{"id":5621,"date":"2015-07-20T11:09:58","date_gmt":"2015-07-20T14:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5621"},"modified":"2015-07-20T11:09:58","modified_gmt":"2015-07-20T14:09:58","slug":"uma-obra-aberta-ao-incognoscivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/07\/20\/uma-obra-aberta-ao-incognoscivel\/","title":{"rendered":"Uma obra aberta ao incognosc\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #800080\">Ao ousar manter juntos \u201ca medida e a desmedida, a ordem e a poesia\u201d, Jung foi ele pr\u00f3prio o criador de uma obra abundante e original que, ao mesmo tempo que era uma obra cient\u00edfica, soube abrir-se para o irracional, o desconhecido e o incognosc\u00edvel.<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">Viviane Thibaudie<\/span><span style=\"color: #800080\">r<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #800080\">[<strong>Thibaudier, Viviane. Jung, m\u00e9dico da alma<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o Martha Gouveia da Cruz, Alexandra D. de Souza. \u2013 S\u00e3o Paulo: Paulus, 2014, p. 144. (Cole\u00e7\u00e3o Amor e psique).] \u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Comecei a leitura do livro <i>Jung, m\u00e9dico da alma<\/i>, pela p\u00e1gina 32. Como sempre fa\u00e7o ao adquirir um livro, antes de iniciar a leitura folheei-o p\u00e1gina por p\u00e1gina. Pois bem, logo no in\u00edcio, no segundo cap\u00edtulo, me despertou a aten\u00e7\u00e3o o subt\u00edtulo <i>O sacrif\u00edcio<\/i>, sob o qual encontra-se uma \u00a0cita\u00e7\u00e3o de um dos livros mais pol\u00eamicos de Jung, <i>S\u00edmbolos da Transforma\u00e7\u00e3o<\/i> (livro que, diga-se de passagem, \u00e9 tido como marco de seu rompimento com Freud):<\/p>\n<p><i>O mundo aparece quando o homem o descobre. Ora, ele s\u00f3 o descobre no momento em que sacrifica seu envolvimento com a m\u00e3e original, dito de outra maneira, o estado inconsciente do in\u00edcio<\/i>.<\/p>\n<p>Como a quest\u00e3o do sacrif\u00edcio vem ocupando o centro de meus estudos e reflex\u00f5es h\u00e1 bastante tempo, foi por a\u00ed que iniciei a leitura do livro, somente depois passando para a p\u00e1gina inicial. Ali\u00e1s, esse livrinho, pequeno no tamanho mas grandioso no conte\u00fado, me proporcionou alguns encantos desde a p\u00e1gina de rosto, na qual a autora p\u00f4s a instigante cita\u00e7\u00e3o de \u00c9lie Humbert: \u201cSer\u00e1 que conseguimos manter juntas a modera\u00e7\u00e3o e a insensatez, a ordem e a poesia? Jung tentou\u201d.<\/p>\n<p>A autora, Viviane Thibaudier &#8211; ex-presidente da SFPA (Sociedade Francesa de Psicologia Anal\u00edtica), que tamb\u00e9m dirigiu o Instituto C. G. Jung de Paris por mais de dez anos &#8211; escreve, logo na Introdu\u00e7\u00e3o, a prop\u00f3sito da pol\u00eamica que sempre cercou tanto Jung quanto sua obra: \u201cO que n\u00e3o teria sido dito sobre Jung? Afirmou-se que n\u00e3o passou de um pedagogo, um simbologista ou mit\u00f3logo, que foi m\u00edstico, esot\u00e9rico, antissemita, que fazia girar mesas, acreditava em discos voadores e praticava a alquimia, que teria fundado uma nova religi\u00e3o. O cat\u00e1logo \u00e9 infinito. Alguns chegaram a escrever livros sobre ele para demonstrar que o autor era pouco recomend\u00e1vel, como aqueles que escrevem obras inteiras para provar que Deus n\u00e3o existe!\u201d Prosseguindo, formula uma instigante indaga\u00e7\u00e3o que soa, ao mesmo tempo, como um desafio: \u201cTais simplifica\u00e7\u00f5es, com frequ\u00eancia exageradas, contribu\u00edram amplamente para distorcer o pensamento de Jung. Mas ser\u00e1 que conhecemos o verdadeiro Jung?\u201d (p. 9)<\/p>\n<p>Ao longo de quinze cap\u00edtulos, curtos mas t\u00e3o bem escritos quanto fundamentados, a autora perpassa os aspectos mais importantes e salientes da obra junguiana, elucidando conceitos, sempre ilustrados com exemplos tomados \u00e0 pr\u00e1tica cl\u00ednica. No final, o livro traz ainda um pequeno gloss\u00e1rio que serve como suporte a quem est\u00e1 come\u00e7ando a explorar Jung.<\/p>\n<p><i>Jung, m\u00e9dico da alma<\/i>, \u00e9 um delicioso convite a uma imers\u00e3o r\u00e1pida e agrad\u00e1vel no universo junguiano. Sua leitura me proporcionou imenso prazer e algumas descobertas, motivo pelo qual o tenho mantido em minha mesa de leitura, a ele retornando algumas vezes. Reputo essa publica\u00e7\u00e3o de interesse tanto para os j\u00e1 iniciados quanto para os que est\u00e3o se iniciando na obra desta figura fascinante e controvertida, sobre quem, com muita propriedade, afirma Viviane Thibaudier na Introdu\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><i>Essa mente curiosa e culta, de vis\u00e3o agu\u00e7ada e de longo alcance, interessava-se por tudo: ci\u00eancias, filosofia, literatura, antropologia, paleontologia, hist\u00f3ria das religi\u00f5es, lingu\u00edstica etc., e sua obra no campo da psicologia, incluindo algumas de suas ideias mais audaciosas, vai ao encontro das pesquisas mais adiantadas da f\u00edsica contempor\u00e2nea. \u00c9, al\u00e9m disso, especialmente apreciada por pessoas criativas de todo o meio art\u00edstico<\/i> (p. 11).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao ousar manter juntos \u201ca medida e a desmedida, a ordem e a poesia\u201d, Jung foi ele pr\u00f3prio o criador de uma obra abundante e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":5622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[99,134,244,297,342,346,347],"class_list":["post-5621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-15-o-caminho-da-individuacao","tag-c-g-jung","tag-cura-da-alma","tag-jung","tag-mitologia","tag-processo-de-individuacao","tag-psicologia-junguiana","tag-psicologia-profunda"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5621\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}