{"id":5607,"date":"2015-06-08T10:11:19","date_gmt":"2015-06-08T13:11:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5607"},"modified":"2015-06-08T10:11:19","modified_gmt":"2015-06-08T13:11:19","slug":"um-mergulho-no-universo-dos-simbolos-arquetipicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/06\/08\/um-mergulho-no-universo-dos-simbolos-arquetipicos\/","title":{"rendered":"Um mergulho no universo dos s\u00edmbolos arquet\u00edpicos"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Certa vez, algu\u00e9m que tinha em mente publicar um l\u00e9xico de s\u00edmbolos pediu conselho a C. G. Jung. A sua resposta foi a de que n\u00e3o o fizesse, pois cada s\u00edmbolo exigia um livro inteiro. Focando-nos numa imagem espec\u00edfica de cada vez, encontramos um modo de contornar isso. A imagem tanto limita como abre: \u00e9 essa imagem em particular que assenta o s\u00edmbolo nesta experi\u00eancia e, no entanto, se for a imagem certa, evoca a realidade arquet\u00edpica. Quando n\u00e3o conseguimos encontrar a imagem certa, n\u00e3o inclu\u00edmos o s\u00edmbolo em causa; quando a encontramos, tivemos uma sensa\u00e7\u00e3o de alegre reconhecimento \u2013 como uma porta abrindo-se a algum deleite escondido. Paul Klee disse-o bem: \u201cA arte n\u00e3o reproduz o vis\u00edvel. Ela torna vis\u00edvel\u201d.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #800080\">Ami Ronnberg<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[Pref\u00e1cio a: \u201c<strong>O Livro dos S\u00edmbolos: Reflex\u00f5es sobre imagens arquet\u00edpicas<\/strong>\u201d. Ami Ronnberg, Chefe de reda\u00e7\u00e3o; Kthleen Martin, Editor. Taschen, 2012]<\/span><\/p>\n<p>A decis\u00e3o de comprar um livro pode passar por diversas etapas, envolvendo muitas considera\u00e7\u00f5es. Dentre outras coisas, pondera-se sobre o conte\u00fado, o autor, a edi\u00e7\u00e3o e o pre\u00e7o. H\u00e1 casos, por\u00e9m, em que as pondera\u00e7\u00f5es s\u00e3o desnecess\u00e1rias. Basta pegar o livro para decidir: este eu vou levar. Foi o que me aconteceu h\u00e1 alguns dias quando, j\u00e1 de sa\u00edda de uma livraria, me deparei com um exemplar de \u201cO livro dos s\u00edmbolos: reflex\u00f5es sobre imagens arquet\u00edpicas\u201d, exposto em destaque numa prateleira na se\u00e7\u00e3o de psicologia. N\u00e3o me arrependi do ato. Desde ent\u00e3o, tem sido um deleite folhear suas belas p\u00e1ginas que me t\u00eam proporcionado uma maravilhosa incurs\u00e3o pelo variegado universo das imagens arquet\u00edpicas.<\/p>\n<p>A fonte iconogr\u00e1fica para o livro foram as 17.000 imagens do Archive for Research in Archetypal Symbolism (ARAS), sediado no C. G. Jung Center de Nova Iorque. A prop\u00f3sito do ARAS, encontra-se a seguinte informa\u00e7\u00e3o na parte inicial do livro: \u201cInspirado no trabalho de Carl Gustav Jung sobre os arqu\u00e9tipos e o inconsciente coletivo, o Archive for Research in Archetypal Symbolism (ARAS) \u00e9 um arquivo de imagens e textos relacionados com a mitologia, os rituais e os s\u00edmbolos em todo o mundo e \u00e9pocas da experi\u00eancia humana. A compila\u00e7\u00e3o de 17.000 fotografias, acompanhadas de coment\u00e1rios sobre o seu contexto hist\u00f3rico e cultural, investiga a universalidade dos temas arquet\u00edpicos e d\u00e1 testemunho das profundas e permanentes conex\u00f5es de toda a vida\u201d ( <a href=\"http:\/\/www.aras.org\/\">www.aras.org<\/a>).<\/p>\n<p>Foram selecionadas para a publica\u00e7\u00e3o em torno de 700 imagens, incluindo pinturas, fotografias, est\u00e1tuas etc. O livro, que tem como chefe de reda\u00e7\u00e3o Ami Ronnberg e como editor Kathleen Martin, foi escrito por diversos autores. Como adverte o pr\u00f3prio organizador da edi\u00e7\u00e3o, por este motivo n\u00e3o h\u00e1 uniformidade nos textos, uma vez que foi dada aos autores liberdade para comentar cada imagem como melhor lhes aprouvesse. Esse aspecto, entretanto, n\u00e3o causou nenhum preju\u00edzo \u00e0 obra, muito pelo contr\u00e1rio, pois lhe conferiu uma maior riqueza pela diversidade de pontos de vista.<\/p>\n<p>Dividido em cinco partes, Cria\u00e7\u00e3o e cosmo, Mundo das plantas, Mundo animal, Mundo humano e Mundo espiritual, as imagens e textos abrangem um universo vast\u00edssimo de assuntos, perpassando a cultura e mitos de toda a humanidade. Na descri\u00e7\u00e3o de um mesmo s\u00edmbolo pode-se encontrar condensada uma gama muito grande de informa\u00e7\u00f5es, contemplando simultaneamente diferentes perspectivas culturais.<\/p>\n<p>Um exemplo disso \u00e9 a bela descri\u00e7\u00e3o da lua crescente, representada no livro pelo quadro \u201cDezesseis de setembro\u201d, de Ren\u00e9 Magritte. Sob a rubrica Crescente, escreve o(a) autor(a): \u201cAo alto, sobre os ramos de uma \u00e1rvore em silhueta e num c\u00e9u noturno, brilha um delgado arco de luz, o crescente da lua nova. Esta imagem moderna, est\u00e1 enraizada, talvez, no antigo s\u00edmbolo da \u00e1rvore lunar sum\u00e9ria, \u2018a casa da m\u00e3e poderosa que atravessa o c\u00e9u\u2019 (Harding, M. Ester. Woman\u2019s Mysteries, Ancient and Modern, NI, 1972). Como os cornos de uma vaca branca, a lua crescente curva delicadamente no espa\u00e7o negro e vazio, e no entanto fecundo, prometendo a luz que h\u00e1-de vir \u00e0 medida que a lua vai engrossando at\u00e9 ficar cheia. A forma de barco da lua crescente lembra a Ishtar babil\u00f4nica, o \u2018Barco da Vida\u2019, que transporta as sementes de todas as coisas vivas (Jung, C. G. Dream Analysis: Notes of the Seminar Given in 1928-1930, Princeton, NI, 1984). \u00c9 a Io bizantina e a sua filha Keroessa, \u2018a dos cornos\u2019. Evoca o aspecto virginal da deusa grega da lua, com as suas tr\u00eas cabe\u00e7as, a beleza e o poder empolgante da kore: Atena, Pers\u00e9fone, \u00c1rtemis, \u2018deusa da noite, gl\u00f3ria das estrelas\u2019, que segura uma lua crescente ou a usa no cabelo. De igual modo, a Madona crist\u00e3 descansa os p\u00e9s numa lua crescente, uma imagem paradoxal de virgem casta e vaso de nascimento divino\u201d (p. 30).<\/p>\n<p>A leitura de \u201cO livro dos s\u00edmbolos\u201d tem me proporcionado um duplo prazer, tanto pela beleza dos textos quanto das imagens.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Certa vez, algu\u00e9m que tinha em mente publicar um l\u00e9xico de s\u00edmbolos pediu conselho a C. G. Jung. 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