\u00e7\u00e3o na Terra dos deuses"},"content":{"rendered":"<p>No livro \u201cPower places of Kathmandu\u201d, escreve o autor, Kevin Bubriski: \u201cLugares de poder s\u00e3o a sede dos deuses, pontos focais de energia divina. Nas tradi\u00e7\u00f5es hindus e budistas do Vale de Kathmandu, o lugar prim\u00e1rio de comunica\u00e7\u00e3o com os deuses est\u00e1 em suas resid\u00eancias: <i>pithasthan<\/i>, livremente traduzido como \u00b4lugares de poder`. Os locais de poder s\u00e3o janelas sobre o reino do divino. Eles s\u00e3o a fonte de revitaliza\u00e7\u00e3o espiritual e renovada energia ps\u00edquica\u201d (tradu\u00e7\u00e3o minha).<\/p>\n<p>Adquiri esse livro na \u201cPilgrims Book House\u201d, a maior livraria de Kathmandu. Por duas vezes estive no Nepal. A primeira, em 1996, ocasi\u00e3o em que fiz um <i>trekking<\/i> de sete dias pelas trilhas de montanha. A segunda, em 1999, quando encetei uma jornada de 950 quil\u00f4metros ao longo da cordilheira do Himalaia, iniciando-se em Lhasa, capital do Tibet, e terminando em Kathmandu.<\/p>\n<p>O Nepal, com uma popula\u00e7\u00e3o de mais de trinta milh\u00f5es de pessoas, \u00e9 um dos pa\u00edses mais pobres da \u00c1sia. Contraditoriamente, \u00e9 um dos mais ricos do mundo em biodiversidade, devido a sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, al\u00e9m de ser detentor de um dos maiores potenciais hidrel\u00e9tricos do planeta, com diversos rios perenes. Pa\u00eds multi\u00e9tnico, possui uma cultura peculiar\u00edssima. At\u00e9 pouco tempo uma monarquia, desde 2008 passou a se denominar Rep\u00fablica Democr\u00e1tica Federal. \u00c9 para essa na\u00e7\u00e3o que o mundo inteiro tem voltado seu olhar nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>Na quarta-feira, 22 de abril, ao postar no facebook um v\u00eddeo mostrando o Vale de Kathmandu, escrevi: \u201cSaudade de Kathmandu, de suas fabulosas paisagens, sua m\u00fasica, seu povo t\u00e3o am\u00e1vel e acolhedor. A primeira vez que l\u00e1 estive, ao degustar uma Tuborg, delicios\u00edssima cerveja, o gar\u00e7om se aproximou da mesa em que me encontrava e, para minha grande surpresa, indagou: \u00b4Are you nepali?` Ele queria saber se eu era nepal\u00eas, pois, segundo disse, eu me assemelho muito ao povo nepal\u00eas. O epis\u00f3dio valeu por tudo mais que pudesse me acontecer ao longo da minha peregrina\u00e7\u00e3o \u00e0quele extraordin\u00e1rio pa\u00eds, cheio de tantos encantos e magia. Isso ocorreu em 1996. Tr\u00eas anos depois, retornei ao Nepal. Elegi-o como minha segunda p\u00e1tria. Nunca senti tanta familiaridade com uma outra cidade como sinto com sua capital, Kathmandu. Mist\u00e9rios que n\u00e3o consigo explicar&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias depois, ao acessar a internet logo cedo, a primeira not\u00edcia que vi dava conta de um devastador terremoto que assolara o Nepal naquela manh\u00e3, ceifando milhares de vidas e devastando Kathmandu. Fiquei at\u00f4nito. Lembrei da minha postagem no facebook. Nada em especial me motivara a escrever aquele pequeno texto, a n\u00e3o ser o meu grande amor pelo Nepal e seu povo. Mera coincid\u00eancia? Pode ser, mas prefiro acreditar que algo bem maior que uma simples coincid\u00eancia me levou a fazer aquela postagem. N\u00e3o tenho, entretanto, uma explica\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. O fato se inscreve no rol dessas coisas que nos acontecem de vez em quando e que se furtam a qualquer tentativa de uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No livro \u201cPower places of Kathmandu\u201d, escreve o autor, Kevin Bubriski: \u201cLugares de poder s\u00e3o a sede dos deuses, pontos focais de energia divina. 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