{"id":5628,"date":"2015-08-22T22:04:41","date_gmt":"2015-08-23T01:04:41","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.opovo.com.br\/sincronicidade\/?p=5628"},"modified":"2015-08-22T22:04:41","modified_gmt":"2015-08-23T01:04:41","slug":"uma-rainha-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/2015\/08\/22\/uma-rainha-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"Uma Rainha para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"color: #0000ff\">\u00c9 provavelmente essa mistura de f\u00e9 com paix\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o que nos permite entender Aparecida como o primeiro s\u00edmbolo verdadeiramente nacional, a figura mais antiga da nossa hist\u00f3ria que representou a unidade do Brasil.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"color: #0000ff\">Rodrigo Alvarez<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"color: #0000ff\">[<strong>Alvarez, Rodrigo. Aparecida: A biografia da santa que perdeu a cabe\u00e7a, ficou negra, foi roubada, cobi\u00e7ada pelos pol\u00edticos e conquistou o Brasil.<\/strong> 1. Ed. \u2013 S\u00e3o Paulo: Globo, 2014, p. 16.]<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Quando, em 1717, tr\u00eas pescadores da Vila de Guaratinguet\u00e1, Domingos Martins Garcia, Jo\u00e3o Alves e Felipe Pedroso, sa\u00edram para pescar no Rio Para\u00edba do Sul, n\u00e3o tinham, certamente, no\u00e7\u00e3o do importante epis\u00f3dio que estavam prestes a protagonizar. Durante a pescaria, a certa altura, Jo\u00e3o Alves, ao recolher a rede de pesca, percebeu que, ao inv\u00e9s de peixe, \u201cpescara\u201d o corpo de uma imagem sem cabe\u00e7a. Faz uma segunda tentativa e, desta feita, sobe a tona a cabe\u00e7a da imagem. Estava iniciada a saga daquela que seria, muitos anos depois, declarada padroeira do Brasil, Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o Aparecida, ou, como se tornou mais comumente conhecida, Nossa Senhora Aparecida.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Pois bem, \u00e9 dessa saga, interessant\u00edssima, que trata o livro \u201cAparecida: A biografia da santa que perdeu a cabe\u00e7a, ficou negra, foi roubada, cobi\u00e7ada pelos pol\u00edticos e conquistou o Brasil\u201d. \u00a0O autor, Rodrigo Alvarez, nasceu no Rio de Janeiro e passou os \u00faltimos dez anos entre S\u00e3o Paulo, Nova York, S\u00e3o Francisco e Jerusal\u00e9m, como rep\u00f3rter e correspondente da TV Globo. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">N\u00e3o bastasse o peculiar\u00edssimo t\u00edtulo da publica\u00e7\u00e3o, o leitor se defronta, ao longo dos seus 35 cap\u00edtulos, com uma hist\u00f3ria recheada de epis\u00f3dios t\u00e3o surpreendentes quanto curiosos. Ao atribuir \u00e0 hist\u00f3ria narrada o qualificativo de saga, n\u00e3o o fazemos por mera for\u00e7a de express\u00e3o. O fato \u00e9 que, nesse caso, esse \u00e9 o voc\u00e1bulo mais adequado para caracterizar o longo e tortuoso caminho seguido pela pequenina imagem de 36 cent\u00edmetros ao longo de mais duzentos anos, at\u00e9 se consolidar definitivamente como Padroeira do Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Aspecto muito particular do livro \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o atribu\u00edda pelo autor a Nossa Senhora Aparecida como uma aut\u00eantica representa\u00e7\u00e3o da identidade do povo brasileiro. Essa ideia perpassa a publica\u00e7\u00e3o da primeira \u00e0 \u00faltima p\u00e1gina. Cite-se, \u00e0 guisa de exemplo, o que escreveu o autor a prop\u00f3sito da primeira tentativa de construir um santu\u00e1rio que pudesse abrigar a imagem. A licen\u00e7a, exarada pelo bispo do Rio de Janeiro no dia 5 de maio de 1743, dizia: \u201cHavemos por bem de lhes conceder licen\u00e7a, como pela presente nossa provis\u00e3o lhes concedemos, para que possam edificar uma capela com o t\u00edtulo da mesma Senhora na dita freguesia, em lugar decente e assinalado pelo reverendo p\u00e1roco\u201d (p. 116).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">Sobre o epis\u00f3dio, comenta Rodrigo Alvarez: \u201cCom essas palavras, a Igreja cat\u00f3lica reconheceu a exist\u00eancia da primeira imagem milagrosa surgida em terras brasileiras, de uma santa de barro que se tornaria parte importante da identidade do Brasil. No latim usado at\u00e9 hoje pelo Vaticano, foi como se dissesse <i>habemus santa!<\/i> Ou, colocando em termos mais simples, era o Brasil descobrindo a sua cara, cada vez mais diferente de Portugal\u201d (p. 116).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u201cAparecida: A biografia da santa que perdeu a cabe\u00e7a, ficou negra, foi roubada, cobi\u00e7ada pelos pol\u00edticos e conquistou o Brasil\u201d, \u00e9 um livro que se l\u00ea com imenso prazer e, para os devotos de Nossa Senhora Aparecida, com redobrado interesse. Li-o quase de uma assentada s\u00f3, em apenas dois dias. N\u00e3o quero me estender nas cita\u00e7\u00f5es para n\u00e3o roubar ao leitor o prazer da leitura, na pr\u00f3pria publica\u00e7\u00e3o, de epis\u00f3dios t\u00e3o curiosos quanto desconcertantes da hist\u00f3ria dessa que, no dia 8 de setembro de 1904, receberia uma rica coroa, tornando-se, assim, a Rainha dos brasileiros, conforme sugere o autor:<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u201cDepois da chegada dos bispos, leu-se uma ora\u00e7\u00e3o dedicada a Nossa Senhora Aparecida, feita especialmente para aquela data.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u201cA serpente maligna contra quem foi lan\u00e7ada a primeira maldi\u00e7\u00e3o continua teimosamente combatendo e tentando os m\u00edseros filhos de Eva. Eis, bendita M\u00e3e, Rainha e advogada nossa, que, desde o primeiro instante da vossa concei\u00e7\u00e3o, esmagastes a cabe\u00e7a do inimigo.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u201cEra um trecho da reza que, \u00e0queles que a repetissem, garantia trezentos dias de perd\u00e3o, concedidos na forma de indulg\u00eancia por sua santidade, o papa Pio X. Depois da ora\u00e7\u00e3o, a coroa que a princesa Isabel dera de presente foi colocada sobre a cabe\u00e7a da santinha. Deixou de ser s\u00f3 um ornamento luxuoso que se juntava ao manto azul e lhe escondia a feiura do pesco\u00e7o quebrado para se transformar num s\u00edmbolo de poder.\u201d<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u201cEra curioso. O Brasil ainda estava se acostumando a viver numa Rep\u00fablica, sem os nobres herdados de Portugal, mas passava a ter, tardiamente, uma rainha. Era um passo decisivo para a consolida\u00e7\u00e3o de uma imagem nacional que se completaria algumas d\u00e9cadas depois com sua proclama\u00e7\u00e3o como padroeira do Brasil.\u201d (p. 182).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #000080\">\u00a0<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 provavelmente essa mistura de f\u00e9 com paix\u00e3o e identifica\u00e7\u00e3o que nos permite entender Aparecida como o primeiro s\u00edmbolo verdadeiramente nacional, a figura mais antiga&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":50,"featured_media":5629,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[16],"tags":[316],"class_list":["post-5628","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-13-arcano-xiii-de-maria-nunquam-satis","tag-nossa-senhora-aparecida"],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5628","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/users\/50"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5628"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5628\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5629"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5628"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5628"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.opovo.com.br\/sincronicidade\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5628"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}